O número de domicílios com energia solar no Piauí disparou mais de 1.200% em apenas cinco anos. O dado foi fornecido pela Equatorial Piauí e coloca o Estado como um dos crescimentos mais acelerados do país no setor da geração de energia limpa distribuída. Em dezembro de 2020, o Piauí tinha 11.896 domicílios sendo abastecidos com energia solar. Em dezembro de 2025, cinco anos depois, o número é de 158.272. O aumento foi de 1.230,46 pontos percentuais.
Para especialistas, o avanço demonstra uma tendência de mudança no perfil energético do Estado e tem relação direta com as características locais. A alta incidência solar posiciona o Piauí entre as regiões mais favoráveis do Brasil para geração de energia limpa. Ao mesmo tempo, o peso da conta de luz no orçamento familiar e empresarial funciona como um incentivo a mais para a migração.
Quem diz isso é Marco Melo, presidente da Apisolar, a Associação Piauiense das Empresas de Energia Solar. “Temos uma f das tarifas de energia mais elevadas do país, o que força as pessoas a buscarem alternativas”, explica. Outro fator que, segundo ele, impacta neste aumento, é o padrão de consumo. Por exemplo, o uso intensivo de aparelhos de ar-condicionado pelo piauiense.
“É um eletrodoméstico considerado essencial no nosso estado e que eleva a demanda energética, mesmo em faixas de renda semelhantes às de outras regiões. Isso aumenta a atratividade do investimento em sistemas solares, que podem reduzir em até 70% o valor da conta de luz”, diz o presidente da Apisolar.
Essa redução já vem sendo sentida pelo professor Carlos Duarte. Ele, que mora em um apartamento com mais quatro pessoas (esposa e filhos), instalou placas de energia solar há três anos e conta que o talão de luz reduziu em quase 80%.
“Antes a gente pagava cerca de R$ 500 até R$ 600 de energia e estava pesando tanto no bolso que eu achei mais vantagem investir nas placas de energia solar, reduzir o valor da conta de luz e pagar um valor menor da parcela do investimento. Hoje eu gasto bem menos do que antes. Fo um investimento de cerca de quase R$ 20 mil que já se pagou”, conta.
Desafios x impactos econômicos
Apesar do crescimento acelerado, o setor enfrenta desafios no Piauí. Entre eles, a cobrança do ICMS sobre a energia solar e entraves operacionais na aprovação de novos sistemas. Segundo Marco Melo, esses fatores hoje impactam mais o ritmo da expansão do que a demanda em si. “O mercado segue aquecido, mas há desincentivos que acabam freando esse avanço”, comenta.
A questão do ICMS, por exemplo, tem sido alvo de impasses judiciais entre o Estado e a Justiça. E outubro de 2025, a justiça determinou a suspensão do imposto cobrado sobre a energia solar produzida e redistribuída no Piauí. Mas consumidores denunciaram que as cobranças continuaram sendo feitas. Em dezembro a Justiça notificou a Equatorial Piauí e a Secretaria de Fazenda para que cessassem o imposto.
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O Estado recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF), pedindo a derrubada da liminar que retirou o ICMS da conta de energia solar. O argumento era que o que estava sendo cobrado era a TUSD (Taxa de Uso do Sistema de Distribuição). A energia solar excedente era jogada na rede elétrica e reutilizada pela unidade geradora. O imposto, segundo o Governo, estaria incidindo sobre esse excedente que entrava na rede.
O Supremo deferiu o pedido do Estado e autorizou a cobrança do ICMS sobre a energia solar no Piauí. Questionado sobre o assunto, o governador Rafael Fonteles já havia dito que o Estado seguiria a legislação federal e propôs uma mudança na lei. A proposta foi apresentada na semana passada pela bancada federal, propondo a isenção total de impostos sobre os sistemas de micro e minigeração com energia solar quando ela é compensada na rede elétrica.
O projeto ainda será apreciado pelas comissões temáticas na Câmara Federal.
Ainda assim, os impactos econômicos do uso da energia solar são relevantes. A Apisolar estima que a cadeia de energia solar gere cerca de 20 mil empregos diretos e indiretos no Piauí, além de atrair investimentos e estimular novos negócios. Para o futuro, a tendência é de continuidade do crescimento, ainda que com possíveis ajustes. A adoção de baterias para armazenamento de energia desponta como próxima fronteira tecnológica, podendo reduzir a dependência da rede elétrica e mitigar efeitos de tributações.
Ao mesmo tempo, mudanças na legislação federal e disputas em torno da taxação devem influenciar o ritmo dessa expansão. É o que esperam representantes do setor. “O crescimento traz interesse de arrecadação por parte do Estado, mas também aumenta a organização e a força política do setor. É uma disputa constante, mas a tendência, como no mundo inteiro, é de avanço nas energias renováveis”, avalia o presidente da Apisolar.
A reportagem do Portalodia.com procurou algum representante da Equatorial Piauí para comentar os impactos do avanço a energia elétrica solar no Estado, mas até o fechamento desta matéria, a empresa não havia dado retorno.
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