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Retrospectiva 2025: relembre os casos policiais que marcaram o ano

Envenenamento em Parnaíba, Caso Alice Brasil e sequestro de adolescente em Monsenhor Gil foram alguns dos crimes e acidentes que tiveram forte repercussão no Piauí e até fora do estado.

30/12/2025 às 12h15

30/12/2025 às 12h15

2025 foi um ano marcado por muitos crimes que tiveram forte repercussão no Piauí e até fora do Estado. Casos como o envenenamento em Parnaíba, a morte de Alice Brasil dentro de uma escola particular de Teresina e o sequestro de um adolescente em Monsenhor Gil foram alguns dos principais casos registrados neste ano. O Portal O Dia traz para você um resumo do que foi notícia na editoria de Polícia no decorrer deste ano.

Envenenamento em Parnaíba, morte da menina Alice e sequestro de adolescente em Monsenhor Gil foram alguns dos casos de maior repercussão em 2025. - (Reprodução) Reprodução
Envenenamento em Parnaíba, morte da menina Alice e sequestro de adolescente em Monsenhor Gil foram alguns dos casos de maior repercussão em 2025.

Envenenamento em Parnaíba

O ano já começou com um dos maiores casos de envenenamento da história do Brasil. Em janeiro de 2025, Francisco de Assis Pereira da Costa foi preso suspeito de envenenar a própria família em Parnaíba, com um baião de dois com terbufós, um veneno agrícola altamente tóxico. A refeição servida à família em Parnaíba levou à intoxicação e a morte de várias delas nos dias seguintes, e deixando outros hospitalizados. As investi gações mostraram que apenas Francisco e sua c ompanheira não consumiram os alimentos contaminados, o que levantou suspeitas contra o casal desde o início.

No decorrer do ano, as apurações se aprofundaram e as autoridades concluíram o inquérito, indiciando o casal por 23 crimes relacionados às mortes e tentativas de homicídio envolvendo familiares e uma vizinha. Em fevereiro de 2025, Maria dos Aflitos Silva confessou ter envenenado com café a vizinha Maria Jocilene da Silva, alegando motivação emocional ligada ao seu companheiro; entretanto, Francisco e Maria também passaram a trocar versões sobre quem teria sido o autor das mortes, com ambos tentando transferir a culpa para a vítima já falecida.

Francisco de Assis e Maria dos Aflitos apontados como autores do envenenamento em série em Parnaíba. - (Reprodução) Reprodução
Francisco de Assis e Maria dos Aflitos apontados como autores do envenenamento em série em Parnaíba.

Ao longo de 2025, o caso também teve desdobramentos nos tribunais e na esfera da justiça local, com os réus enfrentando audiências de instrução e julgamento e alterando depoimentos para tentar se eximir de responsabilidade pelos crimes. Além disso, a repercussão do caso destacou falhas iniciais nas investigações, como a prisão e posterior inocentação de outra vizinha, que havia sido acusada de envenenar duas crianças em um episódio anterior, mas foi solta após a Justiça reconhecer falta de provas suficientes.

Comida envenenada matou várias pessoas de uma mesma família em Parnaíba - (Reprodução) Reprodução
Comida envenenada matou várias pessoas de uma mesma família em Parnaíba

Aluna que atirou em ex-namorado foi julgada

A estudante que atirou contra o ex-namorado dentro de uma escola no Centro de Teresina foi julgada em fevereiro por ato infracional análogo à tentativa de homicídio. O crime ocorreu após a jovem não aceitar o fim do relacionamento com João Lucas Campelo, de 18 anos. Desde então, ela passou a cumprir medida socioeducativa no Centro Educacional Feminino (CEF).

João Lucas Campelo ficou tetraplégico após ser atingido por bala. - (Reprodução/Instagram) Reprodução/Instagram
João Lucas Campelo ficou tetraplégico após ser atingido por bala.

A jovem passa por avaliações regulares que vão atestar, dentre outros, seu comportamento e seu progresso no processo de socioeducação. Se durante a avaliação, for constatado que L.G.M.L está apta a ser reintegrada à sociedade, ela pode ser liberada antes do prazo de três anos.

Ela cumpre a medida após ter atirado no rosto do ex-namorado e colega de escola, João Lucas Campelo. A bala que o atingiu ficou alojada na coluna vertebral, resultando em sua tetraplegia e um longo processo de reabilitação.

