O Piauí inicia o ano de 2026 sem o controle público sobre duas das áreas mais estratégicas para o desenvolvimento econômico e social do estado: energia e recursos hídricos. A liquidação da Agespisa (Águas e Esgotos do Piauí) em julho de 2024 e a privatização da Cepisa em 2018 marcaram o fim da presença direta do poder público na gestão desses setores essenciais.
A Cepisa, responsável pela distribuição de energia elétrica no estado, federalizada em 2010, teve o controle transferido à iniciativa privada após leilão realizado pela Eletrobrás em 2018, na Bolsa de Valores B3, em São Paulo. A vencedora foi a Equatorial Energia S.A., que assumiu definitivamente a administração e operação da rede elétrica piauiense.
Já a concessão da distribuição de água e esgoto nos 224 municípios piauienses foi vencida pela Aegea Saneamento e Participações S.A., em leilão realizado também na B3, em outubro de 2024. O contrato prevê investimentos de R$ 8,6 bilhões, com o objetivo de garantir a universalização do acesso à água e ao saneamento básico tanto nas zonas urbanas quanto nas rurais.
Apesar da vitória no leilão, a nova concessionária, Águas do Piauí, iniciou a operação de forma gradual. Durante os primeiros meses de 2025, o governo estadual manteve participação parcial nas atividades da empresa em um processo de transição que se estendeu até 26 de julho de 2025, prazo previsto em contrato para o repasse integral das operações.
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Em Teresina, a mudança foi mais rápida, pois a Aegea já atuava desde 2017 na capital, após vencer a subconcessão da rede de abastecimento e esgoto durante a gestão do ex-prefeito Firmino Filho, mediante pagamento de R$ 72 milhões pela outorga à Agespisa.
Debates e impasses na Alepi
A extinção da Agespisa gerou intensos debates na Assembleia Legislativa do Piauí (Alepi). Parlamentares e sindicatos criticaram o processo de liquidação, destacando o impacto sobre os servidores e a perda de autonomia do estado em áreas consideradas estratégicas.
O deputado Wilson Brandão (PP) ressaltou que a mudança representa mais um ciclo da administração pública, mas reconheceu o papel histórico de estatais que também foram privatizadas como a Telepisa (Telecomunicações do Piauí S/A) e o Fripisa (Frigorífico do Piauí S/A). “Nós vivemos vários ciclos da administração pública. A Agespisa, bem como a Cepisa, são patrimônios do povo piauiense criados na década de 1960 e prestaram grande serviço à sociedade piauiense no fornecimento de água e esgoto e na questão da expansão da rede elétrica”, afirmou.
Durante 2025, os deputados aprovaram projetos voltados à transição da Agespisa, incluindo medidas de fiscalização e acompanhamento da nova concessionária. Um dos pontos mais polêmicos foi o Plano de Demissão Voluntária (PDV), que deixou cerca de 240 servidores fora do programa. O deputado Gustavo Neiva (PP) foi um dos principais críticos da condução do processo.
“São cerca de 240 servidores que não quiseram aderir ao PDV (Programa de Demissão Voluntária), quiseram permanecer no serviço público e eu apresentei uma emenda para proteger o ganha pão desses servidores. Infelizmente, o Governo do Estado derrubou a minha emenda e esses servidores estão no limbo”,, declarou.
Outra voz crítica foi a da deputada Gracinha Mão Santa (PP), que cobrou mais transparência sobre os investimentos da nova concessionária. “Se esse investimento está sendo feito nos lugares, eles têm que explicar qual está sendo a prioridade, por onde estão começando e onde vão chegar. Tem que existir um cronograma claro, transparente e que a população entenda e que nós parlamentares também entendamos. Isso não é contra A, B ou C, isso é a favor de todos” disse.
Águas do Piauí promete investimentos e expansão dos serviços
Na última semana de 2025, a Águas do Piauí divulgou um balanço das ações executadas ao longo do primeiro ano de transição. Segundo a empresa, foram investidos R$ 200 milhões em projetos estruturantes, incluindo ampliação da produção e vazão de água, modernização de sistemas e combate aos efeitos da estiagem.
Entre as principais ações, a concessionária destacou o Plano de Enfrentamento à Estiagem, que recebeu R$ 83 milhões em recursos e retirou 15 municípios do mapa de déficit hídrico do estado. A empresa também informou que intensificou os planos operacionais do litoral, voltados para o período de férias, festas de fim de ano e alta temporada, quando o consumo de água aumenta significativamente.
Com o novo cenário, o Piauí vive em 2026 o primeiro ciclo da história recente sem empresas estatais controlando energia e saneamento. A expectativa é que os investimentos da iniciativa privada tragam avanços na infraestrutura e universalização dos serviços, mesmo sem o controle estatal.
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