O candidato a deputado estadual, Natrício Almeida (União), participou de sabatina eleitoral promovida pelo programa Comando Geral, do O Dia, nesta segunda-feira (31), onde defendeu mais investimentos em políticas públicas voltadas às pessoas com deficiência e ao Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Biomédico e pai de dois filhos autistas, o candidato disputa sua primeira eleição e afirmou que pretende levar para a Assembleia Legislativa do Piauí a cobrança por transparência, estrutura e profissionais capacitados para o cuidado de PCDs e pessoas com TEA.
Durante a sabatina, Natrício apresentou a inclusão como uma das principais bandeiras de sua candidatura e afirmou que a atuação do poder público precisa ir além da criação de espaçou de atendimento. Segundo ele, a existência de centos de referência não é suficiente quando faltam profissionais e recursos para garantir o funcionamento dos serviços.
“Centro e espaços são importantes, mas precisamos ver profissionais capacitados para que as famílias tenham esse acolhimento”, afirmou. Para o candidato, a fiscalização sobre a aplicação dos recursos públicos também deve fazer parte da atuação parlamentar, especialmente na educação inclusiva e no atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Natrício também chamou atenção para medidas de acessibilidade que, segundo ele, precisam estar presentes no cotidiano. Durante a participação na sabatina, o candidato fez sua autodescrição e explicou que recursos como audiodescrição, braile e Libras são importantes para ampliar a comunicação com pessoas com diferentes tipos de deficiência.
“Autodescrição, braile, libras, que é a nossa segunda língua, […] é muito importante. Então o respeito tem que partir de todos os níveis”, declarou. Ele também defendeu o uso de linguagem que não seja capacitista e afirmou que a inclusão deve envolver diferentes áreas, como saúde, educação e cultura.
Candidato critica estrutura de atendimento
Ao falar sobre as dificuldades enfrentadas pelas famílias atípicas, Natrício criticou o que considera uma distância entre a divulgação de serviços públicos e a realidade encontrada pelos usuários. Ele enfatizou as dificuldades de acesso a consultas e tratamentos especializados pelo SUS.
Segundo o candidato, existem famílias que aguardam por longos períodos para conseguir atendimento. Ele mencionou uma espera que, de acordo com seu relato, pode chegar a dois anos em consultas eletivas ou cirurgias e afirmou que a situação é ainda mais difícil para quem depende de especialistas.
“Nós não encontramos investimento e nem cobrança de transparência para que esse serviço funcione”, disse. Natrício também citou como exemplo o atendimento pediátrico e relatou casos de famílias que, segundo ele, aguardam há dois ou três anos por consultas com especialistas, como neuropediatras e ortopedistas.
O candidato ainda questionou a capacidade de serviços digitais alcançarem toda a população. Para ele, a expansão tecnológica não resolve sozinha as dificuldades de acesso, principalmente em áreas rurais e entre pessoas com pouca familiaridade com ferramentas digitais.
“A questão da tecnologia é importante, mas não condiz com a realidade. Falta o apoio para que tenham acesso aos serviços públicos”, afirmou. Natrício defendeu que políticas de inclusão considerem também as condições de acesso à internet, água e outros serviços básicos.
Projetos voltados para PCDs
Natrício afirmou que sua atuação política não seria restrita ao autismo. Ele citou o trabalho desenvolvido na Associação Prisma, da qual participa na área de projetos e educação, que também atende pessoas com deficiência visual e auditiva, pacientes renais e outros públicos.
O candidato destacou que a pauta da deficiência deve ser tratada como uma questão permanente de políticas públicas, e não apenas como tema de campanha eleitoral. Ao ser questionado sobre outros candidatos que também apresentam propostas para esse segmento, ele criticou o uso pontual da causa durante o período eleitoral.
“Você pode balançar uma bandeira no período de campanha e depois cansar o braço e colocar no canto. Eu posso estar vestindo uma camisa hoje e depois encostar por meses, por anos”, declarou.
Para Natrício, a população deve observar a atuação dos candidatos antes e depois do período eleitoral e verificar, entre outros aspectos, como parlamentares utilizam emendas e quais áreas recebem recursos. Ele afirmou que a análise deveria considerar investimentos em educação inclusiva, terapias e atendimento pelo SUS.
“Nossos filhos não são uma bandeira, nossos filhos não são uma camisa. Nossos filhos são pessoas que precisam de respeito”, afirmou.
Campanha no interior e apoio à chapa majoritária
Durante a sabatina, o candidato também falou sobre a campanha no interior do Piauí. Segundo Natrício, sua atuação anterior junto a instituições que trabalham com pessoas com deficiência ajudou na construção de uma rede de contatos em diferentes municípios.
Ele afirmou que as dificuldades encontradas pelas famílias no interior são semelhantes às observadas na capital, mas podem ser agravadas pela distância dos grandes centros de saúde. Para o candidato, quando o SUS não consegue oferecer determinado atendimento, instituições da sociedade civil acabam assumindo responsabilidades que deveriam ser do poder público.
“Quando o SUS falha, e tem falhado com muita frequência, para quem que essas famílias correm e choram? Para nós, instituições que prestamos o serviço que deveria ser do Estado”, afirmou.
Natrício também declarou apoio à chapa majoritária do União Progressistas. O candidato afirmou ainda que sua campanha conta principalmente com uma rede de amigos, familiares e pessoas que acompanham as demandas relacionadas à deficiência. Ele disse não ser político profissional e apresentou sua trajetória como biomédico e estudante de instituições públicas como parte da justificativa para a candidatura.
Natrício ainda voltou a citar dificuldades no acesso a medicamentos e tratamentos, demandas importantes para algumas famílias que precisam de tratamento. Com 37 anos, natural de Luzilândia, Natrício Almeida é biomédico, tem ensino superior completo e disputa pela primeira vez uma vaga na Assembleia Legislativa do Piauí.