Adolescente morta em Itaueira

No dia 24 de março de 2025, a adolescente Maria Victória Rodrigues dos Santos, de 15 anos e grávida de cinco meses, foi encontrada morta dentro de casa, em Itaueira, no Sul do Piauí. Ela foi localizada pela própria mãe. O corpo apresentava afundamento de crânio, perfurações no tórax, inchaço no rosto e no pescoço, além de hematomas no braço.

Inicialmente, o ex-namorado da vítima, pai do bebê que ela esperava, foi considerado o principal suspeito. Entretanto, após avanço das investigações, a Polícia Civil descartou seu envolvimento direto no caso. Em 30 de maio, o padrasto de Maria Victória, Ramon Silva Gomes, foi preso como principal suspeito do crime. As investigações apontaram que ele estava no local no momento do homicídio, contradizendo sua versão inicial, na qual afirmava estar na zona rural do município.

Maria Victória Rodrigues dos Santos, de 15 anos, foi encontrada morta em Itaueira - (Arquivo Pessoal) Arquivo Pessoal
Maria Victória Rodrigues dos Santos, de 15 anos, foi encontrada morta em Itaueira

No dia 1° de julho, um mês depois, a polícia concluiu o inquérito. Segundo as investigações, Ramon mantinha conflitos frequentes com a mãe da adolescente. O casal havia decidido ter um filho para tentar fortalecer a relação, mas, ao descobrir a gravidez da jovem, a mãe mudou de ideia, o que teria provocado o descontentamento de Ramon e motivado o crime. Ele foi indiciado por feminicídio e aborto provocado por terceiro.

Professora da UFPI é alvo de transfobia

No dia 8 de março, a professora doutora Letícia Carolina, docente do curso de Pedagogia da Universidade Federal do Piauí (UFPI) foi vítima de transfobia nas redes sociais. Homenageada pela instituição com uma postagem nas redes sociais sobre o Dia Internacional das Mulheres, ela foi alvo de comentários transfóbicos na própria publicação.

Letícia, a primeira professora travesti da UFPI, que leciona no campus de Floriano, foi vítima de comentários racistas e transfóbicos. “Não é nem questão de discriminação é a genética que não permite um homem ser igual a mulher [sic]”, disse um usuário. Outro chegou a dizer que a professora pode ser tudo “menos mulher”. “Represente a classe que você pertence e não as mulheres. Esse é o problema atual, ver pessoas defendendo uma classe a qual não pertence [sic]”.

Professora doutora Letícia Carolina, docente do curso de Pedagogia da Universidade Federal do Piauí (UFPI), foi alvo de transfobia. - (Reprodução) Reprodução
Professora doutora Letícia Carolina, docente do curso de Pedagogia da Universidade Federal do Piauí (UFPI), foi alvo de transfobia.

Em nota, a UFPI repudiou as manifestações transfóbicas e discriminatórias proferidas contra a professora Letícia Carolina e reafirmou seu compromisso com os princípios da dignidade humana, respeito à diversidade e inclusão. A instituição reforçou ainda que a transfobia é crime equiparado ao racismo, sendo passível de responsabilização civil e criminal.

Bebê de um ano estuprada em Teresina

No dia 30 de abril, uma mulher flagrou a própria filha, uma bebê de apenas um ano, sendo estuprada por um jovem de 21 anos, primo da mãe da criança. O crime ocorreu no bairro Morada Nova, zona Sul de Teresina. Após o flagrante, a mulher de imediato foi até à Central de Flagrantes, que encaminhou uma equipe até o local e o prendeu. O abuso foi confirmado mediante exame no SAMVIS (Serviço de Atendimento à Mulher Vítima de Violência Sexual).

Em 5 de maio, o inquérito sobre o caso foi concluído e o jovem foi denunciado pelo Ministério Público do Piauí (MPPI). Após o episódio a bebê foi institucionalizada em um abrigo, sob a guarda do Estado.

Empresário piauiense é agredido e morto em Petrolina

Na madrugada do dia 20 de junho, o empresário piauiense Erlan Oliveira morreu após ser espancado por cinco pessoas na saída do São João da Cidade, em Petrolina (PE). Ele foi encaminhado à uma unidade de saúde mas teve a morte encefálica confirmada no dia seguinte.

