O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou publicamente pela primeira vez, nesta sexta-feira (23), o escândalo envolvendo o Banco Master e as suspeitas de um rombo bilionário na instituição. A declaração foi feita durante uma cerimônia em Maceió, Alagoas, que marcou a entrega de 1.337 moradias do programa Minha Casa, Minha Vida e a celebração da marca de 2 milhões de contratações desde 2023.
Sem citar nominalmente o dono do banco, Daniel Vorcaro, Lula afirmou que não é aceitável que prejuízos atribuídos à atuação de um banqueiro recaiam sobre o sistema financeiro e, indiretamente, sobre a sociedade. Segundo o presidente, o suposto desfalque ultrapassa R$ 40 bilhões e será coberto por recursos do Fundo Garantidor de Crédito, mecanismo mantido pelos próprios bancos para proteger depositantes em casos de insolvência.
“Não é possível que a gente continue vendo o pobre ser sacrificado, enquanto um cidadão, como esse do Banco Master, que deu um golpe de mais de R$ 40 bilhões”, declarou. Na avaliação do presidente, instituições como Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e bancos privados acabam sendo impactadas pelo uso do fundo. Lula também criticou quem, segundo ele, defende o responsável pelo banco. “Tem gente que defende porque também está cheio de gente que falta um pouco de vergonha na cara neste país”, disse.
Durante o discurso, Lula ampliou o tom político ao citar resultados do terceiro mandato. Ele mencionou a redução da inflação, afirmando que, em outubro do ano passado, o índice atingiu o menor patamar em 27 anos, além da criação de cerca de 5 milhões de empregos com carteira assinada desde 2023.
O presidente afirmou que 2026 será um período de comparação entre os resultados de seus três anos de governo e os quase oito anos somados das gestões de Michel Temer e Jair Bolsonaro. Segundo ele, a avaliação deve envolver áreas como infraestrutura, saúde, educação e expansão de universidades e institutos federais. Lula classificou os primeiros anos de seu mandato como um período de reconstrução, alegando que o país foi encontrado “desmantelado”.
Lula também fez um alerta sobre a disseminação de desinformação, principalmente nas redes sociais. Para o presidente, a propagação de fake news ameaça o debate público e a democracia. “Não podemos permitir que a mentira volte a governar”, afirmou.
Ao final, o presidente abordou a violência contra as mulheres e fez um apelo direto aos homens para que se envolvam no enfrentamento do problema. Ele destacou o alto número de casos de feminicídio no país e afirmou que a responsabilidade pelo combate à violência deve ser assumida de forma ativa pelos homens. “Somos nós homens que temos que ter coragem e dignidade de assumir a defesa da luta contra a violência voltada para as mulheres”, concluiu.
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