Passageiros e tripulantes de diferentes países seguem sob monitoramento após a confirmação de mortes e casos suspeitos de hantavírus ligados ao navio MV Hondius. A embarcação partiu da Argentina no início de abril e entrou no radar das autoridades sanitárias após a morte de um passageiro alemão com suspeita da doença.
LEIA TAMBÉM
Desde então, governos da Europa e da Ásia passaram a rastrear contatos de pessoas que estiveram no cruzeiro ou tiveram proximidade com passageiros infectados durante voos internacionais. As investigações agora incluem casos na França, Holanda e Singapura envolvendo pacientes que não estiveram a bordo, mas tiveram contato indireto com possíveis contaminados, segundo informou as autoridades dos três países nesta quinta-feira (7).
Em comunicado, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom, afirmou que a entidade atua no rastreamento internacional de contatos para conter a disseminação da doença. “A OMS está trabalhando com os países relevantes para apoiar o rastreamento internacional de contatos”, declarou.
Em entrevista à agência Reuters, a diretora de Gestão de Epidemias e Pandemias da OMS, Maria Van Kerkhove, afirmou que a transmissão do hantavírus exige contato físico extremamente próximo, como o compartilhamento de cabines, beliches ou cuidados diretos com pacientes. “É muito, muito diferente da Covid e da gripe”, disse.
Segundo a OMS, até o momento não há evidências de mutações no vírus que aumentem sua capacidade de transmissão, um dos principais fatores avaliados em análises de risco para eventos com potencial pandêmico. A organização também descartou um cenário de propagação semelhante ao da Covid-19 e afirmou que “o risco para o resto do mundo é baixo”.
As autoridades investigam ainda a relação entre os casos suspeitos e o desembarque de passageiros na ilha de Santa Helena, após a primeira morte registrada no cruzeiro. Parte dos viajantes deixou a embarcação e seguiu em voos comerciais, incluindo conexões por Joanesburgo.
Todos os passageiros que desembarcaram em Santa Helena, no Oceano Atlântico Sul, onde o navio fez escala em 24 de abril. O grupo inclui viajantes de pelo menos 12 países, entre eles sete britânicos e seis norte-americanos.
Como se contrai o hantavírus?
A infecção humana por hantavirose ocorre mais frequentemente pela inalação de aerossóis, formados a partir da urina, fezes e saliva de roedores infectados. As outras formas de transmissão, para a espécie humana, são:
- Percutânea, por meio de escoriações cutâneas ou mordedura de roedores;
- Contato do vírus com mucosa (conjuntival, da boca ou do nariz), por meio de mãos contaminadas com excretas de roedores;
- Transmissão pessoa a pessoa, relatada, de forma esporádica, na Argentina e Chile, sempre associada ao hantavírus Andes.
O período de transmissibilidade do hantavírus no homem é desconhecido. Estudos sugerem que o período de maior viremia seria alguns dias que antecedem o aparecimento dos sinais/sintomas.
Já o período de incubação do vírus, ou seja, o período que os primeiros sintomas começam a aparecer a partir da infecção, é, em média, de 1 a 5 semanas, com variação de 3 a 60 dias.
Diversos fatores ambientais estão associados com o aumento no registro de casos de hantavirose, e estão ligados ao aumento da população de roedores silvestres como, o desmatamento desordenado, a expansão das cidades para áreas rurais e as áreas de grande plantio, favorecendo a interação entre homense roedores silvestres.
Quais são os sintomas da hantavirose?
Na fase inicial, a hantavirose causa os seguintes sintomas:
- Febre;
- Dor nas articulações;
- Dor de cabeça;
- Dor lombar;
- Dor abdominal;
- Sintomas gastrointestinais.
Na fase cardiopulmonar, os sintomas da hantavirose são:
- Febre;
- Dificuldade de respirar;
- Respiração acelerada;
- Aceleração dos batimentos cardíacos;
- Tosse seca;
- Pressão baixa.
Importante: Diversos fatores ambientais estão associados com o aumento no registro de casos de hantavirose, e estão ligados ao aumento da população de roedores silvestres como, o desmatamento desordenado, a expansão das cidades para áreas rurais e as áreas de grande plantio, favorecendo a interação entre homense roedores silvestres.
Qual a diferença entre leptospirose e hantavirose?
A leptospirose é causada por uma bactéria transmitida principalmente pela urina de ratos em enchentes e água contaminada. A hantavirose é provocada por um vírus transmitido por partículas presentes nas fezes, saliva e urina de roedores silvestres.
As duas doenças podem causar febre e dores no corpo, mas a hantavirose apresenta maior comprometimento pulmonar e cardiovascular. A leptospirose costuma estar relacionada a contato com água contaminada em áreas urbanas.
Onde é encontrado o hantavírus no Brasil?
A hantavirose já teve registros em diferentes regiões do país, mas os maiores números de casos confirmados estão concentrados no Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Há ocorrências notificadas em estados como São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso.
Segundo o Ministério da Saúde, a maioria das infecções ocorre em áreas rurais e está ligada a atividades agrícolas. Fatores como expansão urbana, desmatamento e aumento da população de roedores favorecem o risco de transmissão.
Com informações do Ministério da Saúde.
Você quer estar por dentro de todas as novidades do Piauí, do Brasil e do mundo? Siga o Instagram do Sistema O Dia e entre no nosso canal do WhatsApp se mantenha atualizado com as últimas notícias. Siga, curta e acompanhe o líder de credibilidade também na internet.