O crescimento do turismo voltado à população acima de 60 anos ganhou destaque durante a programação da II Feira de Turismo do Piauí (Fetur), iniciada na última quinta-feira (19), no Centro de Convenções de Teresina, reunindo especialistas e profissionais do setor para discutir tendências, desafios e oportunidades do segmento.
Entre os temas abordados, o chamado turismo sênior foi apontado como uma das áreas em expansão no Brasil, impulsionada por mudanças demográficas e comportamentais. Segundo o turismólogo e palestrante Ariel Figueroa, que participa da programação do evento, o envelhecimento da população já impacta diretamente o mercado.
“Hoje, no Brasil, nós temos mais pessoas acima de 60 anos do que entre 15 e 24 anos. Isso muda completamente a forma como a sociedade e o turismo precisam se organizar”, afirmou.
De acordo com ele, o aumento da expectativa de vida e a busca por qualidade de vida têm levado esse público a viajar mais e com objetivos diferentes de gerações anteriores. Cultura, gastronomia, religiosidade e experiências com propósito aparecem entre os principais interesses.
“O turista com mais de 60 anos não viaja apenas para descansar. Ele quer voltar melhor como ser humano, quer vivenciar experiências que façam sentido”, disse.
O especialista também destacou que esse público possui características que podem ampliar o potencial econômico do setor. Entre elas, maior disponibilidade de tempo, independência de calendário escolar e, em muitos casos, estabilidade financeira. “É uma camada social relevante, que consome e que pode viajar em qualquer período do ano, desde que seja bem atendida”, pontuou.
Apesar do crescimento, Figueroa avalia que o Brasil ainda não está totalmente preparado para atender esse perfil de turista. Ele aponta problemas estruturais e conceituais, especialmente na acessibilidade e na forma como o público idoso é percebido.
“O país ainda não entendeu a acessibilidade como deveria. Falta estrutura básica em muitos lugares, inclusive em áreas urbanas. E ainda existe uma visão equivocada, que trata essas pessoas como ‘velhas’, quando, na verdade, são turistas com demandas como qualquer outro”, afirmou.
O debate ocorre em meio a um cenário de transformação do setor turístico, que busca diversificar produtos e atrair novos perfis de consumidores. Na avaliação de profissionais presentes na feira, o turismo sênior também pode contribuir para o desenvolvimento regional, ao estimular destinos fora dos roteiros tradicionais.
Figueroa defendeu que o Brasil precisa ampliar o olhar para além do litoral e valorizar o turismo interno. “Há um país inteiro a ser explorado, inclusive regiões como o Piauí, que ainda são pouco conhecidas por muitos brasileiros”, disse.
Além do impacto econômico, o turismo também foi apontado como ferramenta importante para a saúde mental e o bem-estar da população idosa. “Viajar é uma forma de se manter ativo, de se conectar com outras pessoas e evitar o isolamento”, afirmou.
A II Feira de Turismo do Piauí segue até esta sexta-feira (20), com programação que inclui debates, capacitações e rodadas de negócios, reunindo representantes de mais de 40 municípios e cerca de 200 expositores. O evento também busca fortalecer a integração entre diferentes agentes do setor e ampliar a visibilidade dos destinos piauienses no cenário nacional.
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