A Secretaria de Segurança Pública do Piauí (SSP-PI) anunciou que pretende adotar critérios mais rígidos na contratação de trabalhadores terceirizados após o caso de estupro registrado dentro da Delegacia-Geral da Polícia Civil, em Teresina. A informação foi dada pelo secretário Antônio Luiz, durante entrevista a uma emissora de TV nesta terça-feira (24).
LEIA TAMBÉM
A medida é avaliada porque o suspeito do crime é um prestador de serviço terceirizado que atuava na unidade e havia sido deslocado para a Delegacia-Geral há cerca de três meses. Segundo a polícia, ele trabalha vinculado a uma empresa contratada desde 2018 e já possui antecedente criminal por homicídio, relacionado a um linchamento ocorrido em 2017. Após o caso, foi solicitado o desligamento imediato do funcionário.
Ao comentar o episódio, o secretário de Segurança, Antônio Luiz, afirmou que mudanças serão implementadas no processo de seleção desses profissionais. "Com certeza, nós vamos trabalhar com mais rigor na contratação de pessoal. No caso dos terceirizados, nós vamos mostrar um formulário preenchido, mostrando que olhou a certidão negativa criminal em todas as áreas, a parte de antecedentes. Então vários critérios que vão ser utilizados para a contratação de terceirizados na Segurança do Piauí", disse o secretário.
O secretário também destacou que, embora alguns casos possam ser prevenidos com base em histórico de comportamento, outros ocorrem de forma inesperada, como o estupro dentro da Delegacia.
"Além de ter casos que têm indícios anteriores, ameaças anteriores, agressões anteriores, eram pessoas mais fáceis de detectar e prevenir. Mas há casos como esse que é um caso fortuito, um caso pontual em que a agressão ninguém tinha nenhuma informação anterior de que tinha alguma relação e aconteceu dentro da repartição pública. Podia ser lá no quartel, podia ser dentro da Polícia Civil, podia ser em qualquer unidade. No mesmo dia que aconteceu o fato, ele já foi preso. Então houve uma inquirição, ele foi contraditório e o delegado já percebeu e anunciou a prisão, levou para a Casa da Mulher Brasileira e lá designou três delegadas para evitar qualquer especulação", complementou.
O que se sabe sobre o crime
O suspeito de estuprar uma servidora dentro da Delegacia-Geral de Teresina confessou parcialmente a ocorrência de um ato sexual e tentou culpar a vítima, afirmando que o ato teria sido consensual. As informações foram divulgadas nesta segunda-feira (23), pelo delegado-geral Luccy Keiko.
No entanto, a partir das investigações, a polícia trata o caso como de extrema violência e apura, além do estupro, a possibilidade de tentativa de feminicídio. A vítima foi encontrada desacordada na última quinta-feira (19), dentro de uma sala da unidade.
De acordo com o delegado, o homem foi ouvido em três momentos distintos e apresentou versões diferentes. Inicialmente, ao “pedir ajuda” poucos momentos após o crime, afirmou que a servidora havia sofrido um mal súbito e caído. Posteriormente, durante interrogatório formal, admitiu que houve relação sexual, alegando consentimento.
“Ele mudou completamente a versão. Diante das contradições e das circunstâncias, entendemos haver elementos de estupro”, afirmou. O suspeito ainda foi interrogado novamente, uma terceira vez, na Casa da Mulher Brasileira. Nesta ocasião, o acusado teve contato com uma familiar da vítima, teria se aproximado e a questionado sobre o estado de saúde da servidora.
Luccy Keiko também destacou o comportamento do suspeito durante o depoimento. Segundo ele, o investigado demonstrou frieza ao ser questionado. “Ele tentou aparentar tranquilidade, mas ficou evidente que estava mentindo em vários pontos”, disse. A conduta, aliada aos indícios coletados, reforçou a decisão pela prisão em flagrante, posteriormente convertida em preventiva.
Ainda de acordo com o delegado, a vítima foi encontrada com sinais de violência, incluindo sangramento e uma possível luxação no punho, além de estar inconsciente. Ela foi socorrida e encaminhada ao Hospital de Urgência de Teresina (HUT), onde permanece internada em uma UTI.
Conforme relatos repassados à polícia pela advogada de defesa e por uma familiar da vítima, a mulher apresenta momentos de confusão mental, pede socorro quando recobra parcialmente a consciência e precisa voltar a ser sedada.
LEIA TAMBÉM
Você quer estar por dentro de todas as novidades do Piauí, do Brasil e do mundo? Siga o Instagram do Sistema O Dia e entre no nosso canal do WhatsApp se mantenha atualizado com as últimas notícias. Siga, curta e acompanhe o líder de credibilidade também na internet.