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Lula conversa com Trump e defende retomada de negociações comerciais entre Brasil e EUA

Presidentes discutiram tarifas, combate ao crime organizado e guerras na Ucrânia e no Oriente Médio durante ligação nesta sexta-feira (21).

21/08/2026 às 14h49

21/08/2026 às 14h49

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou por telefone, na manhã desta sexta-feira (21), com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A conexão durou 1h20 e, de acordo com o Palácio do Planalto, os dois discutiram as relações comerciais entre os países, segurança e conflitos internacionais.

Durante a ligação, Lula afirmou que considerou infundadas as alegações usadas pelo governo norte-americano para justificar a recente imposição de novas tarifas sobre produtos brasileiros. Entre os argumentos apresentados pelos EUA estão questões relacionadas ao desmatamento, acordos preferenciais, propriedade intelectual, combate à corrupção, Pix, etanol e importações associadas a trabalho forçado.

Lula conversa com Trump e defende retomada de negociações comerciais entre Brasil e EUA - (Ricardo Stuckert/PR) Ricardo Stuckert/PR
Lula conversa com Trump e defende retomada de negociações comerciais entre Brasil e EUA

De acordo com o governo brasileiro, Lula disse que as tarifas prejudicam as economias dos dois países e defendeu a retomada das negociações comerciais. O presidente norte-americano teria concordado sobre a importância de preservar os vínculos comerciais entre Brasil e Estados Unidos e sugerido um novo encontro entre as equipes dos dois governos.

Combate ao crime organizado

A segurança pública também esteve entre os assuntos tratados pelos presidentes. Lula afirmou que o Brasil tem interesse em ampliar a cooperação com os Estados Unidos no combate ao crime organizado e apresentou medidas adotadas pelo país contra grupos criminosos.

Segundo o relato do Planalto, Lula argumentou que as organizações criminosas provocam violência principalmente sobre populações mais vulneráveis, mas defendeu que essas facções não sejam classificadas como organizações terroristas.

O presidente também citou a estratégia de asfixia financeira das organizações criminosas. Conforme os dados apresentados por Lula, aproximadamente R$ 17 bilhões já foram apreendidos em ações desse tipo.

Durante a ligação, o presidente brasileiro mencionou ainda a Lei Antifacção e a criação do Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, em Manaus. Também foi citado o plano de transformar 138 unidades prisionais em presídios de segurança máxima.

Trump, segundo o governo brasileiro, se colocou à disposição para ampliar a cooperação na área de segurança e afirmou que deverá indicar funcionários de alto escalão para dar continuidade às tratativas entre os dois países.

Presidentes também falaram sobre guerras

A conversa também abordou conflitos internacionais, especialmente as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio. Lula e Trump concordaram sobre a necessidade de buscar uma solução negociada para a guerra entre Rússia e Ucrânia, que se aproxima de cinco anos.

Trump também apresentou considerações sobre as perspectivas dos Estados Unidos para uma solução envolvendo o conflito com o Irã. O presidente brasileiro, por sua vez, criticou a atuação do Conselho de Segurança das Nações Unidas diante dos conflitos internacionais.

Lula sugeriu a convocação de uma reunião extraordinária do Conselho de Segurança da ONU para discutir alternativas diplomáticas. Ao comentar a necessidade de soluções negociadas, afirmou que “os grandes líderes não são aqueles que iniciam guerras, mas aqueles que põem fim aos conflitos”.

O telefonema ocorreu em meio às discussões sobre as novas barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. Segundo o Planalto, a conversa teve tom cordial e terminou com a sinalização de continuidade das negociações por meio das equipes dos dois governos.