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Brasil registra 257 mortes violentas de pessoas LGBT+ em 2025, aponta relatório

Levantamento anual independente indica redução de 11,7% em relação ao ano de 2024, mas país segue liderando ranking mundial de violência letal.

19/01/2026 às 16h26

O Brasil registrou 257 mortes violentas de pessoas LGBT+ em 2025, segundo relatório divulgado pelo Grupo Gay da Bahia (GGB), organização que há 45 anos monitora esse tipo de violência no país. Os dados indicam uma redução de 11,7% em comparação a 2024, quando foram contabilizados 291 casos, mas mantêm o Brasil como o país com maior número absoluto de assassinatos de LGBT+ no mundo, com uma média de uma morte a cada 34 horas.

Do total registrado em 2025, 204 casos foram classificados como homicídios, 20 como suicídios, 17 como latrocínios e 16 decorrentes de outras causas, como atropelamentos e afogamentos. O levantamento é feito de forma independente, a partir de notícias publicadas na mídia, informações em redes sociais, blogs e relatos enviados à ONG, já que não há estatísticas oficiais sistematizadas sobre crimes motivados por LGBTfobia no Brasil.

Brasil registra 257 mortes violentas de pessoas LGBT+ em 2025, aponta relatório - (Tânia Rêgo/Agência Brasil) Tânia Rêgo/Agência Brasil
Brasil registra 257 mortes violentas de pessoas LGBT+ em 2025, aponta relatório

Conforme o relatório, homens gays representaram a maioria das vítimas, com 60,7% dos casos. Mulheres trans e travestis somaram 24,9%. Embora correspondam a uma parcela menor da população LGBT+, pessoas trans apresentam risco proporcionalmente muito mais elevado de morte violenta. A maioria das vítimas tinha entre 19 e 45 anos, faixa etária considerada de maior inserção social e econômica.

A distribuição regional aponta o Nordeste como a região com maior número de casos, concentrando 25,7% das mortes. Em seguida, aparecem o Sudeste, com 18,7%, e o Centro-Oeste, com 12,8%. Em 32,7% dos registros, a região não foi informada, o que, segundo o GGB, evidencia falhas na cobertura jornalística e produção de dados oficiais.

Para os pesquisadores responsáveis pelo estudo, a redução numérica em relação ao ano anterior não indica diminuição da violência estrutural. “Os dados continuam mostrando um padrão persistente de letalidade contra a população LGBT+, agravado pela ausência de políticas públicas eficazes e pela subnotificação”, afirma o fundador do Grupo Gay da Bahia, Luiz Mott.

De acordo com o professor, muitos casos de violência desse demográfico permanecem invisíveis, especialmente aqueles que acontecem fora dos grandes centros urbanos.

O relatório também chama atenção para a recorrência de crimes ocorridos dentro da casa da própria vítima, sugerindo violência praticada por parceiros, ex-companheiros ou familiares. Foram identificados ao menos 23 casos envolvendo parceiros íntimos em 2025. Há, ainda, registros de mortes de adolescentes e jovens, associados, segundo a análise, à combinação de discriminação, negligência familiar e falta de redes de proteção.

Na série histórica mantida pelo GGB, que reúne 8.072 mortes registradas entre 1963 e 2025, a tendência geral é de crescimento ao longo das décadas. Para a organização, a permanência do Brasil no topo desse ranking internacional reforça a necessidade de enfrentar a violência contra a população LGBT+ como um problema estrutural, e não como episódios isolados.


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Com supervisão de Nathalia Amaral.