Alfredo Gaspar foi anunciado nesta quarta-feira (5) como candidato a vice-presidente na chapa encabeçada por Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pelo Palácio do Planalto. A definição ocorreu no último dia do prazo para as convenções partidárias, encerrando uma negociação conduzida nos últimos meses para a formação da chapa presidencial.
Deputado federal por Alagoas, Gaspar ganhou visibilidade nacional durante sua atuação como relator da CPI do INSS no Congresso Nacional. Antes de chegar à Câmara dos Deputados, o político construiu carreira no Ministério Público de Alagoas, onde atuou por 24 anos, e ocupou cargos ligados à segurança pública no estado.
A escolha do parlamentar ocorreu após meses de articulações para definição do nome que integraria a chapa de Flávio Bolsonaro. Antes de ser anunciado como candidato a vice-presidente, Gaspar havia sido lançado como candidato ao Senado por Alagoas.
Atuação como relator da CPI do INSS
Durante os trabalhos da CPI do INSS, Alfredo Gaspar apresentou um relatório que propunha o indiciamento de mais de duas centenas de pessoas, incluindo empresários, operadores financeiros e agentes públicos. O documento também previa o indiciamento de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, e solicitava medidas como prisão preventiva de investigados.
O parecer apresentado pelo deputado, porém, foi rejeitado pelos parlamentares integrantes da comissão. Após a confirmação da candidatura a vice-presidente, os partidos divulgaram uma nota afirmando que mantêm o compromisso de "andar juntos".
Formação, carreira no Ministério Público e atuação na segurança pública de Alagoas
Antes de ingressar na política, Alfredo Gaspar atuou como membro do Ministério Público de Alagoas. Ele se formou em Direito em 1993 e concluiu pós-graduação em Direito Público em 1999. Além da carreira jurídica, também trabalhou como professor universitário por mais de dez anos.
Gaspar ingressou no MP-AL em 1996 e passou por promotorias nas cidades de Maravilha e Palmeira dos Índios, além da 48ª Promotoria de Justiça de Maceió. Em 2016, foi eleito procurador-geral de Justiça de Alagoas e permaneceu no cargo até 2020, após ser reconduzido para dois biênios.
Durante sua atuação no Ministério Público, participou de casos de repercussão no estado. Em 1998, trabalhou no caso do assassinato da ex-deputada federal Ceci Cunha, ocorrido em Maceió. A parlamentar foi morta junto com o marido, o irmão e uma prima. O crime foi atribuído ao suplente Talvane Albuquerque Neto, que acabou condenado a mais de 100 anos de prisão.
Entre 2010 e 2012, Gaspar também acompanhou investigações relacionadas a uma série de assassinatos de moradores de rua em Maceió. As apurações identificaram que os crimes estavam relacionados a dívidas de drogas.
A trajetória profissional de Alfredo Gaspar também inclui passagens pela Secretaria de Segurança Pública de Alagoas. Ele comandou a pasta em dois períodos: de 2015 a 2016 e entre 2021 e 2022.
Além disso, presidiu o Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (GNCOC), ligado ao Conselho Nacional de Procuradores-Gerais, e participou de conselhos estaduais voltados para segurança pública e direitos humanos. Em 2012, recebeu a Medalha Mérito do Ministério Público, considerada a principal homenagem concedida pela instituição.
Entrada na política e eleições
Alfredo Gaspar deixou o Ministério Público em 2020 para disputar cargos eletivos. Naquele ano, concorreu à Prefeitura de Maceió e chegou ao segundo turno da eleição municipal.
Na disputa, recebeu 156.704 votos, o equivalente a 41,36% dos votos válidos, e foi derrotado por JHC, candidato pelo PSB, que venceu com 222.147 votos, correspondente a 58,64%.
Em 2022, Gaspar foi eleito deputado federal pela primeira vez. Ele recebeu 102.039 votos e terminou como o segundo candidato mais votado de Alagoas, atrás apenas de Arthur Lira (PP-AL).
Com a confirmação da chapa presidencial, Alfredo Gaspar passa a disputar a Vice-Presidência ao lado de Flávio Bolsonaro na eleição para o Palácio do Planalto.