A presidente da Fundação Municipal de Saúde (FMS) de Teresina, Leopoldina Cipriano, reconheceu a precariedade estrutural de unidades básicas de saúde (UBSs) da capital e detalhou as medidas adotadas pela gestão para reverter o cenário. As declarações foram dadas ao PortalODia.com nesta segunda-feira (4), durante audiência pública na Câmara Municipal para tratar sobre a problemática no setor.
Segundo a gestora, a atual administração encontrou 91 UBSs sem condições adequadas de funcionamento. Ela atribuiu o problema ao período pós-pandemia e a dificuldades na execução de contratos firmados anteriormente.
“Foram mais de 360 ordens de serviço dadas para a primeira empresa que estava licitada. Ela não cumpriu, nós tiramos a empresa, punimos a empresa e fizemos uma nova adesão, um pregão que o Estado tinha para a gente poder utilizar essa empresa. A empresa estava funcionando enquanto a gente finalizava uma licitação nossa. Esse mês a SEMA finalizou a licitação, nós já temos uma empresa licitada da Fundação Municipal de Saúde, o contrato foi finalizado na semana passada, então nós tivemos duas empresas com desafios de ofertar o serviço por isso nós fizemos nossa própria licitação e daqui para frente nós temos garantido”, explicou.
De acordo com Leopoldina, uma nova empresa já foi contratada após processo licitatório finalizado recentemente, o que deve garantir maior regularidade nas obras de manutenção. Além disso, a FMS conta com cerca de R$ 15 milhões em emendas parlamentares para investir na recuperação das unidades. A gestora destacou que, mesmo diante das dificuldades, a fundação realizou intervenções consideradas prioritárias, como a recuperação de telhados, reforma de mais de 45 consultórios odontológicos e reativação de 11 salas de vacinação.
“No período chuvoso era uma das prioridades que a gente tinha, evitar situações mais complexas por causa do telhado com complicação. Mas mesmo diante de todos os desafios, nós reformamos mais de 45 consultórios odontológicos, nós recuperamos 11 salas de vacina. Então, o que era prioridade para a gente? Eram as salas de vacina e os consultórios odontológicos que estavam fechados. Isso a gente foi fazendo o tempo todo sem parar. Então, a gente tem buscado recuperar agora que nós temos R$ 15 milhões de emenda parlamentar e nós temos uma empresa licitada pela Fundação Municipal de Saúde, nós vamos dar andamento nas obras”, disse.
Falta de insumos
Na oportunidade, a presidente também admitiu que ainda há falta de insumos em algumas unidades, mas afirmou que medidas emergenciais foram adotadas. Entre elas, um processo de compra emergencial de R$ 10 milhões e a implementação de um sistema de credenciamento para fornecedores, que deve agilizar o abastecimento.
“Ainda falta seria mentiroso se eu dissesse aqui para vocês que não falta insumo, pois ainda falta alguns medicamentos mas a gente tem buscado honrar com compromisso e buscar dentro do nosso processo de trabalho agilizar para melhorar esses processos tudo dentro da legalidade, o emergencial foi feito de R$ 10 milhões, agora o credenciamento para quê? Para sanar de vez os problemas de Teresina”, relatou.
Sobre prazos, a gestora avaliou que a regularização dos processos de compra deve ocorrer em até um ano, enquanto a recuperação estrutural das unidades demandará mais tempo.
“Estamos priorizando as unidades em situação mais crítica, mas todas estão passando por algum tipo de melhoria”, afirmou.
Redução de recursos via Ministério da Saúde
Outro ponto destacado foi a redução de recursos federais para a saúde da capital. Segundo Leopoldina, o Ministério da Saúde não destinou novos incrementos ao município em 2026, mesmo após Teresina perder cerca de R$ 82 milhões com a transferência da gestão hospitalar para o Estado. Ela defendeu maior reconhecimento do papel da capital no atendimento regional.
“Nós tivemos uma redução no valor do teto macro para Teresina e a gente precisa recuperar. E o que eu estou dizendo é o seguinte: o Ministério da Saúde precisa reconhecer que Teresina faz muito pelo Piauí, faz muito pelo Maranhão e a gente precisa de incremento. E o Ministério não repassou ainda nenhum centavo de incremento macro para Teresina. O que eu acho injusto é isso. Nós executamos, nós atendemos 224 municípios do Piauí, mais o Maranhão e o Ministério da Saúde precisa reconhecer que Teresina precisa de incremento e não de subtração do que a gente já tinha”, finalizou.
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