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Uso responsável da IA é o maior desafio da Justiça Eleitoral, afirma Hilana Lopes, nova juíza do TRE-PI

A magistrada nomeada por Lula, destaca o combate ao uso irregular das IAs e reforça que celeridade segue enfrentando práticas eleitorais antigas

09/07/2026 às 17h35

Com a chegada das eleições, o uso de vídeos deepfake, em que ferramentas de inteligência artificial modificam frases e situações reais de políticos, deve representar o maior desafio da Justiça Eleitoral, em garantir o uso responsável das IAs. É o que afirma a primeira juíza do Tribunal Regional Eleitoral do Piauí (TRE-PI), Hilana Lopes, nomeada pelo presidente Lula nesta semana.

A magistrada Hilana Lopes, nomeada por Lula, destaca o combate ao uso irregular das IAs - (Assis Fernandes / O Dia) Assis Fernandes / O Dia
A magistrada Hilana Lopes, nomeada por Lula, destaca o combate ao uso irregular das IAs

A magistrada foi nomeada por meio de uma lista tríplice que, também pela primeira vez, foi composta exclusivamente por mulheres no estado. A vaga agora ocupada por Hilana Lopes é uma das destinadas à OAB-PI, onde ela permanecerá por dois anos, prorrogáveis pelo mesmo período.

Para a nova juíza, o pleito de 2026 trará um desafio sem precedentes: a velocidade e a sofisticação da tecnologia. Segundo ela, a preocupação central não é a ferramenta em si, mas a forma como é empregada.

"Eu acredito que um dos maiores desafios nessa eleição de 2026 é a inteligência artificial, é o uso responsável da inteligência artificial, porque o uso irresponsável nós já estamos vendo muito e combater isso é que eu acho que vai ser o grande desafio dessa eleição".

A magistrada ressalta que a Justiça Eleitoral não proíbe a inovação, mas exige que ela siga as normas vigentes. O "leque grande" de possibilidades, que inclui desde imagens estáticas até vídeos e vozes simuladas, exige um olhar atento das autoridades.

Capacidade técnica do TRE para detectar as IAs

Questionada sobre a capacidade técnica do tribunal para identificar fraudes tecnológicas, a juíza garantiu que houve investimentos significativos em tecnologia, tanto no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) quanto no regional (TRE-PI), com o apoio de técnicos especializados. No entanto, ela esclarece que a análise jurídica vai além da perícia técnica.

"É importante ressaltar que o fato de saber se determinada publicação, postagem foi feita com a inteligência artificial, ela não é vista sozinha... o contexto todo que ela envolve precisa ser avaliado para de fato saber se aquilo foi feito ou não foi feito com a inteligência artificial e se cumpriu os requisitos".

Apesar da modernidade da IA, a magistrada lembra que os problemas "clássicos" das eleições, como o abuso de poder econômico e a compra de votos, permanecem presentes, apenas se aprimorando com o tempo. Para combater essas práticas, ela aposta na celeridade da Justiça Eleitoral, que tem conseguido dar respostas rápidas aos eleitores, mesmo com o encurtamento dos prazos durante o período de campanha.

A nomeação

A nomeação de Hilana Lopes já foi publicada no Diário Oficial, e sua posse está agendada para o dia 30 de julho. A partir de então, ela passará a integrar as decisões colegiadas da Corte, que, segundo ela, tem a missão de "garantir a segurança jurídica para o eleitor".