Um projeto de lei que tramita na Assembleia Legislativa (Alepi) propõe criar o Dia Estadual dos Profetas da Chuva no Piauí. De autoria do deputado estadual Francisco Limma (PT), o texto foi protocolado hoje (27) no Legislativo. A ideia é incluir no calendário oficial do Estado o Dia Estadual dos Profetas da Chuva, a ser comemorado no dia 06 de janeiro.
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Profetas da Chuva são homens e mulheres do sertão nordestino que utilizam conhecimentos empíricos e tradicionais de observação detalhada da natureza, como flora, fauna, astros e fenômenos atmosféricos para prever o clima, especialmente as chuvas. Eles combinam estas observações com os saberes ancestrais ligados ao povo indígena, quilombolas e sertanejos.

A proposta é que todo dia 06 de janeiro possam se partilhar as experiências estudadas no decorrer do ano anterior e realizar o prognóstico para o inverno seguinte, além de revitalizar a cultura de profetizar a chuva através da inserção de novos membros no quadro de Profetas da Chuva. O projeto de lei também tem como objetivo realizar pesquisas sobre as insatisfações sociais em relação às mudanças climáticas, suas consequências e os avanços das políticas públicas no setor de preservação do meio ambiente.
De acordo com o documento protocolado pelo deputado Francisco Limma, o Dia do Profeta da Chuva no Piauí também estimulará o ensino, aprendizado e a prática sustentável do cultivo da terra com culturas adaptadas ao clima semiárido. “Entre as atividades, há rodas de prosas com a finalidade de manter a cultura dos saberes da chuva trazidos pelos antepassados, além de incentivar a realização de eventos de Encontros de Profetas da Chuva, visando atrair o turismo cultural e impulsão econômica regional”, diz a proposição.

Pelo projeto de lei, museus e órgãos de registros oficiais devem registrar tais saberes.
Ao justificar a proposta, o deputado Francisco Limma destacou que os Profetas da Chuva são estudiosos, autodidatas e observadores dos movimentos da natureza que desenvolveram uma intensa e perceptiva escuta do meio ambiente. “Por exemplo, se o Pau D’Arco florescer uniformemente, indica um ‘bom inverno’, se irregular, seca. Tal conhecimento vai auxiliar na decisão do melhor momento para o plantio, evitando perdas agrícolas”, explica o parlamentar.

A prática de observar os fenômenos da natureza para prever a chuva é conhecida há pelo menos 200 anos, com técnicas herdadas de indígenas, que mesclavam observação ambiental e rituais religiosos. No Nordeste, há registro de profetas da chuva no século XVII, que usavam os astros para prever se ia ou não chover.
Francisco Limma finaliza explicando que os Profetas da Chuva devem ser celebrados como símbolos de resistência cultural e se refere a eles como “meteorologistas rurais que conectam saberes da natureza do passado, presente e do futuro do sertão”.
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