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"Condenação não vai trazer a Tainah pra gente", diz jornalista que teve filha morta em Teresina

Marcelo Rocha esteve presente no julgamento das duas acusadas da morte da filha Tainah Luz Brasil Rocha, de 27 anos, ocorrida em maio de 2022.

09/09/2026 às 10h46

O julgamento de Geovana Thais Vieira da Silva e Fernanda Maria Lobão Ayres, acusadas pela morte de Tainah Luz Brasil Rocha, de 27 anos, acontece nesta quarta-feira (9), no Fórum Criminal de Teresina. As duas são julgadas pelo Tribunal do Júri da capital. Presente no local do julgamento, o pai de Tainah, o jornalista Marcelo Rocha, falou sobre a expectativa da família após aguardarem mais de quatro anos desde a morte da filha.

A família está com uma expectativa grande. Muita ansiedade e espera. (Se passaram) quatro anos desse crime

jornalista Marcelo RochaPai de Tainah
Marcelo e a filha Tainah, morta com 13 facadas em 2022 - (Reprodução / Redes Sociais) Reprodução / Redes Sociais
Marcelo e a filha Tainah, morta com 13 facadas em 2022

Marcelo também comentou declarações apresentadas pelas acusadas durante a audiência de instrução. Segundo ele, uma das versões levantadas teria relacionado a morte de Tainah a possíveis problemas de saúde. “Eu estive [na audiência de instrução] e achei muito interessante a fala das acusadas. Uma delas chegou a dizer que existia a possibilidade de que a morte da Tainah fosse por causa de problemas de saúde dela. 13 facadas não mata, né? Daqui a pouco, talvez, vão dizer que minha filha cometeu suicídio”, ironizou.

O pai afirmou ainda que espera que o julgamento resulte em justiça pela vítima e por sua família, mas ressaltou que nenhuma condenação será capaz de reparar a perda da filha. “Mesmo elas sendo condenadas, isso não vai trazer a Tainah pra gente. Não vai trazer a minha filha, a neta, a sobrinha, a irmã. Mas pelo menos a gente vai ter a certeza da Justiça”, disse.

“Tainah era uma jovem de 27 anos, uma menina que fez o curso de Direito, foi para Curitiba, queria morar lá, e terminou o curso. Gostava de música, cantava. Foi uma perda muito grande”.

Tainah Brasil foi assassinada a facadas em na madrugada de 16 de maio de 2022 em Teresina - (Reprodução/Instagram) Reprodução/Instagram
Tainah Brasil foi assassinada a facadas em na madrugada de 16 de maio de 2022 em Teresina

A sessão estava marcada para o dia 21 de outubro, mas foi antecipada pelo juiz titular da 3ª Vara do Tribunal Popular do Júri da Comarca de Teresina, Múccio Miguel Meira, para hoje.

Relembre o caso

De acordo com os autos do processo, na noite do dia 15 de maio de 2022, Tainah foi até a residência de Fernanda Ayres, no bairro Mocambinho, na zona Norte de Teresina. Fernanda era ex-namorada da vítima e, na época, mantinha um relacionamento com Geovana. Ainda segundo os autos, as três consumiram bebida alcoólica e, posteriormente, tiveram um desentendimento. A discussão teria evoluído para uma luta corporal.

Conforme a investigação, Fernanda teria sido ferida no braço por Tainah e, durante a reação, teria contado com a participação de Geovana. A acusação sustenta que as duas desferiram golpes de faca contra Tainah. O laudo da perícia criminal apontou que a vítima sofreu 13 perfurações. Os ferimentos foram identificados em diferentes partes do corpo, incluindo costas, coxas, antebraço, axila e tórax.

Fernanda Ayres e Geovana Thais, acusadas de cometerem o crime. - (Reprodução) Reprodução
Fernanda Ayres e Geovana Thais, acusadas de cometerem o crime.

Após os gritos serem ouvidos por vizinhos, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado. Tainah foi socorrida e encaminhada ao Hospital de Urgência de Teresina (HUT), mas morreu na madrugada de 16 de maio de 2022. Na denúncia apresentada pelo Ministério Público, a Promotoria sustenta que as acusadas cometeram homicídio com três qualificadoras e aponta, entre outros elementos, o uso de meio cruel e a ausência de socorro à vítima entre a intervenção dos vizinhos e a chegada da equipe do Samu.

Em 7 de novembro de 2024, o juiz da 3ª Vara do Tribunal Popular do Júri decidiu pela pronúncia das duas acusadas, determinando que elas fossem submetidas a julgamento pelo Tribunal do Júri. Na mesma decisão, foi concedido a elas o direito de recorrer em liberdade. As defesas de Geovana e Fernanda recorreram da decisão de pronúncia e pediram a sua reformulação, mas os recursos foram negados pela Justiça. Nesta quarta-feira (9), cabe ao Tribunal do Júri analisar as provas apresentadas no processo e decidir pela condenação ou absolvição das acusadas.