O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kássio Nunes Marques, sugeriu nesta terça-feira (14) a criação de um selo para premiar os institutos de pesquisa que mais acertarem os resultados das eleições de outubro. A proposta surge em meio a um cenário de diversos institutos que erraram e se distanciaram dos resultados das eleições municipais de 2024, como o caso de Teresina, onde a maioria das pesquisas apontava Fábio Novo (PT) como favorito à prefeitura da capital piauiense, com Silvio Mendes (UB) eleito em primeiro turno.
Um levantamento da Revista Piauí mostrou que, na pré-campanha municipal de 2024, foram produzidos no Brasil mais levantamentos do que nas três eleições anteriores somadas. O Tribunal Superior Eleitoral contabilizou 4.244 pesquisas no período, e Teresina ficou entre as capitais que mais realizaram levantamentos, com 51 pesquisas apenas na pré-campanha.
A proposta do ministro, que é teresinense, foi apresentada durante reunião com representantes dos institutos de pesquisa. O encontro, no entanto, havia sido agendado para discutir novas balizas para a divulgação dos levantamentos, após a decisão do TSE que suspendeu uma pesquisa de intenção de voto da Atlas Intel para a Presidência da República.
Para Nunes Marques, o selo pode reconhecer o trabalho dos institutos que tiverem o maior grau de proximidade com os resultados oficiais das eleições. "Trata-se de um mecanismo que visa à valorização das boas práticas e ao permanente aperfeiçoamento técnico das pesquisas eleitorais, por meio do reconhecimento público às empresas que demonstrarem elevada acurácia em seus resultados", justificou o ministro.
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Com o anúncio, o TSE abriu prazo até sexta-feira (17) para que os institutos enviem sugestões sobre os critérios de escolha dos vencedores do selo. Por outro lado, a Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (ABEP) criticou a proposta e ressaltou que as pesquisas medem a intenção de voto no momento em que são realizadas, não sendo "previsões nem promessas de resultado".
"Entre a entrevista e a votação, eleitores mudam de opinião, deixam de votar ou alteram seu comportamento. Exigir que uma pesquisa acerte o resultado é confundir ciência com bola de cristal", afirmou a entidade.
A associação afirmou ainda que, com o selo, a Justiça Eleitoral passaria a atuar como árbitro da qualidade das pesquisas, e defendeu que iniciativas desse tipo sejam construídas em diálogo com a comunidade científica e os institutos, para não acabar estimulando práticas consideradas oportunistas, capazes de desvalorizar o rigor metodológico das pesquisas.