O Bloco Dedim do Paçoca, do bairro Saci, na zona sul de Teresina, tem mais de 40 anos de história no Carnaval de rua da capital. Liderado por Messias Júnior, o grupo mantém um memorial no endereço do antigo Boteco do Dedim e articula, junto a outras agremiações, a volta dos desfiles das escolas de samba em 2027.
O bloco surgiu na década de 1980, de brincadeiras entre amigos e vizinhos. Em 1994, Messias, então universitário, deu forma institucional à agremiação e organizou sua estrutura.
Com a organização formalizada, o bloco passou a integrar a agenda carnavalesca de Teresina. Messias relata o percurso: "Depois da fundação, nós conseguimos registrar o bloco, participar de todos os eventos carnavalescos da cidade de Teresina até os dias atuais, mesmo na pandemia, e fomos reconhecidos como utilidade pública pela Câmara Municipal de Teresina."
O memorial funciona na Rua Doze, 411, endereço onde nasceu, em 1981, o Boteco do Dedim. O espaço não opera mais como bar diário e abre de forma sazonal, em eventos. No acervo estão fantasias, alegorias, adereços, livros e documentos que ajudam a reconstituir as últimas quatro décadas da folia na cidade.
LEIA TAMBÉM
A criação do memorial atendeu a um pedido do pai de Messias, morto há dez anos. "Meu pai faleceu há 10 anos. Ele chegou para mim e disse assim: 'Meu filho, quando eu fizer minha passagem, toma de conta do bar, segura o boteco'. Foi aí que eu tive a ideia de trazer o bloco do Paçoca para cá e fazer o memorial, preservar o boteco do Dedim."
Para Messias, o espaço tem função pedagógica, apresentar aos jovens o Carnaval como manifestação cultural e social, ligada à "identidade do povo brasileiro". O memorial se apoia em três frentes, como preservar a imagem de Dedim, manter o boteco como ponto de encontro do Saci e conservar a história do bloco dentro do Carnaval de Teresina.
A próxima meta é a retomada dos desfiles das escolas de samba da capital. Messias articula uma rede entre as agremiações e planeja reunir Caprichosa do Pirajá, Brasa Samba e Patrão da Beca, além de convidar integrantes de entidades tradicionais, como Esquindô, Ziriguidum e Sambão. Se o formato tradicional não for viável de imediato, a proposta é unir as escolas em alas, para ocupar a avenida, atrair empresários e aprovar leis de incentivo para o desfile no dia 6 de fevereiro de 2027.
“Nós temos dois projetos de escola de samba hoje em funcionamento, que é a Caprichosa do Pirajá e a Brasa Samba, e estamos indo para o terceiro, que é no dia 10, o Patrão da Beca. Nós queremos juntar as três, convidar a Esquindô, Ziriguidum, Sambão, se não der para fazer duas escolas desfilando, junta todas elas, faz um desfile delas em alas. A população ganha, a população vai atrás, os empresários vão querer investir, o poder público, a gente aprova a lei, aí nós vamos, sim, voltar o carnaval de escola de samba."