O empresário havia deixado o evento em um carro por aplicativo e seguido para um bar. Testemunhas relataram que, ao chegar ao local, Erlan entrou em um segundo veículo, que estava com o som ligado, e desligou o aparelho. As agressões aconteceram logo após essa ação: ele foi retirado do automóvel e espancado pelo grupo.

O empresário Erlan Oliveira foi morto após uma confusão por som automotivo. - (Divulgação) Divulgação
O empresário Erlan Oliveira foi morto após uma confusão por som automotivo.

No dia 23 de junho, três suspeitos de participarem do crime foram presos, durante a Operação Fúria Cega. Quatro dias depois, um quarto suspeito se apresentou às autoridades na presença de um advogado. Quase dois meses após o crime, o empresário Fernando OIG, primo da vítima, usou as redes sociais para demonstrar revolta com a demora na prisão do quinto suspeito e ofereceu uma recompensa para quem tiver informações sobre ele.

Menina Alice morre após sofrer acidente em colégio de Teresina

No mês de agosto, Teresina acompanhou o caso da menina Alice, que morreu dentro do colégio particular CEV em Teresina. A criança de quatro anos veio à óbito após ser atingida por uma penteadeira que virou sobre ela dentro de uma sala da escola. A situação causou comoção entre os teresinenses, principalmente pelo sofrimento e clamor dos pais de Alice por respostas. O Colégio CEV chegou a emitir uma nota dando a sua versão sobre o caso.

O nome de Alice Brasil passou a batizar uma lei sancionada pelo prefeito Silvio Mendes, que obriga a inspeção técnica dos móveis, brinquedos e equipamentos das escolas, a ser realizada por um profissional designado pelo município, além de um projeto de lei que ainda tramita na Alepi. Ambos os textos criam medidas obrigatórias para as escolas no sentido de garantir mais segurança para seus alunos tais como a fixação de móveis e objetos pesados que possam pôr em risco a integridade física das crianças.

Alice Brasil, de 4 anos - (Reprodução) Reprodução
Alice Brasil, de 4 anos

Mesmo com a lei e o projeto em tramitação, o caso seguiu em investigação por cerca de dois meses.

O delegado Hugo Alcântara, da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), encerrou as investigações apontando que o caso foi acidental e sem indícios de crime, recomendando o arquivamento do inquérito, o que gerou criticas da defesa da família. A advogada Aryelly Pacífico criticou a conclusão do inquérito policial que investigou a morte de Alice. Aryelly Pacífico ressaltou que o inquérito, que tramitou por pouco mais de dois meses, comprovou que apenas uma cuidadora fiscalizava cinco crianças no momento do acidente, enquanto a professora responsável estava em outra sala com alunos que costumavam dormir naquele horário.

Contrariando o pedido de arquivamento do inquérito, O Ministério Público do Piauí (MPPI) responsabilizou seis funcionários e gestores do Grupo Educacional CEV pelo crime de homicídio culposo. Ao mesmo tempo em que citou os envolvidos, a promotora propôs um acordo de não persecução penal (ANPP), que permite a resolução de crimes sem violência ou grave ameaça através de um acordo entre o Ministério Público e os investigados.

Adolescente desaparece após sair de escola em Teresina

Ainda em junho deste ano, um caso teve grande repercussão. A adolescente Marcela, de 15 anos, desapareceu após sair da Escola Municipal Deputado Antônio Gayoso, localizada no bairro São Joaquim, zona Norte de Teresina, onde cursa o 9º Ano do Ensino Fundamental. A adolescente possui Transtorno do Espectro Autista (TEA). A menina saiu da escola a pé e seguiu em direção contrária à residência da família, que fica a cerca de 40 minutos do local. O pai da adolescente relatou ainda que, no dia do desaparecimento, Marcela havia deixado o celular em casa.

Após quatro dias desaparecida, ela foi encontrada, no dia 10 de junho. Julieno da Silva Gonçalves foi apontado como homem que teria sequestrado e violentado a adolescente. Ele foi localizado após a Polícia Civil detectar um acesso ao perfil do Instagram da vítima na residência onde ele mantinha a jovem em cárcere privado. Ele foi preso.

