A reestruturação no atendimento pediátrico da rede pública municipal de Teresina tem gerado dúvidas e preocupação entre pais e responsáveis que dependem do Hospital da Criança, no bairro Parque Piauí, zona Sul da cidade. Ainda no primeiro semestre deste ano, deve ocorrer a transferência do atendimento de urgência e emergência da unidade para a UPA do Promorar, tambpem na zona Sul da capital.
A medida, segundo a Fundação Municipal de Saúde (FMS), faz parte de uma reorganização estratégica para ampliar a capacidade de atendimento e melhorar a assistência às crianças. Contudo, a mudança não tem sido bem recebida por quem busca o serviço.
O tatuador Jaime Pereira da Silva (28), que utiliza os serviços do Hospital da Criança, acredita que a alteração pode prejudicar o atendimento. Ele também destaca a questão da distância de uma unidade de saúde para a outra, e da demanda da UPA.
“Eu acho que não daria muito certo, porque aqui já é específico para criança. Lá é misturado com adulto, então pode ficar bagunçado e mais lotado. Aqui é mais perto e tem menos gente. Lá pode prejudicar sim”, disse.
Raiane da Silva Sousa (19) também demonstrou preocupação com a mudança. Ela acompanhava a sogra, que estava na unidade de saúde com a neta. Para ela, o fato de o hospital ser exclusivo para o público infantil faz diferença no atendimento e traz mais comodidade para as famíias. “Aqui é específico para criança, lá é muita gente e acho que pode prejudicar o atendimento”, afirma.
A babá Josiane Brasil (30) criticou o serviço prestado na UPA do Promorar e destacou a superlotação da unidade. Além disso, ela também apontou problemas relacionados à qualidade do atendimento.
Lá tem muita gente. Eles não dão conta nem do atendimento atual, imagina com as crianças. E também falta humanização. A gente já chega fragilizado e ainda é mal atendido
Enquanto isso, na UPA do Promorar, os pacientes se aglomeram em frente à unidade de saúde. Segundo o auxilar administrativo, Alisson Teógenes, a quantidade de médicos não é suficiente para atender à demanda e, mesmo com a promessa de aumentar os profissionais da pediatria, as filas continuarão se formando. Além disso, as crianças estarão expostas a mais riscos.
“É preciso priorizar a saúde da criança. O Promorar é a unidade UPA que atende toda a zona Sul. E trazer essa população de crianças para cá, é trazer um problema maior de saúde para elas. Já temos um público grande aqui, e pelo menos no Parque Parque era um local específico para as crianças e, se tivesse algo, era mais fáciul de controlar. O ideal seria mantê-las lá, não trazê-las para cá. O atendimento aqui é muito precário. Já precisei me deslocar para o Renascença para tomar medicação, pois aqui não tinha”, disse.
Para a professora Adriana Ramos, a mudança pode trazer muitos prejuízos, especialmente às crianças. Mesmo com a filha tendo plano de saúde, ela comenta que prefere levá-a ao Hospital da Criança do Parque Piauí, pelo fato de o atendimento ser mais rápido e por ser mais próximo do bairro da família, no Morada Nova.
“Independentemente de ser criança ou adulto, o atendimento aqui na UPA do Promorar é péssimo. A demora é muito grande e não tem médico. O que não é bom, vai piorar, porque agora, além das urgências dos adultos, ainda terão as crianças. Trazer as crianças para cá [UPA do Promorar] não vai dar certo”, finaliza.
Mudança visa melhorar o sistema, diz FMS
A Fundação Municipal de Saúde (FMS) informa que a reorganização do atendimento pediátrico em Teresina não representa redução de assistência, mas sim uma estratégia para ampliar a capacidade de resposta diante do aumento sazonal de casos.
A medida garante atendimento ágil, seguro e resolutivo para todas as crianças da capital e região.Nos períodos chuvosos (março a junho), há crescimento expressivo da demanda pediátrica. Em 2025, os atendimentos aumentaram entre 50% e 60%, cenário que se repete em 2026, com reflexos diretos:
- aumento de 10% a 25% nas internações;
- aumento de 9% na solicitação de leitos de UTI;
- aumento de 10% a 25% no tempo de permanência hospitalar.
Grande parte dos casos está relacionada a doenças respiratórias, como bronquiolite aguda (34%, especialmente em menores de 1 ano) e pneumonias (37%, muitas como complicação de infecções virais).
Para enfrentar esse cenário, o Hospital Municipal da Criança está sendo reestruturado para ampliar sua capacidade de internação, com criação de leitos de estabilização e maior rotatividade, voltado aos casos que realmente necessitam de cuidado de intenção hospitalar.
Já os atendimentos de urgência pediátrica seguem disponíveis em todas as regiões da cidade, incluindo a UPA do Promorar, que receberá reforço de profissionais e passará por reestruturação física para garantir segurança e qualidade no atendimento de urgência infantil.
Quanto à preocupação dos entrevistados sobre crianças serem atendidas junto com adultos, a FMS esclarece que as unidades seguem protocolos de classificação de risco, crianças tem atendimento prioritário conforme gravidade e contam com fluxos organizados para garantir segurança e qualidade. Conforme já foi dito, será feito uma readequação na estrutura da UPA Promorar, para organizar ainda mais esses fluxos.
O órgão garante que a reorganização está sendo planejada com base em dados epidemiológicos e operacionais, incluindo reforço de equipes e redistribuição da demanda entre as unidades.
De acordo com a FMS, cerca de 80% dos atendimentos pediátricos do Hospital da Criança são de baixa complexidade e podem ser resolvidos nas 91 Unidades Básicas de Saúde (UBS), evitando sobrecarga nos serviços de urgência, inclusive tem uma UBS localizada atrás do Hospital da Criança.
A FMS segue monitorando continuamente os indicadores assistenciais e ajustando a rede conforme necessário, garantindo que todas as crianças tenham atendimento de qualidade.
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