A Polícia Civil recuperou quase R$ 1 milhão em bens e animais de alto valor comercial durante uma operação que investiga um golpe de mais de R$ 2,4 milhões contra um produtor rural de Uruçuí, no Sul do Piauí. A ação cumpriu mandados de busca e apreensão na quarta-feira (5), em Guaraí, no Tocantins.
Segundo as investigações, o golpe ocorreu em 2025 e envolveu aproximadamente 1.200 toneladas de soja, equivalentes a cerca de 20 mil sacas. O principal investigado teria trabalhado como funcionário e comprador de uma multinacional do setor de grãos instalada em Uruçuí.
De acordo com a Polícia Civil, o suspeito teria utilizado o acesso aos sistemas da empresa para forjar contratos e documentos relacionados à entrega da produção. Com a fraude, os créditos referentes à soja teriam sido direcionados para cadastros de terceiros que não participaram da negociação.
Os valores foram usados para quitar dívidas que essas pessoas já tinham com a multinacional. Com isso, o produtor rural, proprietário da carga, não teria recebido o pagamento pela soja entregue.
Após o esquema ser descoberto, o investigado deixou Uruçuí. Conforme a apuração policial, ele passou a exibir nas redes sociais um padrão de vida incompatível com a renda declarada e teria adquirido uma propriedade rural, conhecida como Haras, no Povoado Riacho, em Bom Jesus, no Piauí.
Além da propriedade, foram identificados veículos e animais de raça utilizados em atividades de vaquejada. Um dos cavalos apreendidos está avaliado em mais de R$ 200 mil.
A investigação também apontou indícios de ocultação de patrimônio e evolução patrimonial incompatível com os rendimentos declarados pelo suspeito. Com base nas provas reunidas, a Justiça determinou a apreensão dos bens e o bloqueio do patrimônio relacionado ao investigado.
Durante a operação em Guaraí e nas ações realizadas no Piauí, os policiais conseguiram recuperar quase R$ 1 milhão em bens e animais. O patrimônio apreendido ficou à disposição da Justiça.
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Diploma falso
A investigação também descobriu que o suspeito teria utilizado uma formação profissional falsa. Ele se apresentava como engenheiro agrônomo e chegou a trabalhar em grandes empresas do setor do agronegócio nos estados do Piauí e Tocantins.
A Polícia Civil consultou instituições de ensino e órgãos competentes e constatou que o diploma apresentado pelo investigado era falso.
A operação foi realizada pela Delegacia Seccional de Uruçuí, com apoio da Polícia Civil do Tocantins (PC-TO).