Marcela Vitória tem 15 anos e desapareceu na capital - (Divulgação) Divulgação
Marcela Vitória tem 15 anos e desapareceu na capital

Adolescente é sequestrado em Monsenhor Gil

O mês de junho também foi marcado pelo sequestro de outro adolescente: Jorge Gabriel, no município de Monsenhor Gil; o crime ocorreu às margens da rodovia BR-316. Nas primeiras horas do sequestro, os criminosos chegaram a exigir R$ 250 mil pelo resgate. Jorge foi resgatado com vida no dia 27 de junho. O delegado Charles Pessoa afirmou que os envolvidos no sequestro do adolescente eram faccionados, integrantes do PCC. Ao todo, seis indivíduos foram presos e outros dois suspeitos morreram em confronto com a polícia.

Segundo informações da Secretaria de Segurança Pública do Piauí, durante a abordagem policial, os indivíduos reagiram e entraram em confronto direto com os agentes.

Cinco pessoas são presas por sequestro de adolescente em Monsenhor Gil - (Reprodução/Redes Sociais) Reprodução/Redes Sociais
Cinco pessoas são presas por sequestro de adolescente em Monsenhor Gil

Poucas horas após ter sido resgatado do sequestro, que durou cerca de 18 horas, o adolescente mostrou sua força de superação e disputou uma prova de atletismo nos Jogos Escolares Piauienses (JEPI's) e garantiu o terceiro lugar na corrida. Mais que o resultado em si, o que chamou atenção foi a disposição de disputar uma competição esportiva momentos depois de um acontecimento traumático como um sequestro. Ele entrou na pista com os demais colegas e encarou a prova de corrida com barreiras, representando a instituição de ensino em que estuda: a Escola César Brito.

Casal morto a tiros próximo a hospital no Centro de Teresina

No fim do mês de agosto, um caso de violência chocou o Piauí. Um casal foi morto a tiros no centro de Teresina, próximo a um hospital particular. As vítimas foram Penélope Brito, Comandante da Guarda Civil de Parnaíba, e o homem foi Thiciano Ribeiro, vereador na Câmara Municipal parnaibana. Imagens de câmeras de segurança registraram o crime. No vídeo, é possível ver as vítimas sendo perseguidas pelo atirador: Penélope aparece de blusa branca caminhando à frente, seguida do vereador, que usa uma camisa cinza. Um homem vestindo camisa branca corre em direção ao casal e efetua diversos disparos.

O vereador é atingido por um disparo e cai ao lado de um veículo. A guarda municipal tenta correr, mas também é baleada e cai próxima a um poste.

Momento que Guarda Municipal e vereador de Parnaíba são assassinados - (Reprodução/Redes sociais) Reprodução/Redes sociais
Momento que Guarda Municipal e vereador de Parnaíba são assassinados

No mesmo dia, no ínicio da tarde, o homem suspeito de ter matado o vereador e a guarda foi preso. Identificado como Francisco Fernando, ele foi preso quando saía de uma residência no bairro Parque Piauí. Fernando foi autuado e encaminhado para a Central de Flagrantes.

As investigações apontam que o indivíduo, que era ex de Penélope, cometeu o crime por não aceitar o fim do relacionamento com Penélope, e o caso foi tratado como um feminicídio e um homicídio. No dia seguinte ao crime, foram realizados os velórios. O corpo do vereador foi velado na Funerária Funeral Prev, em Parnaíba. Já Penélope Brito foi velada no salão da Funerária Pax União.

A defesa de Francisco Fernando se manifestou sobre a prisão. Segundo o advogado Marcos Araújo, Fernando teve um surto psicótico quando atirou contra as vítimas e as matou. Este surto teria começado após ele descobrir o relacionamento de Penélope com o vereador Thiciano. Fernando e Penélope haviam se divorciado há seis meses.

Grave acidente em Teresina deixa três mortos e quatro feridos

Agosto também ficou marcado pelo grave acidente no cruzamento das avenidas Barão de Gurguéia e Gil Martins, que resultou na morte de três pessoas e deixou outras quatro feridas. Entre as vítimas estava Wesley Moura, assessor de comunicação da vereadora Ana Fidélis (Republicanos), que não resistiu aos ferimentos e morreu ainda no local. Wesley e os demais ocupantes do veículo HB20 retornavam de um culto religioso quando foram atingidos por uma Pajero, dirigida por Raimundo Nonato da Conceição Morais, de 40 anos. Ele avançou o sinal vermelho em alta velocidade enquanto seguia na Barão de Castelo Branco.

