O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), Wellington Dias, anunciou que o Governo Federal está preparado para reforçar as ações de acolhimento aos venezuelanos que ingressem no Brasil, após a escalada da crise política e militar na Venezuela. As declarações foram concedidas ao PortalODia.com nesta segunda-feira (5).
No último sábado (3), os Estados Unidos realizaram uma operação militar de larga escala no território venezuelano, denominada Operação Absolute Resolve, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, em Caracas. Diante do novo cenário, o governo brasileiro passou a adotar medidas preventivas para lidar com um possível aumento no fluxo migratório.
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Em entrevista ao O Dia, Wellington Dias explicou que o Brasil atua por meio da Operação Acolhida, coordenada pelo MDS em parceria com o Ministério das Relações Exteriores, o Ministério da Justiça e a Casa Civil.
“O MDS coordena, principalmente com a participação do Ministério de Relações Exteriores, Ministério da Justiça, também a presença da Casa Civil, uma que a gente chama de Operação Acolhida. É uma unidade que está presente em Roraima, em Pacaraima, a partir da qual a gente, com todos esses parceiros ali também integrados com estados, com municípios, a gente trabalha para que se tenha não só uma acolhida, mas também a condição de saber quem é que está entrando na fronteira do Brasil com a Venezuela”, afirmou.
Segundo o ministro, após a entrada no país, os migrantes passam por um diagnóstico social, que leva em conta aspectos como saúde, escolaridade e histórico familiar. A partir dessas informações, o governo define os próximos passos, incluindo a chamada interiorização, que distribui os venezuelanos entre os estados brasileiros.
“A partir do diagnóstico, saúde, escolaridade, a vida de cada pessoa, a gente toma decisões. Normalmente, quando as pessoas passam a ingressar em território brasileiro, também nós fazemos a chamada interiorização. A partir das 27 unidades da federação para que as pessoas possam chegar a algum local, ser recebido, ter a condição de encaminhamento para o emprego, ter o encaminhamento para a sua família, muitas vezes vem através de outros familiares”, explicou.
Wellington Dias destacou ainda que, diante do aumento das tensões na região, o Governo Federal passou a elaborar um plano estratégico para lidar com uma eventual mudança no fluxo migratório.
“E agora quando começaram as tensões lá já com a presença das Forças Armadas Americanas ali na América Central nós passamos a preparar um plano estratégico para uma eventual situação como estamos vivendo. Então, da parte do MDS, pronto. No primeiro momento, as fronteiras foram fechadas, lado a lado. Agora foram reabertas. Até o dia de hoje, a gente tem uma movimentação dentro da normalidade. Mas caso haja um fluxo diferenciado, nós temos as condições de ampliar equipes e de atuar de forma mais forte”, relatou.
Venezuelanos no Brasil
O ministro ressaltou que o Brasil já abriga um número expressivo de cidadãos venezuelanos e que a crise migratória no país vizinho não é recente.
“No Brasil hoje a gente trabalha, fora aquelas pessoas que já estavam, 600 mil venezuelanos que aqui ingressaram ao longo desse período. É bom lembrar que essa situação já vem de algum tempo. E uma parte entra como refugiados, outra parte entra como migrante, que vem em busca de alternativa. A Venezuela também termina sendo uma porta para outros países, Haiti, Cuba, alguns outros países”, disse.
Segundo Wellington Dias, a atuação brasileira envolve não apenas a fronteira de Roraima, mas também outras áreas da Amazônia e regiões que fazem ligação com o Centro-Oeste, sempre com foco no controle territorial e na proteção humanitária.
“A gente trabalha na fronteira com a Venezuela não só nessa de Roraima, mas na Amazônia, ali em direção ao Centro-Oeste onde a gente passa a garantir toda uma preocupação de um lado para evitar a presença de ali garantir que se tenha ali um controle sobre a área. E neste aspecto, a acolhida é considerada uma das melhores operações do mundo nessa área da migração”, concluiu.
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