Imagine precisar levar garrafões de água todos os dias para o trabalho e enchê-los para conseguir ter o que beber em casa. Torneiras que não saem uma gota de água há mais de mês. Famílias inteiras não saberem mais o que é tomar banho em um chuveiro. A regrar a quantidade de água que cada um pode beber para que não falte aos demais. Essa tem sido a realidade dos moradores do bairro Samapi, zona Leste de Teresina, que enfrentam desafios diariamente para realizarem as atividades básicas, como tomar banho, fazer comida, beber água e lavar roupas.
Na casa de Breno Natanael e de Antônio Neto, localizada na Rua Porto Rico, moram sete pessoas, sendo duas crianças. A família conta que está há mais de 30 dias sem ver uma gota de água sair das torneiras. Eles residem de aluguel neste imóvel há um ano e já planejam se mudar devido à falta de água constante.
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Breno, que trabalha no bairro Dirceu, zona Sudeste de Teresina, conta que leva, diariamente, diversos garrafões para enchê-los e trazê-los para casa. “Eu encho várias garrafas no trabalho para fazer para casa. As garrafas maiores são para lavar louça e fazer comida e as menores, de refrigerante, para beber. Tem sido assim todos os dias”, conta.
A manobra não é somente cansativa, como tem pesado no bolso de Breno. Antes, ele costumava gastar R$ 300 em transporte por aplicativo, na modalidade motocicleta. Agora, para levar e trazer os garrafões com água, passou a utilizar aplicativo na modalidade carro, fazendo com que o custo mensal estimado das corridas passasse a ser de R$ 660, ou seja, um aumento de 220%.
Além disso, a família precisou se juntar e comprar uma caixa d’água, acrescendo um novo gasto. Ainda assim, o reservatório é insuficiente para atender a demanda dos sete moradores, que recorrem à torneira mais próxima, localizada em um campo de futebol a algumas quadras da residência.
“Pela manhã, por volta das 5h, tem uma fila enorme de pessoas esperando para encher os baldes, e no final do dia também. É assim que a gente tem conseguido ter água em casa. Ainda bem que ontem passou um carro-pipa e conseguimos encher a caixa d’água. Foi o que usamos para lavar a louça, que estava muito suja. E mesmo sem água há um mês, a conta chegou na nossa casa, de R$ 150”, comenta.
Antônio Neto explica que o problema de falta de água na região não é recente e que a família tem cogitado mudar-se do imóvel. Ele também citou que diversos moradores já reclamaram da situação, mas o problema nunca foi solucionado.
“Há um mês a Águas de Teresina começou a fazer buracos nas ruas aqui perto, colocando umas encanações. Até achamos que era algo para resolver esse problema, mas continua do mesmo jeito. Aqui sempre faltou água. Quando dava 23h, a água acabava e só voltava às 8h do dia seguinte, mas pelo menos tinha. Agora não tem mais de jeito nenhum”, acrescentou Neto.
A situação se repete na Rua Portugal, também no bairro Samapi. A dona de casa Fátima Costa precisou comprar uma caixa d’água de 1000 litros para conseguir atender à demanda da família. No imóvel moram, ao todo, seis pessoas, incluindo uma criança. Devido à falta de água, as tarefas de casa precisaram ser organizadas por prioridades.
“Cada um só pode usar um galão de 20 litros de água por dia. Essa água é para beber, tomar banho, usar o banheiro. A caixa d’água só dura cinco dias, e nós já ficamos mais de 15 dias sem água. Então, temos que escolher as prioridades: ou bebe ou toma banho; ou cozinha ou lava roupa”, explica.
A torneira está sempre aberta, mas nenhuma gota de água cai há semanas. Um dos tambores segue vazio. A família não teve tempo de enchê-lo na última vez que teve água. Há uns dias, um vizinho contratou o serviço de um carro-pipa e cedeu uma parte da água para os demais moradores, que conseguiram encher algumas vasilhas e levar para suas casas. Dona Fátima aproveitou essa oportunidade para encher o máximo de vasilhames possíveis.
“Estamos nos virando como dá. A roupa está acumulada, pois temos priorizado beber e tomar banho. Se não fosse essa caixa, não teríamos nada de água. Eu não tenho mais idade nem saúde, mas, quem consegue, vai buscar água no campinho de futebol. Tem muita gente aqui no bairro que está querendo vender suas casas por causa da falta de água. Eu mesma quero colocar a minha à venda”, acrescenta.
O problema da falta de água no bairro é antigo. Dona Fátima Costa mora na região desde 2004 e conta que a situação tem se agravado ao longo dos anos. Com a chegada do B-R-O-Bró, ela clama para que o problema seja resolvido o quanto antes.
“A gente fica dependendo de pegar água em outros lugares ou de comprar. Temos comprado água para beber, pagando R$ 12 o galão, que só dura três dias, e racionando. Mas a conta de água chega, mesmo sem ter água”, conclui.
Por meio de nota, a Águas de Teresina informou que iniciou a extensão da rede de abastecimento para comtemplar as famílias atingidas e que carros-pipas estão sendo utilizados para atender a região.
A Águas de Teresina informa que iniciou, ainda em agosto, uma série de melhorias no sistema de abastecimento da região do Samapi. As ações incluem a extensão de 500 metros de rede, a setorização e a interligação de trechos da rede de abastecimento.
As intervenções têm como objetivo melhorar a distribuição de água e aumentar a regularidade do abastecimento na região. As equipes seguem mobilizadas e acompanhando o sistema para concluir as melhorias e garantir a completa normalização do abastecimento. Como medida de contingência para minimizar os impactos à população durante esse período, carros-pipa estão sendo disponibilizados para atendimento da região.
A Águas de Teresina permanece à disposição dos moradores pelos canais oficiais de atendimento. As solicitações podem ser feitas pelo 0800 223 2000, por ligação ou WhatsApp, disponível 24 horas por dia, além do Águas App.