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TRE-PI nega habeas corpus de namorado de Tatiana Medeiros e mantém provas do caso

Decisão foi unânime e seguiu entendimento do Ministério Público sobre validade dos relatórios do Coaf.

17/03/2026 às 16h47

O Tribunal Regional Eleitoral do Piauí (TRE-PI) negou, por unanimidade, o pedido de habeas corpus de Alandilson Cardoso Passos, namorado da vereadora Tatiana Medeiros (PSB), durante julgamento realizado nesta terça-feira (17). A Corte decidiu manter a validade das provas questionadas pela defesa, incluindo os Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) do Coaf.

Julgamento do Habeas Corpus foi julgado por videoconferência nesta terça-feira (17) pelo TRE-PI. - (Reprodução) Reprodução
Julgamento do Habeas Corpus foi julgado por videoconferência nesta terça-feira (17) pelo TRE-PI.

"Resolveu o Tribunal por unanimidade e em consonância com o parecer ministerial, conhecer e denegar a ordem de habeas corpus na forma do voto do relator", declarou em decisão Sebastião Ribeiro Martins.

O caso envolve Alandilson, Tatiana Medeiros e mais sete réus, que respondem a processos por organização criminosa, lavagem de dinheiro e outros crimes. Durante a sessão, a defesa voltou a questionar a legalidade dos relatórios do Coaf utilizados na investigação. O advogado Gustavo Mascarenhas sustentou que os documentos seriam irregulares e não poderiam fundamentar o processo.

Alandilson Cardoso Passos segue preso no âmbito do processo que envolve Tatiana Medeiros.  - (Divulgação/Polícia Civil) Divulgação/Polícia Civil
Alandilson Cardoso Passos segue preso no âmbito do processo que envolve Tatiana Medeiros.

"Esses relatórios do RIF são ausentes de qualquer dúvida legal, portanto superadas essa questão, se os relatórios são ilícitos para a investigação criminal que originou esse processo eleitoral, eles também devem ser ilícitos na Justiça Eleitoral", declarou o advogado de defesa Gustavo Mascarenhas.

Em setembro do ano passado, a defesa conseguiu a anulação de provas do inquérito que embasava as prisões, sob a alegação de irregularidades na obtenção dos relatórios financeiros. Na ocasião, audiências de instrução chegaram a ser suspensas. A vereadora Tatiana Medeiros chegou a obter habeas corpus em outubro, mas a decisão foi revertida em segunda instância poucos dias depois, mantendo a prisão.

A vereadora Tatiana Medeiros responde por crimes como lavagem de dinheiro e corrupção eleitoral - (Reprodução) Reprodução
A vereadora Tatiana Medeiros responde por crimes como lavagem de dinheiro e corrupção eleitoral

A defesa argumentou que o tema ainda está em análise no Supremo Tribunal Federal (STF), que discute a constitucionalidade do compartilhamento de RIFs solicitados por órgãos de investigação sem autorização judicial. Segundo os advogados, as provas estariam suspensas até decisão definitiva.

O procurador do Ministério Público Eleitoral, Kelston Lages, rebateu os argumentos e defendeu a manutenção das provas, afirmando que o entendimento já foi consolidado em decisões recentes do Supremo Tribunal Federal e da Justiça.

"O STJ determinou, de todas no sentido de suspender os efeitos das decisões que haviam declarado a ilicitude dos RIFs sobre a mesma compreensão externada pelo TJ-PI de modo que a decisão não deve surtir efeito para ação penal", disse.

No voto, o juiz relator Auderi Martins acompanhou o posicionamento do Ministério Público e destacou que as decisões do STF suspenderam os efeitos de sentenças que declararam a ilegalidade dos relatórios.Com isso, o TRE-PI entendeu que não há impedimento para o uso das provas no processo eleitoral. A Corte acabou mantendo o andamento da ação penal e segue decisões recentes do STF, que apontam para a continuidade das investigações mesmo diante da discussão sobre a legalidade dos RIFs.

Com a decisão desta terça-feira (17), o TRE-PI mantém válidas as provas no processo e nega o pedido da defesa para afastá-las do caso.


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