Dois grupos empresariais com atuação no comércio do Piauí já implementaram, ao menos parcialmente, a jornada de trabalho no modelo 5x2, segundo o Sindicato dos Comerciários de Teresina (Sindcom). A informação foi confirmada pelo secretário-geral da entidade, Marcelino Moura, em entrevista sobre os impactos da possível redução da escala 6x1 no estado.
De acordo com ele, a mudança já ocorre em unidades das Drogarias Globo e em setores do grupo Carvalho Super. No caso das farmácias, a adoção do novo modelo teria começado recentemente, com previsão de ampliação gradual. “A Drogaria Globo está com uma jornada de 5 por 2. Ainda não é 40 horas semanais, mas já trabalha cinco dias e folga dois”, afirmou.
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Moura explicou que, em alguns casos, a jornada ainda permanece em 44 horas semanais, distribuídas em cinco dias, como forma de teste. Ele acrescentou que há experiências semelhantes em outras empresas locais, embora sem divulgação ampla.
A discussão sobre a escala 6x1, comum no comércio, tem ganhado força em âmbito nacional, com propostas que defendem a redução da jornada semanal e ampliação dos dias de descanso. Representantes dos trabalhadores avaliam que a mudança pode impactar positivamente a qualidade de vida e gerar novas vagas.
Segundo o dirigente sindical, não há estudos locais consolidados que apontem os efeitos econômicos da mudança. “Nós não temos nenhuma pesquisa. E eu desafio o setor patronal também a apresentar dados concretos sobre esses impactos”, disse.
O gestor rebate argumentos de que a redução da jornada elevaria custos de forma insustentável. “Quando falam em aumento de 25% na folha, isso significa também mais contratações. Para nós, isso é geração de emprego”, afirmou.
O sindicato também associa o modelo atual a impactos na saúde dos trabalhadores, especialmente na área mental. Moura citou a alta demanda por atendimento psicológico entre comerciários. “A fila de espera para psicólogo e psiquiatra chega a 30 ou 40 pessoas”, relatou.
Do lado empresarial, o Sindicato dos Lojistas do Comércio do Estado do Piauí (Sindilojas) informou que ainda não há posicionamento fechado sobre o tema e que a discussão deve avançar nos próximos meses. Outras entidades, como associações de bares, restaurantes e da construção civil, não se manifestaram até o momento.
No Congresso Nacional, propostas relacionadas à redução da jornada de trabalho ainda estão em fase inicial de debate e não há um projeto aprovado que altere a legislação vigente. A Consolidação das Leis do Trabalho atualmente permite jornadas de até 44 horas semanais, geralmente distribuídas em seis dias com uma folga.
Enquanto o tema segue em discussão, mudanças pontuais em empresas indicam que o modelo 5x2 começa a ser testado no setor, ainda sem adoção ampla ou padronização.
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