A paralisação dos motoristas e cobradores de Teresina iniciou nesta segunda-feira (18) e já tem causado transtornos à população. Os ônibus ficaram parados das 6h às 8h, comprometendo o deslocamento dos usuários que precisam trabalhar ou ir para a escola. Quem conseguiu pegar um transporte, reclamou da demora e teve pela nova parada, que deve ocorrer no turno da tarde, das 16h às 18h.
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Quem depende do transporte público para trabalhar conta que a paralisação tem causado e acaba gerando mais gastos aos trabalhadores. Dominga da Silva precisou utilizar o serviço na manhã de hoje e relatou o desgaste. “Eu cheguei cedo na parada, com medo do ônibus não passar. Graças a Deus passou, mas não sei como será na volta. Dependendo de como seja, vou ter que pegar um [veículo de] aplicativo. Se fosse só uma vez, mesmo sendo caro, até dava para pegar, mas se acontecer isso todo dia, não vou ter como pagar”, desabafa.
“Não existe transporte público no Piauí. Está assim desde a covid. A zona Norte é a pior para ser atendida, e a tendência é só piorar, não tem o que fazer. Não tem como piorar mais do que já está. O governo não resolve o nosso problema e não coloca ônibus”, disse um usuário.
Outra usuária do transporte completou. “A gente que depende de ônibus para trabalhar, chegamos atrasados no serviço. Os ônibus estão todos quebrados, quebram durante a viagem e a pessoa acaba chegando tarde no trabalho. Se essa greve acontecer, vai ficar ainda mais difícil para a gente vir trabalhar, principalmente para quem precisa de ônibus”, disse.
Essas paralisações irão acontecer ao longo de toda a semana, terão duração de até duas horas e sempre ocorrerão em horário de pico - das 6h às 8h e das 16h às 18h.. Já a greve geral está agendada para começar na próxima segunda-feira (25).
Reivindicações dos motoristas e cobradores
Os profissionais reivindicam, dentre outros pontos, a recuperação de perdas trabalhistas ocorridas nos últimos anos como retirada do tíquete alimentação, mudanças no plano de saúde e redução de salários. Antônio Cardoso, presidente do Sintetro, a entidade representante da classe, explica que este ano os trabalhadores pediram 2% de aumento salarial e reajuste de R$ 300 no tíquete alimentação.
No entanto, a contraproposta apresentada pelo sindicato patronal, o Setut, foi recusada pelos trabalhadores. Entre os pontos ofertados estão um reajuste linear de 3% que faria o plano de saúde, hoje no valor de R$ 125, subir para R$ 128, além de um aumento de R$ 39 no tíquete alimentação. “É um absurdo. O valor não dá nem para pensar em fazer compras”, disparou Antônio Cardoso.
Além das questões salariais, os motoristas e cobradores também reivindicam melhores condições de trabalho com a renovação da frota de ônibus da capital.
A Strans informou que tem acompanhado as discussões relacionadas ao possível movimento grevista no transporte público de Teresina. Em nota, o órgão acrescentou que está “se antecipando aos fatos” e iniciando o cadastramento de transportes alternativos. “Caso a greve venha a ser confirmada, o município está preparado para garantir atendimento à população e minimizar os impactos à mobilidade urbana”, disse.
Nota Setut
O Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos de Passageiros de Teresina (SETUT) esclarece que o estado de greve, anunciado pela categoria laboral para esta segunda-feira (18), é um momento de negociação entre as partes e não resulta na paralisação integral da frota de ônibus da capital, que seguirá com circulação normalizada ao longo do dia.
O SETUT reitera que segue aberto ao diálogo e às negociações construtivas, dentro dos parâmetros aceitáveis para o sistema de transporte público em Teresina, que possui arrecadação e produtividade comprometidas pelo congelamento das tarifas desde 2018 e pela queda acentuada na quantidade de passageiros transportados, com maior incidência após a pandemia da Covid-19.
As reivindicações do sindicato laboral destoam sobremaneira da realidade, com índices de reajuste que giram em torno de 46% para o ticket-alimentação e de 36% para o plano de saúde, enquanto os percentuais comuns de reajustes salariais giram em torno de 3% a 4% ao ano.
Já para a correção salarial, foi solicitado um índice três ou quatro vezes superior aos percentuais atuais, com pedido de reajuste de 12%, enquanto o índice anual varia entre 3% e 4%.
Por fim, o SETUT segue em constantes tratativas junto aos órgãos públicos, apresentando propostas para a otimização do sistema de transporte público, com destaque e urgência para a renovação da frota e a ampliação da quantidade de veículos em operação e circulação.
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