Pelo menos 120 pessoas em Teresina entregaram seus dados para receberem chips com números roubados dentro do esquema investigado na Operação Chip Falso. A informação é do delegado Humberto Mácola. Essas pessoas já foram identificadas e estão sendo intimadas a prestarem esclarecimentos para a polícia. Algumas já foram ouvidas e chegaram a alegar que não sabiam que o esquema era criminoso.
Para o delegado, isso não justifica e estas pessoas são consideradas comparsas. “Num país como o Brasil, que é um dos mais sofre com golpes cibernéticos, ninguém pode dizer que não sabia porque estava entregando seus dados e recebendo por isso. Algumas pessoas dizem que achavam que estavam fazendo um plano de telefonia e internet. Um plano de telefonia feito na sua casa, sem ir a uma loja, e você ainda recebe por isso? Até eu queria isso”, disse Humberto Mácola.
De acordo com ele, as pessoas recebiam de R$ 200 a R$ 300 para entregarem seus dados e receberem os números clonados. Estes indivíduos podem ser indiciados por organização criminosa. “O nosso pensamento é que elas são comparsas, responsáveis pelo que aconteceu”, afirma o delegado.
Ele explicou como funcionava o esquema. Lívio Fernando, líder do grupo e preso hoje (20), cooptava as pessoas que receberiam os números roubados, pagando-as em troca de elas entregarem seus dados para a mudança de titularidade do chip. Sem dar detalhes de como faziam isso, o delegado disso que os criminosos solicitavam a mudança de nome do proprietário do número junto às operadoras e elas faziam a operação normalmente, mas acabavam desativando a rede do verdadeiro dono. O que chamou a atenção da polícia é que todos os novos proprietários dos números desativados em outros estados eram do Piauí.
“O sinal de que seu número foi roubado é simples: sua rede cai sem nenhuma explicação. Se seus dados móveis deixam de funcionar e você não consegue mais fazer nada com o número de sua linha, procure sua operadora para verificar o que aconteceu. Se tiver alguma mudança de titularidade da linha sem a sua autorização, faça imediatamente o BO, porque qualquer delegado no Brasil que esteja investigando golpes cibernéticos vai saber que você foi vítima, e não achar que você estava aplicando o golpe”, finaliza Humberto Mácola.
A Operação Chip Falso cumpre 32 mandados judiciais, sendo 16 de prisão temporária, em Teresina. A ação investiga uma quadrilha que aplicava golpes cibernéticos por meio do roubo de números de celular através da troca não autorizada de titularidade do chip. Nove pessoas foram presas, incluindo o líder da organização criminosa.