Mesmo após ser condenada pela Justiça Eleitoral a 19 anos, 10 meses e 7 dias de prisão em regime de reclusão, além de 492 dias-multa, a vereadora afastada Tatiana Medeiros (PSB) seguirá em prisão domiciliar. É que de acordo com a defesa, a parlamentar só poderá cumprir pena em regime fechado após o trânsito em julgado do processo — isto é, quando não houver mais possibilidade de recurso nas instâncias superiores.
Quem explica é advogado eleitoral da parlamentar afastada, Edson Araújo. “A Tatiana somente iria para o regime fechado se a sentença transitar em julgado, ou seja, vai para o TRE, depois TSE e por último para o STF. Somente depois disso ela seria presa. A prisão dela é cautelar apenas”, detalhou o advogado eleitoral.
Dessa forma, Tatiana permanecerá em prisão domiciliar enquanto o processo segue em tramitação, o que pode durar anos, a depender do ritmo do Judiciário. Além disso, a vereadora continuará recebendo salários da Câmara Municipal de Teresina (CMT) até que haja decisão definitiva. Desde que foi presa, em 3 de abril de 2025, ela já recebeu 13 salários, além do décimo terceiro, totalizando R$ 346.567,06, mesmo afastada das funções e em prisão domiciliar.
Os dados foram obtidos por meio do Portal da Transparência da Casa Legislativa. Atualmente, os vereadores de Teresina recebem mensalmente R$ 24.754,79. Como não há previsão para o fim do processo, também não é possível estimar quanto a parlamentar ainda poderá receber.
A sentença
A decisão da Justiça Eleitoral concluiu que Tatiana Medeiros liderou uma organização criminosa voltada à captação ilícita de votos durante as eleições municipais de 2024. Segundo a sentença, o esquema utilizava o Instituto Vamos Juntos como fachada para o cadastramento irregular de eleitores, aliciamento e controle de votos.
Entre as práticas identificadas estão transferências via Pix, promessas de emprego e distribuição de cestas básicas em troca de apoio político. A juíza responsável pelo caso apontou ainda uma grave irregularidade financeira na ONG, que registrou crescimento de 1.180,39% na emissão de notas fiscais durante o ano eleitoral. Dos R$ 411.753,71 que passaram pelas contas da entidade entre 2023 e 2024, apenas R$ 71.115,03 tinham comprovação fiscal.
Durante as investigações, foram apreendidos documentos com dados de eleitores, anotações sobre quantidade de votos e chaves Pix, tanto na sede da organização quanto na residência da mãe da vereadora. A decisão também afirma que Tatiana exercia o comando do esquema, coordenando uma rede com divisão de tarefas. As transferências financeiras eram realizadas mediante autorização da parlamentar, com base em listas de eleitores elaboradas com a participação de outros envolvidos.
Ela foi condenada por 95 vezes pelo crime de corrupção eleitoral, em continuidade delitiva.
Além da vereadora, outros oito réus foram julgados no processo. Apenas um foi absolvido. Entre os condenados estão o namorado de Tatiana, Alandilson Passos, sua mãe, Maria Odélia, sua irmã, Bianca Medeiros, e seu padrasto, Stênio Ferreira.
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