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Piauí tem a segunda menor perda de alunos do Nordeste, mas país não forma mão de obra técnica

Estudo da CNI mostra que o estado retém mais estudantes no Ensino Médio que a média do país, onde a maior escolaridade não tem virado formação técnica

30/09/2026 às 16h44

30/09/2026 às 17h00

O Piauí tem a segunda menor perda de alunos no Ensino Médio entre os estados do Nordeste, mas a permanência na escola, no estado e no restante do país, não tem se convertido em qualificação para o mercado de trabalho. É o que mostra o estudo "Uma revolução na Educação Brasileira", elaborado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e pela Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI) e publicado neste mês. Segundo o documento, o aumento da escolaridade dos brasileiros não acompanhou a crescente demanda por profissionais qualificados.

Estudo da CNI mostra que o estado retém mais estudantes no Ensino Médio que a média do país, onde a maior escolaridade não tem virado formação técnica. - (Reprodução/Secom Piauí) Reprodução/Secom Piauí
Estudo da CNI mostra que o estado retém mais estudantes no Ensino Médio que a média do país, onde a maior escolaridade não tem virado formação técnica.

Entre 2022 e 2024, a redução no número de alunos que saíram da 1ª série e chegaram à 3ª série foi de 21% no estado. No Brasil, a queda média foi de 22%. Com o resultado, o Piauí fica atrás apenas do Ceará (15%) no Nordeste, empatado com Tocantins e Paraná e do primeiro lugar, o estado de São Paulo a frente com 6%.

O desempenho é melhor que o de vizinhos regionais como Rio Grande do Norte (34%) e Sergipe (29%). Ainda assim, a CNI ressalta que manter o jovem na sala de aula é apenas a primeira etapa do desafio. A tese central do documento é que o aumento dos anos de estudo no país não tem se convertido em qualificação técnica nem em ganhos reais de produtividade para o setor produtivo.

De acordo com o levantamento, o Brasil enfrenta um quadro de "escolaridade sem aprendizagem suficiente". Embora o Piauí preserve mais estudantes até a conclusão da Educação Básica do que a média nacional, o relatório aponta que a falta de formação sólida em Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM), em todo o país, impede que a expansão do acesso escolar supra a demanda por profissionais capacitados.

O diagnóstico da entidade é que o problema tem origem na baixa aprendizagem das disciplinas exatas ainda nas séries iniciais e finais do Ensino Fundamental. No cenário nacional, a avaliação do PISA 2022 revelou que 73% dos estudantes brasileiros de 15 anos não atingem o nível mínimo de proficiência em matemática, e 55% apresentam desempenho insuficiente em ciências.

Essa lacuna na base se reflete no gargalo do Ensino Superior e da Educação Profissional e Tecnológica (EPT). Em 2023, apenas 15,5% dos graduados brasileiros concluíram cursos em carreiras de STEM, o que colocou o país na 47ª posição entre 48 nações analisadas pela OCDE.

Para analistas da CNI, a retenção escolar registrada no Piauí representa uma oportunidade para o estado avançar na oferta de Ensino Médio Integrado à Educação Técnica. O estudo argumenta que, para evitar o subemprego ou a estagnação de renda, as redes públicas precisam conectar a permanência do estudante a itinerários formativos em automação, tecnologia da informação e competências digitais.

Entre as recomendações prioritárias do relatório para transformar a retenção em qualificação efetiva estão a expansão de programas de incentivo, como as olimpíadas científicas, a exemplo da OBMEP, que reduz a evasão escolar e melhora as notas em exatas, a estruturação de laboratórios práticos nas escolas e o fortalecimento das licenciaturas em física, química, matemática e computação.