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”Não existe nada de graça, alguém está pagando”, diz Sílvio Mendes sobre gratuidades no transporte

Segundo ele, embora determinados passageiros não paguem diretamente a tarifa, o custo dessas viagens continua sendo absorvido pelo sistema e pelo poder público.

15/09/2026 às 12h54

O prefeito de Teresina, Sílvio Mendes (União Brasil), voltou a criticar o modelo de gratuidades no transporte público da capital e defendeu uma discussão sobre critérios socioeconômicos para concessão do benefício. Segundo ele, embora determinados passageiros não paguem diretamente a tarifa, o custo dessas viagens continua sendo absorvido pelo sistema e pelo poder público.

Silvio Mendes, prefeito de Teresina - (Assis Fernandes / O DIA) Assis Fernandes / O DIA
Silvio Mendes, prefeito de Teresina

“Algumas profissões, como militares, oficiais de Justiça, também andam de graça. E não é de graça, alguém está pagando. Não existe nada de graça, principalmente com um sistema que é usado pela maioria da população mais pobre da cidade”, disse o prefeito durante anúncio da licitação para novos ônibus em Teresina nessa segunda-feira (14).

O gestor Executivo municipal disse que a Prefeitura já banca mais de 60% de todo o sistema de transporte coletivo de Teresina por meio de subsídios e outros aportes. Para ele, esse nível de participação do poder público permitiria até discutir, em tese, um modelo de maior gratuidade, embora tenha ressaltado que o município enfrenta limitações financeiras.

“A Prefeitura de Teresina banca mais de 60% de todo o sistema de transporte coletivo de Teresina, é pago pela Prefeitura. Então, em tese, a gente podia discutir um transporte gratuito, porque está bem pertinho de fazer isso. A Prefeitura tem dinheiro? Tem não. Dinheiro para mim é uma ferramenta para fazer o que precisa”, declarou.

Ao comentar as causas da perda de sustentabilidade do transporte coletivo ao longo dos anos, o prefeito colocou as gratuidades entre os fatores que, na avaliação dele, contribuíram para o enfraquecimento do sistema. Mendes afirmou ainda que não concorda com a concessão automática do benefício apenas em razão da idade, defendendo que a condição econômica também seja considerada.

“O sistema foi aos poucos minguando. Por várias razões. Primeiro, a gratuidade. Eu não acho que seja correto uma pessoa idosa, pelo fato de ser idosa, ter gratuidade em andar. Eu posso discutir a questão social dela, econômica, está certo? Mas a lei não faz distinção”, disse.

Apesar das críticas, Sílvio Mendes não anunciou qualquer mudança imediata nas regras atuais. Eventuais alterações dependeriam da legislação aplicável a cada modalidade de gratuidade.

As declarações ocorrem em meio às discussões da Prefeitura sobre a reorganização do transporte coletivo de Teresina, que incluem negociação com as empresas do setor, renovação da frota e análise de alternativas para ampliar a eficiência do sistema.