Documentos divulgados recentemente pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos indicam que o financista Jeffrey Epstein, acusado de tráfico sexual de menores e morto em 2019 enquanto aguardava julgamento, possuía um CPF registrado no Brasil em situação regular.
A informação consta em arquivos apreendidos durante investigações sobre o caso e foi confirmada por consulta ao sistema da Receita Federal realizada nesta quinta-feira (12).
O cadastro aponta que o CPF em nome de Jeffrey Edward Epstein foi emitido em 23 de abril de 2003, com data de nascimento em 20 de janeiro de 1953, compatível com os dados públicos do empresário.
Apesar de Epstein ter morrido há quase sete anos, o documento permanece ativo, o que levanta questionamentos sobre possíveis bens, investimentos ou relações financeiras vinculadas ao Brasil.
A legislação brasileira permite que estrangeiros, mesmo sem residência no país, solicitem inscrição no CPF por conta própria ou por meio de procurador legalmente autorizado.
Os documentos americanos também revelam que Epstein discutiu a possibilidade de obter cidadania brasileira. Em troca de e-mails datada de outubro de 2011, a empresária e investidora Nicole Junkermann perguntou ao financista se ele já havia considerado a naturalização. “Ideia interessante, porém vistos podem ser um problema para viagens internacionais”, respondeu Epstein, segundo os arquivos. No mesmo dia, os dois teriam combinado um encontro em um hotel de luxo.
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Outros registros apontam conexões mais amplas com o Brasil. Há menções a figuras públicas e empresários brasileiros, sem confirmação de contato direto, além de referência ao envio de recursos a um brasileiro residente no exterior.
Um dos arquivos também descreve a negociação para compra de uma agência de modelos no país, com a finalidade declarada de acesso a jovens mulheres, reforçando o padrão de comportamento predatório atribuído ao magnata.
Epstein foi encontrado morto em uma prisão federal em agosto de 2019, dois dias após assinar testamento que estimava seu patrimônio em mais de 577 milhões de dólares. A versão oficial aponta suicídio, mas falhas de segurança e outras inconsistências alimentaram teorias conspiratórias.
As acusações criminais contra ele foram encerradas após a morte, mas investigações continuaram contra possíveis cúmplices. Em 2022, Ghislaine Maxwell foi condenada a 20 anos de prisão por tráfico sexual de menores.
A divulgação gradual de documentos judiciais tem ampliado a compreensão sobre a rede de relações de Epstein e seus interesses internacionais. A presença de um CPF ativo no Brasil acrescenta um novo elemento a esse panorama, ainda sem esclarecimento oficial sobre eventuais vínculos patrimoniais ou atividades no país.
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