Tomar um café da tarde dentro de um prédio que atravessou um século de história pode parecer cena de filme antigo. Em Teresina, porém, se tornou uma experiência real. O projeto Café na Estação promove visitas guiadas à Estação Ferroviária da capital, inaugurada em 1926, combinando passeio histórico, subida à torre e um momento de convivência entre os participantes.
A atividade é organizada pelo perfil Tempo e Cultura e acontece dentro do edifício que hoje abriga a sede do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) no Piauí.
Com investimento de R$ 40 por pessoa, os visitantes percorrem o interior do prédio com o auxílio de guias de turismo, exploram três andares ligados por escada em espiral, têm acesso à mesa colonial e chegam à varanda com vista para avenidas importantes da cidade, como a Frei Serafim e a Miguel Rosa, a maior avenida da capital em extensão.
Mais do que uma visita técnica, a proposta é criar uma experiência afetiva com o patrimônio. O passeio termina com um café compartilhado entre os participantes, momento pensado para estimular conversas e trocas de histórias.
Segundo a jornalista e historiadora Marina Loiola, responsável pela iniciativa e planejamento das visitas, a estação foi, durante décadas, um dos principais pontos de circulação de pessoas e mercadorias na capital.
“Durante muitos anos, ela foi a porta de entrada e saída de pessoas, mercadorias e ideias”, disse. Ela ressaltou, ainda, o papel do local na formação de laços entre os municípios piauienses, unindo caminhos e pessoas. “O trem conectava Teresina a outras regiões e ajudou no crescimento econômico da cidade”, afirmou Marina.
Prédio completa 100 anos
A programação também ganha significado especial em 2026, quando o prédio completa 100 anos. Para Marina Loiola, a receptividade do público tem relação direta com a memória coletiva ligada ao local. “Esse prédio carrega muitas histórias. É um marco na vida de muitas pessoas que moram em Teresina”, destacou.
O projeto surgiu a partir da percepção de que muitos moradores da cidade nunca haviam entrado na estação. Durante as visitas, não é raro ouvir relatos de surpresa. “Muita gente diz que passa na frente há anos e nunca tinha entrado. O pertencimento nasce quando você conhece e vivencia o lugar”, explica.
A estação passou, recentemente, por um processo de restauração que buscou preservar características arquitetônicas originais e adaptar o prédio para novos usos. Como se trata de um imóvel tombado, as intervenções precisaram respeitar a identidade histórica do edifício.
Atualmente, além de sediar o Iphan, o espaço começa a receber iniciativas culturais. Para Marina, manter o prédio em atividade é essencial para a preservação. “Tudo que tem movimento é visto e cuidado. Quando um prédio deixa de ser visitado, ele acaba sendo esquecido”, afirma.
O público das visitas é diverso. Há idosos que lembram do tempo em que o trem ainda circulava, pais levando filhos pela primeira vez e curiosos interessados na história da cidade. Em comum, todos compartilham o mesmo simples gesto: sentar, tomar um café e redescobrir um pedaço da memória de Teresina.
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