Do clássico ao popular. Do baião às valsas de Tchaikovsky. A Orquestra de Violões de Teresina possui um repertório diversificado e uma preparação técnica que não deixa a desejar aos grandes grupos nacionais. É justamente por esse talento e pela contribuição à formação musical e cultural de gerações de piauienses que a Orquestra de Violões de Teresina foi reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial do Piauí.
A medida foi sancionada por meio da Lei nº 8.973, publicada na edição do dia 1º de junho de 2026 do Diário Oficial do Estado. A nova legislação estabelece que o reconhecimento tem como objetivo destacar a importância da Orquestra de Violões de Teresina como agente de promoção e difusão da cultura musical e do ensino do violão em diferentes espaços, incluindo escolas públicas.
Criada em 2007 pela Fundação Cultural Monsenhor Chaves (FCMC), a Orquestra de Violões de Teresina surgiu a partir de um projeto social e educativo voltado à formação musical de crianças e jovens da rede pública de ensino, idealizado pelo músico Erisvaldo Borges.
A Orquestra teve uma evolução bem marcante ao longo dos anos, saindo de um projeto educativo simples até se tornar uma das referências culturais mais importantes do Piauí. Com o passar dos anos, os alunos foram evoluindo e o projeto começou a ganhar identidade artística.
Com o passar dos anos, muitos alunos se tornaram professores e passaram a integrar o próprio projeto. A orquestra ampliou sua atuação, promovendo eventos como o Festival de Violão de Teresina. Em reconhecimento à sua relevância cultural, o grupo recebeu o título de Patrimônio Cultural Imaterial de Teresina. Agora, o reconhecimento alcança todo o estado com a concessão do título de Patrimônio Cultural Imaterial do Piauí.
Wellington Torres destaca que todos os integrantes da orquestra possuem formação acadêmica na área da música. A maior parte concluiu a licenciatura em Música pela Universidade Federal do Piauí (UFPI). O próprio Wellington é mestrando em Música pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), enquanto outros integrantes possuem mestrado em Educação. Além da atuação na orquestra, muitos músicos desenvolvem carreira artística profissional e possuem trabalhos gravados.
“São músicos que fazem parte da cultura do estado trabalhando artisticamente. Esse é o perfil dos músicos da orquestra. Mas a ideia é que a Orquestra dê aula nas escolas e selecione os melhores alunos para ingressar no grupo e tocar junto com os professores. Nessa inclusão social, muitos alunos se tornaram professores, como Victor Anselmo. Infelizmente, estamos há um ano e oito meses sem atividades por falta de repasses da Prefeitura”, disse.
O repertório da orquestra é bastante diversificado, transitando entre a música clássica, a música regional, baião, frevo e obras de Luiz Gonzaga.
“Temos a preocupação de valorizar a identidade cultural de Teresina. No repertório, incluímos arranjos de obras como Cajuína, além de composições ligadas à cultura local, como as do maestro Aurélio Melo e de José Rodrigues. Fazemos questão de levar essas referências para nossas apresentações. A escolha das músicas também varia de acordo com o evento. Em salas de concerto, como teatros e o Palácio da Música, trabalhamos repertórios clássicos, com arranjos de Tom Jobim e valsas de Tchaikovsky”, explica o diretor musical.
Para Wellington, o reconhecimento da Orquestra de Violões de Teresina como Patrimônio Cultural Imaterial do Piauí vai além de um título simbólico. Trata-se de uma forma de o Estado reconhecer a cultura como parte fundamental da história piauiense.
“Na prática, significa que o Estado do Piauí reconhece que essa orquestra não é apenas um grupo musical, mas uma expressão viva da identidade cultural piauiense. A tradição passa a ser considerada algo que deve ser preservado por meio de políticas públicas. A orquestra é vista como parte da memória coletiva do povo piauiense, não apenas como um projeto artístico. Isso abre portas para editais, financiamento, manutenção das atividades e circulação artística. O reconhecimento pressupõe ações para garantir que essa tradição não desapareça”, enfatiza.
A contribuição da orquestra vai além das apresentações. O grupo atua na formação musical de novos talentos, transmitindo técnicas, repertórios e conhecimentos entre gerações. Ao interpretar obras da música brasileira e nordestina, também contribui para a preservação de repertórios ligados à identidade cultural do Piauí. Além disso, amplia o acesso da população à música instrumental por meio de concertos, oficinas e projetos educativos.
A orquestra também desempenha papel importante na construção do sentimento de pertencimento cultural. Em uma cidade como Teresina, jovens músicos passam a se reconhecer como parte de uma tradição local, fortalecendo os vínculos com a cultura e a história da região.
Outro aspecto relevante é o registro vivo da cultura. Em vez de permanecer apenas em arquivos ou registros escritos, a música continua existindo por meio dos ensaios, apresentações e atividades pedagógicas desenvolvidas pelo grupo.
Wellington ressalta que a preservação de um patrimônio imaterial depende de ações permanentes, como a formação contínua de novos músicos, políticas públicas estáveis, documentação da memória institucional, valorização social da cultura, sustentabilidade dos projetos e diálogo com novas linguagens artísticas.
O reconhecimento como patrimônio imaterial transforma a Orquestra de Violões de Teresina em algo maior que um grupo musical: ela passa a ser uma guardiã da memória cultural do Piauí. Sua continuidade depende de um equilíbrio entre tradição, educação musical e apoio institucional constante
Orquestra de Violões de Teresina
Criada em 2007 pela Fundação Cultural Monsenhor Chaves (FMC), a Orquestra de Violões de Teresina surgiu a partir do projeto “Violão nas Escolas”, iniciativa voltada à democratização do acesso à música e à formação de novos instrumentistas. Ao longo de quase duas décadas de atividades, o grupo se consolidou como uma das principais referências da música instrumental no estado.
O reconhecimento como Patrimônio Cultural Imaterial representa a valorização de uma manifestação cultural que ultrapassa as apresentações artísticas. Além dos concertos realizados em eventos culturais e espaços públicos, a orquestra desenvolve ações educativas voltadas à formação musical de crianças, adolescentes e jovens.
Entre as atividades realizadas estão oficinas, workshops e ações pedagógicas em escolas e instituições. As iniciativas têm como objetivo estimular o interesse pela música, promover o aprendizado do instrumento e ampliar o acesso à formação cultural.
Com a sanção da lei, a Orquestra de Violões de Teresina passa a integrar oficialmente o conjunto de bens reconhecidos como patrimônio cultural imaterial do estado. O reconhecimento reforça a relevância histórica, artística e educacional do grupo, que há 19 anos atua na difusão da música e na formação de novos talentos no Piauí.