Vídeo: veja o momento do acidente em Teresina que vitimou três pessoas e deixou outras quatro feridas - (Reprodução/Redes Sociais) Reprodução/Redes Sociais
Vídeo: veja o momento do acidente em Teresina que vitimou três pessoas e deixou outras quatro feridas

O veículo atingiu em cheio o HB20 branco que transitava regularmente pela Avenida Gil Martins. O motorista da Pajero fugiu do local sem prestar socorro às vítimas.

No dia 4 de agosto, Raimundo Nonato foi preso. Ele já estava na cidade de Caxias, no Maranhão, escondido na casa de um parente e foi localizado por agentes da Secretaria de Segurança do Piauí (SSP-PI). Após a prisão, Raimundo Nonato foi conduzido para Teresina. Ele é natural da cidade maranhense e morava há 13 anos em São Paulo, onde trabalhava como mestre de obras e recebia cerca de R$ 15 mil por mês. Raimundo havia retornado ao Piauí há cinco meses para construir a casa de uma sobrinha.

Testemunhas e imagens de câmeras de segurança confirmaram que Raimundo ingeriu cerca de um litro de uísque e meio litro de cachaça em um bar próximo ao local do acidente, pouco antes da colisão.

 A defesa de Raimundo chegou a pedir a liberdade ao acusado, com um pedido de habeas corpus em que alegava que o réu tem bons antecedentes, era réu primário e possui endereço fixo e trabalho regular. Mas o juiz Valdemir Ferreira Santos, da Central de Inquéritos de Teresina, negou o pedido. O magistrado destacou que a manutenção da prisão preventiva de Raimundo Nonato é imprescindível para a manutenção da ordem pública, diante da gravidade do delito. Ele segue preso.

Postos de combustíveis no PI são interditados por suspeita de lavar dinheiro para o PCC

A atuação das facções criminosas voltou a ter destaque em novembro após a deflagração de uma operação que investigou a infiltração do PCC no setor de combustíveis no Estado do Piauí: Operação Carbono Oculto 86. Segundo as investigações, o grupo utilizava uma complexa estrutura de empresas de fachada, fundos de investimento e fintechs para lavar capitais ilícitos, fraudar o mercado de combustíveis e ocultar patrimônio. A polícia cumpriu mandados de busca e apreensão nas residências de empresas ligadas aos principais envolvidos, o bloqueio de bens e contas das empresas investigadas e interditou 49 postos de combustíveis.

Um dos alvos foi um endereço relacionado ao ex-vereador e ex-secretário Victor Linhares. Victor era secretário de Articulação Institucional da Prefeitura de Teresina até o começo da semana, quando deixou o cargo. Segundo a polícia, ele teria recebido via Pix uma transferência de R$ 230 mil da BK Bank, agente financeiro tradicionalmente conhecido como “Fintech do PCC”.

Postos de combustíveis no PI são interditados por suspeita de lavar dinheiro para o PCC - (Divulgação/SSP-PI) Divulgação/SSP-PI
Postos de combustíveis no PI são interditados por suspeita de lavar dinheiro para o PCC

O inquérito foi instaurado após a venda da Rede de Postos HD, conglomerado com dezenas de unidades distribuídas entre Piauí, Maranhão e Tocantins. A Polícia Civil identificou empresários e intermediários ligados à estrutura criminosa. Entre eles estão Haran Santhiago Girão Sampaio e Danillo Coelho de Sousa, antigos proprietários da Rede de Postos HD; Moisés Eduardo Soares Pereira e Salatiel Soido de Araújo, empregados e intermediários locais; Denis Alexandre Jotesso Villani, empresário paulista vinculado à Rede Diamante e Rogério Garcia Peres, gestor da Altinvest Gestão de Recursos, já apontado como operador financeiro do PCC.

O Ministério Público do Piauí (MPPI) ainda ofereceu uma denúncia na Justiça requerendo R$ 500 mil em indenização por danos morais coletivos contra Haran Santhiago Girão Sampaio e João Revoredo Mendes Cabral Filho.

De acordo com o processo, em 21 de março de 2023, no posto HD 11, localizado em Lagoa do Piauí, os acusados comercializavam óleo diesel fora das normas técnicas da Agência Nacional do Petróleo (ANP). O Procon identificou alta turbidez do produto, presença excessiva de água e violação dos padrões de qualidade, o que configurou risco ao consumidor e infração à legislação vigente. O MP apontou que Haran Santhiago e João Revoredo agiram em conjunto, permitindo a venda de combustível adulterado, mesmo cientes de suas responsabilidades técnicas e gerenciais.


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