O Piauí registrou mais de 5,5 mil casos de sífilis entre os anos de 2021 e 2025, mesmo após uma redução de cerca de 10% nas notificações entre 2024 e 2025. Os dados acendem um alerta para a persistência da doença, especialmente entre homens jovens, e para o risco de subnotificação, já que muitas pessoas não procuram atendimento de saúde.
O que é a sífilis?
A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível (IST) causado por uma bactéria e transmitida, principalmente, por relações sexuais desprotegidas. De acordo com Ivone Venâncio, técnica a coordenação de ISTs da Secretaria de Saúde do Piauí (Sesapi), o cenário ainda representa um desafio para a saúde pública no estado.
“A sífilis é uma doença que continua crescendo. A gente percebe que, nos últimos anos, o estado notifica mais de mil casos por ano, e isso exige atenção contínua das políticas de saúde”, afirmou Ivone em entrevista ao Sistema O Dia.
Apesar da ampla cobertura da Estratégia de Saúde da Família e da oferta gratuita de tratamento, a doença segue com alta incidência na região. Segundo a especialista, um dos principais problemas é a subnotificação.
“Existe muita subnotificação, porque parte da população não procura os serviços de saúde. Mesmo com unidades de porta aberta, nem todos realizam a testagem”, explicou a técnica.
A rede pública dispõe de Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA), além de serviços especializados, que oferecem diagnóstico rápido e acompanhamento. Ainda assim, a sífilis pode permanecer sem sintomas em algumas fases, o que contribui para a sua disseminação.
“Na fase latente, o indivíduo pode não apresentar sinais, mas continua podendo transmitir a doença”, destacou Ivone Venâncio.
Outro ponto de preocupação é a transmissão durante a gestação. A sífilis congênita pode causar complicações graves ao bebê, incluindo comprometimentos neurológicos. Por isso, o acompanhamento pré-natal e a testagem são considerados fundamentais.
“É essencial que a gestante realize os exames durante o pré-natal e que o parceiro também seja tratado para evitar reinfecção”, afirmou.
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O tratamento é feito com penicilina e está disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS). A dose e a duração variam conforme o estágio da doença. Além disso, novas estratégias estão em estudo para ampliar a prevenção, incluindo medicamentos que podem ser incorporados à rede pública nos próximos meses.
A transmissão também pode ocorrer por contato com lesões, inclusive em situações de sexo oral, embora o risco seja menor. A orientação das autoridades de saúde é reforçar o uso de preservativos e ampliar o acesso à informação, principalmente entre jovens, grupo que concentra parte significativa dos casos no estado.
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