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Lewandowski entrega carta de demissão a Lula e define saída do Ministério da Justiça

Lula tentou adiar a saída do ministro, mas Lewandowski manteve sua decisão

08/01/2026 às 15h05

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, entregou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a carta de demissão nesta quinta-feira (8), definindo sua saída do governo após menos de dois anos no cargo. A reunião entre os dois ocorreu no Palácio do Planalto, pouco antes de um evento que marcou os três anos dos ataques antidemocráticos de 8 de janeiro, e a saída deve ser formalizada até sexta-feira (9).

Lewandowski entrega carta de demissão a Lula e define saída do Ministério da Justiça - (Lula Marques/Agência Brasil) Lula Marques/Agência Brasil
Lewandowski entrega carta de demissão a Lula e define saída do Ministério da Justiça

Lewandowski, que assumiu a pasta em fevereiro de 2024, após se aposentar do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou ao presidente que sua “missão foi cumprida” e que a decisão é motivada por razões pessoais, principalmente o desejo de passar mais tempo com a família e com os netos. A conversa sobre sua saída havia sido antecipada ainda em dezembro de 2025, quando ele já havia indicado a auxiliares seu interesse em deixar o governo.

No encontro, Lula tentou adiar a saída do ministro, mas Lewandowski manteve sua decisão. Segundo fontes, a relação entre os dois permanece cordial, e o presidente reconheceu o trabalho realizado, mesmo sem divulgar um nome para substituí-lo imediatamente. A pasta ainda não tem um sucessor definido, e auxiliares avaliam a possibilidade de nomear um ministro interino, como o secretário-executivo da Justiça, até que um titular seja escolhido.

Entre as razões que teriam pesado na decisão além de motivos pessoais, estão o cansaço político e a frustração com o andamento de projetos importantes no Congresso, como a PEC da Segurança Pública, que enfrentou obstruções e resistência de diferentes setores, além de polarizações internas relacionadas ao combate ao crime organizado.

A perspectiva de eventuais mudanças na estrutura da pasta também contribuiu para o desânimo de Lewandowski. Fontes ouvidas pela imprensa apontaram que acenos do Planalto à possibilidade de desmembrar a Justiça e a Segurança Pública, separando as duas áreas em ministérios distintos, foram interpretados por ele como um enfraquecimento de sua função à frente da pasta.

Durante sua gestão, Lewandowski enfrentou desafios marcantes relacionados à segurança pública, em um contexto de crescimento das organizações criminosas e de debates intensos sobre políticas de segurança no Brasil. Sua experiência como ex-ministro do STF e jurista foi utilizada pelo governo para tentar articular medidas contra a violência, ainda que de forma burocrática e com resultados mistos.

Com a saída de Lewandowski, a equipe do governo trabalha para evitar um vácuo na liderança da Justiça e da Segurança Pública, sobretudo em um ano eleitoral em que o tema se mostra sensível para o eleitorado.


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Com supervisão de Nathalia Amaral