Para muitos tutores, cães e gatos são mais do que animais domésticos, são considerados membros da família. E quando um deles morre, além da dor pela perda, surge uma dúvida: o que fazer com o corpo do animal? Enterrar no quintal de casa? Descartar junto ao lixo doméstico? Deixar em um terreno baldio?
Em Teresina, existem formas corretas para a destinação de cães e gatos mortos. De acordo com o médico-veterinário Marlon Castelo Branco, do Centro de Zoonoses de Teresina, o tutor tem três alternativas: procurar um cemitério próprio para animais, contratar uma empresa especializada para a incineração ou solicitar o recolhimento pela Gerência de Zoonoses, serviço realizado gratuitamente.
O recolhimento pode ser solicitado pelo tutor assim que o animal morrer. Marlon explica que a equipe procura realizar o atendimento de forma imediata e orienta como o corpo deve ser mantido enquanto aguarda a chegada dos profissionais.
“O recolhimento é feito de forma imediata. Geralmente, quando o animal entra em óbito, o proprietário liga para a gerência de zoonoses e imediatamente nos deslocamos até a residência daquele proprietário e providenciamos o recolhimento desse animal de forma gratuita. O que a gente orienta é que esse animal fique em um local arejado, na sombra, e que o proprietário ligue assim que ele entrar em óbito, para que ele não entre em processo de decomposição”, explica.
Após o recolhimento, os animais são encaminhados para uma empresa especializada, responsável pela incineração. De acordo com o veterinário, não é possível que o tutor receba as cinzas do animal, já que a empresa responsável também realiza a incineração de outros resíduos.
“Não é possível porque a empresa recolhe uma quantidade grande desses animais. E uma empresa que não recolhe somente os animais, ela recolhe todos os resíduos sólidos da rede de saúde do município de Teresina. E todos esses resíduos são incinerados”, destaca.
Descarte irregular pode trazer riscos ao meio ambiente
O médico-veterinário Marlon Castelo Branco alerta que descartar o corpo de um animal no lixo comum ou enterrá-lo por conta própria pode provocar impactos ambientais e representar riscos à saúde pública. A preocupação é ainda maior quando não se sabe a causa da morte do animal.
“É importante esclarecer que essa destinação dos animais está baseada no Código Sanitário do município de Teresina, justamente para evitar esses problemas. Então, não se pode descartar qualquer animal morto no lixo comum ou enterrar por conta própria, pois você vai estar contaminando o meio ambiente. Se você enterrar no quintal de casa, por exemplo, ou em um sítio, vai provocar a contaminação do lençol freático, assim como também a contaminação do solo, principalmente quando você não sabe a causa que aquele animal morreu, então fica ainda mais vulnerável à contaminação”, alertou o profissional.
O descarte no lixo doméstico também é proibido e pode resultar em multa prevista no Código Sanitário Municipal. Segundo o veterinário, além dos impactos ambientais, o material pode atrair insetos e outros animais e aumentar o risco de transmissão de doenças.
“O descarte em lixo comum não é a melhor forma. Inclusive, é proibido e pode gerar multa às pessoas que fizerem isso, pois vai atrair moscas, baratas, vai atrair outros animais que se alimentam desses animais mortos e ainda com o risco de contaminar a população”, enfatiza.
Cemitérios destinados ao enterro de animais
Segundo Marlon Castelo Branco, para os tutores que desejam enterrar seus animais domésticos, Teresina possui três cemitérios destinados ao enterro de cães e gatos. Um deles fica dentro da Universidade Federal do Piauí (UFPI), no Centro de Ciências Agrárias, e os outros dois são particulares.
Tramita na Assembleia Legislativa do Piauí (Alepi) um projeto de lei que propõe autorizar o sepultamento de cães e gatos junto aos seus tutores. Segundo o autor da proposta, Henrique Pires, a iniciativa não geraria despesa pública e não interferiria na organização administrativa do município. Se aprovado, o Piauí não seria o primeiro estado brasileiro a permitir essa prática, que já acontece em São Paulo, após lei aprovada em fevereiro deste ano.
Para o médico-veterinário Marlon Castelo Branco, atualmente não há legislação municipal regulamentando esse tipo de sepultamento em Teresina, mas a prática poderia ser adotada caso haja autorização legal e o procedimento seja realizado em local adequado.
“Em Teresina ainda não tem legislação que regulamente isso, mas é sim um tratamento alternativo e pode ser feito desde que seja em local adequado, que no caso é o cemitério. Se a legislação permitir, tiver leis, eu acho que isso é possível sim, de que o tutor possa ser enterrado com o seu próprio animal, desde que seja em ambiente adequado, que no caso seja o cemitério”, aponta.
Mais de 80 animais mortos são recolhidos por mês no Zoonoses
A Gerência de Zoonoses recebe uma demanda frequente de tutores que procuram o serviço para dar a destinação correta aos animais mortos. Segundo Marlon Castelo Branco, são, em média, três solicitações por dia.
“Por dia a gente tem uma média de três solicitações. A Gerência de Zoonoses funciona de domingo a domingo, então isso daria em torno de 21 solicitações por semana. Por mês, dá mais ou menos 80 animais mortos que a gente recolhe”, destaca.
O número, no entanto, não representa necessariamente a quantidade total de animais mortos que recebem destinação irregular na cidade. O veterinário acredita que existe subnotificação, já que ainda são registrados casos de descarte no lixo comum e de animais enterrados de maneira inadequada.
“Mas isso é pouco, porque existe a subnotificação e os descartes irregulares, com tutores que enterram seus animais em cemitérios, ou então pessoas que ainda fazem de forma errada, enterrando na própria casa ou no sítio”, aponta.
Caso o animal de estimação da família morra, a orientação é de que os tutores procurem a Gerência de Zoonoses e solicitem, através do telefone (86) 99441-3119, o recolhimento a destinação correta do corpo do animal.