Nesta quinta-feira (5), os ministros Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência da República, e Wellington Dias, do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, participaram da primeira edição do “Debate na Rua”, realizada na Praça Rio Branco, no centro de Teresina.
A iniciativa teve como objetivo estabelecer um diálogo direto com a população sobre temas de interesse nacional. Durante o encontro, os ministros conversaram com moradores e trabalhadores da capital piauiense sobre a proposta do Governo do Brasil de acabar com a escala de trabalho 6x1, com redução da jornada e sem diminuição de salários.
Ao longo da atividade, os ministros responderam perguntas do público, esclareceram dúvidas e ouviram opiniões dos participantes sobre a proposta. A ação buscou aproximar o debate sobre políticas públicas do cotidiano da população, levando a discussão para um espaço aberto e acessível no centro da cidade.
Proposta prevê redução da jornada sem corte de salários
"Fim da escala 6x1 é uma questão de humanidade", diz Boulos
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, concedeu entrevista exclusiva ao Sistema O Dia em que comentou a proposta do fim da escala 6x1. Para ele, discutir o assunto é uma questão de humanidade para com o trabalhador.
“Estamos falando de pessoas. Imagine uma mulher que trabalha como garçonete num restaurante. Os restaurantes, no fim de semana, é onde tem maior movimento. Quando ela está na escala 6x1, o dia de descanso dela vai ser na segunda, quando os filhos estão na escola, o marido está trabalhando. A pessoa não tem vida. Não tem tempo para a família”, disparou Boulos.
O ministro criticou a postura de parte do empresariado brasileiro, que, segundo ele, tenta “vender o terror” quando fala do fim da escala 6x1. Para Guilherme Boulos, quem discorda da proposta é contra os direitos dos trabalhadores e quer dificultar o debate.
“Toda vez que se discute um direito trabalhista no Brasil, eles vendem o terror como se ‘ah, vai acabar, não vai dar conta, não vai fechar a conta no fim do mês’. Um grande empresário vir dizer que não vai dar conta de acabar com uma escala como essa? Não é verdade”, finaliza.
O Brasil está pronto para acabar com a escala 6 X 1?
A proposta do governo federal prevê a redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas, sem qualquer redução salarial. Segundo informações divulgadas em publicação nas redes sociais, a mudança afetaria apenas a organização da escala de trabalho.
A mensagem apresentada na postagem destacou que “o Brasil está pronto para acabar com a escala 6x1” e convidou os usuários a conhecer mais detalhes sobre o funcionamento da proposta.
Outro ponto abordado foi a organização dos dias de folga. De acordo com a publicação, o formato das escalas poderá variar conforme o setor econômico e deverá ser definido por meio de negociações entre empresas e sindicatos.
A comunicação também buscou rebater a ideia de que a mudança poderia prejudicar a produtividade. O argumento apresentado foi o de que trabalhadores mais descansados tendem a cometer menos erros, registrar menos afastamentos médicos e apresentar melhor desempenho.
Exemplos internacionais e estudos no Brasil
Em entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, Guilherme Boulos afirmou que experiências internacionais demonstram que a redução da jornada não provoca queda na produtividade. Ele citou o caso da Islândia, que em 2023 adotou jornadas semanais de 35 horas, com modelo 4x3. Segundo o ministro, a economia do país cresceu 5% e a produtividade do trabalho aumentou 1,5%.
Boulos também mencionou os Estados Unidos, onde teria ocorrido uma redução média de 35 minutos na jornada diária de trabalho nos últimos três anos, acompanhada de aumento médio de 2% na produtividade.
Outro exemplo citado foi o da Microsoft no Japão, onde a adoção de uma jornada 4x3 teria elevado em 40% a produtividade individual dos trabalhadores. O ministro também destacou resultados de experiências no Brasil. De acordo com ele, um estudo da Fundação Getulio Vargas realizado em 2024 com 19 empresas que reduziram a jornada de trabalho apontou aumento de receita em 72% das companhias analisadas e melhora no cumprimento de prazos em 44% delas.
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