Adriana Marcos, a tia do bebê que foi alvo de uma tentativa de sequestro na Maternidade Dona Evangelina Rosa (MDER), em Teresina, deverá responder pelos crimes de calúnia, difamação e injúria contra uma enfermeira da unidade. A informação foi confirmada pela delegada Amanda Bezerra, da 7ª Delegacia Seccional de Teresina, responsável pela investigação do caso.
De acordo com ela, a enfermeira, que não teve o nome informado, procurou a polícia após ter a imagem divulgada nas redes sociais pela tia da criança, que passou a atribuir à profissional participação na tentativa de sequestro da recém-nascida. As investigações, no entanto, apontaram que a servidora não teve qualquer envolvimento no crime e, na verdade, tentou intervir ao perceber a movimentação.
“Ela é uma profissional, tentou intervir no momento e acabou tendo sua honra colocada em cheque”, afirmou a Amanda Bezerra. Ela informou que foi instaurado inquérito policial, no qual foram reunidas, segundo ela, “provas robustas” demonstrando que a enfermeira foi vítima de crimes contra a honra. A tia do bebê foi ouvida nesta quarta-feira (16) e, conforme Amanda Bezerra, confirmou ter divulgado as publicações atribuindo participação da servidora no caso.
“A autora do crime de subtração da criança foi investigada, encontra-se presa e não houve participação de terceiros. Essa servidora [enfermeira] tentou intervir em uma situação que ela sequer entendia de fato o que estava acontecendo”, disse a delegada.
Amanda Bezerra acrescentou que a investigação sobre os crimes contra a honra está em fase final e que a tia da criança deverá ser indiciada. “O inquérito vai ser finalizado e remetido à justiça. Possivelmente ainda hoje ela será indiciada, porque existem indícios suficientes de autoria e materialidade dos fatos. A partir daí, caberá ao Ministério Público decidir sobre o prosseguimento do caso”, explicou.
A delegada ressaltou ainda que, em razão da ampla divulgação das acusações nas redes sociais e do fato da vítima ser servidora pública no exercício da função, o caso ultrapassa a competência dos Juizados Especiais e segue para a justiça comum. Amanda Bezerra fez um alerta sobre a responsabilidade na divulgação de informações envolvendo investigações criminais.
“As informações precisam ser divulgadas, mas com responsabilidade, para que não se coloque em xeque a honra e o trabalho de alguém. A gente não pode atribuir a prática de um crime a uma pessoa sem ter certeza. Quando fazemos esse tipo de divulgação, também podemos cometer um crime”, pontuou.