O Sistema Único de Saúde (SUS) passará a oferecer um novo exame gratuito para rastreamento do câncer colorretal em pessoas sem sintomas da doença. O anúncio foi feito na última semana pelo Ministério da Saúde durante agenda oficial em Lyon, na França. A medida prevê a adoção do Teste Imunoquímico Fecal (FIT) como principal ferramenta de triagem para homens e mulheres entre 50 e 75 anos.
O novo protocolo nacional deverá começar a ser implementado no segundo semestre deste ano e tem como objetivo ampliar o diagnóstico precoce do câncer colorretal, considerado atualmente o segundo tipo de câncer mais comum no país. Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca), mais de 53,8 mil novos casos da doença devem ser registrados anualmente até 2028.
O câncer colorretal afeta o intestino grosso e o reto e costuma se desenvolver a partir de pólipos na parede interna do órgão. Especialistas apontam que a doença frequentemente evolui de forma silenciosa nas fases iniciais, o que dificulta o diagnóstico precoce sem exames de rastreamento.
De acordo com o Ministério da Saúde, o teste será destinado a pessoas assintomáticas e sem fatores considerados de alto risco. O exame identifica pequenas quantidades de sangue oculto nas fezes, um dos possíveis sinais iniciais de pólipos e tumores intestinais.
A grande vantagem do procedimento incorporado à rede pública é a praticidade e a simplicidade operacional, pois o teste identifica quantidades microscópicas de sangue oculto nas fezes. Diferente da colonoscopia tradicional, o método inédito não exige que o paciente realize dietas restritivas especiais ou processos complexos de preparo do intestino.
O exame permite a coleta domiciliar da amostra e possui maior precisão técnica do que os antigos testes químicos de farmácia, gerando menos alarmes falsos. Essa facilidade logística ajuda a aumentar a adesão da população ao rastreamento e diminui as barreiras de acesso em municípios do interior brasileiro.
Segundo especialistas citados pelo Ministério da Saúde, o FIT apresenta maior precisão em comparação aos antigos testes químicos de sangue oculto nas fezes, reduzindo casos de falso positivo. Quando o resultado apresenta alteração, o paciente deverá ser encaminhado para realização de colonoscopia, exame responsável pela confirmação diagnóstica.
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Ainda conforme os dados apresentados, as chances de cura podem ultrapassar 90% quando o diagnóstico ocorre precocemente.
A expectativa do Ministério da Saúde é que cerca de 40 milhões de brasileiros possam ser alcançados pela nova estratégia de rastreamento populacional. O uso do FIT já faz parte de programas de prevenção adotados em diferentes países.
A diretriz de saúde recebeu o parecer favorável de incorporação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS ainda no primeiro trimestre. A expectativa do ministério é colocar a nova política pública em plena atividade assistencial nos postos a partir do segundo semestre deste ano.
A implementação nacional também deverá ampliar a demanda por exames laboratoriais e por colonoscopias na rede pública de saúde. O Ministério da Saúde informou que pacientes com resultados positivos no teste serão encaminhados para investigação complementar dentro do SUS.
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