O que era para ser só mais um dia comum de retorno às aulas se transformou em dor de cabeça e preocupação para os pais de uma aluna da Escola Municipal Altina Castelo Branco, no bairro Itararé, zona Sudeste de Teresina. Ana Clara e Tiago Lima, pais de uma criança de sete anos, procuraram o PortalO Dia.com para denunciar que a filha foi deixada na calçada da escola, sozinha, pela diretora da instituição. Isso, porque ela teria chegado antes do horário de abertura dos portões e não poderia esperar do lado de dentro da escola.
Com exclusividade, os pais da menina relataram que ela ficou na calçada da rua sem o acompanhamento de um adulto e em situação de vulnerabilidade, até que os responsáveis pelos demais alunos começaram a chegar e os portões da escola abriram. O fato aconteceu nesta quinta-feira (05).
Tiago contou que por volta das 6h30 deixou a filha na Escola Municipal Altina Castelo Branco aos cuidados de uma funcionária. Cerca de uma hora depois, a mesma funcionária entrou em contato com Ana Clara informando que a diretora havia determinado que a criança fosse retirada da escola e ficasse sob os cuidados de uma outra mãe que estava no local.
Mas para surpresa do casal, quando foram pegar a filha na escola, por volta das 11h30, ela relatou que ficou sozinha na calçada, sem nenhum adulto por perto, até que o colégio abrisse. A situação causou revolta em Ana Clara e Tiago. Os dois registraram um Boletim de Ocorrência e o caso será investigado pela Polícia Civil.
“Em momento nenhum eu fui comunicado. Eu, que sou o pai da criança, só soube depois que a diretora ordenou que ela fosse retirada das dependências internas da escola e ficasse do lado de fora sem nenhum acompanhamento. Não fui nem comunicado de imediato para poder tomar alguma medida. Isso é uma irresponsabilidade. Minha filha ficou no meio da rua, em vulnerabilidade, sem acompanhamento de responsável algum e sem comunicarem aos pais”, desabafa Tiago.
A criança também relatou o ocorrido. Em um vídeo enviado à reportagem, a menina diz: “eu entrei na escola e a tia me tirou de lá. Ela disse que não ia botar nenhuma criança para dentro da escola até as outras chegarem. Fiquei sozinha do lado de fora. Não tinha ninguém”. O PortalODia.com não divulgará o vídeo para preservar a imagem da criança.
A situação causou revolta em Ana Clara, mãe da menina. De acordo com ela, houve uma quebra de confiança na relação que a família tinha com a escola, onde a filha estuda há três anos. Ana classificou o ocorrido como uma irresponsabilidade e acrescentou que a filha está assustada e com medo.
“Ela não ficou com um vigia, nem com a secretária, nem com a diretora. Ela simplesmente ficou sozinha. Uma criança de sete anos sozinha do lado de fora do colégio. É uma criança. Ela tem medos, não viu o pai nem a mãe ali com ela naquele momento. Ela ficou com medo porque estava sozinha no meio da rua, num local onde ela não tem costume de ficar”, disparou Ana Clara.
O que diz a diretora
A reportagem de O Dia esteve na Escola Municipal Altina Castelo Branco e procurou pela diretora da instituição. Ela preferiu não gravar, mas relatou que os pais deixaram a criança do outro lado da rua e que não houve nenhum tipo de combinado com a funcionária da escola, como os pais relataram que aconteceu. Ela reiterou que não tem condição de abrir uma exceção para uma criança ficar na escola antes de o local abrir, porque teria que aplicar a mesma regra a todos os demais alunos.
O que diz a Semec
Em nota, a Secretaria Municipal de Educação de Teresina (Semec) informou que o horário de funcionamento das unidades da rede municipal em tempo parcial é de 7h às 11h20. Desta forma, as escolas só podem receber alunos a partir das 7h. “Antes desse horário, as unidades escolares estão em processo de limpeza, organização dos espaços e chegada dos profissionais, não havendo responsáveis disponíveis para receber e acompanhar as crianças”, diz o comunicado.
A Semec reforçou que, por questão de organização e responsabilidade, os alunos devem ser levados à escola somente no horário correto de entrada. A O Dia, Ana Clara e Tiago explicaram que deixaram a filha às 6h30 na escola porque estavam no trajeto para o trabalho e porque já conheciam a funcionária que poderia ficar com a menina.
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