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Piauí tem 2ª maior proporção de PCDs do país, mas está entre os estados com menor ocupação, aponta IBGE

Levantamento aponta que apenas 22,1% das pessoas com deficiência em idade ativa estavam ocupadas no mercado de trabalho em 2022 no estado

22/09/2026 às 16h31

22/09/2026 às 16h31

O Piauí vive um contraste expressivo entre o tamanho de sua população com deficiência e as condições de inclusão socioeconômica oferecidas a esse grupo. Dados do IBGE divulgados nesta terça-feira (22) mostram que o estado tem a segunda maior proporção de pessoas com deficiência (PCD) do Brasil: são 299 mil pessoas, o equivalente a 9,3% da população com dois anos ou mais de idade. O índice fica atrás apenas do de Alagoas, líder nacional, com 9,6%.

IBGE aponta que apenas 22,1% das pessoas com deficiência em idade ativa estavam ocupadas em 2022. - (Reprodução/Freepik) Reprodução/Freepik
IBGE aponta que apenas 22,1% das pessoas com deficiência em idade ativa estavam ocupadas em 2022.

O quadro se inverte quando o recorte é o mercado de trabalho. Em 2022, apenas 22,1% das pessoas com deficiência em idade ativa estavam ocupadas, seja no mercado formal ou informal, o segundo pior resultado do país, à frente somente da Paraíba, com 22%. Entre a população sem deficiência no Piauí, a taxa de ocupação chega a 45,5%, mais que o dobro do índice registrado para PCDs.

Apenas 18,75% dos municípios têm conselhos de PCD ativos

A dificuldade de inserção no mercado de trabalho tem relação direta com a fragilidade das políticas municipais de apoio a esse público. Segundo a Pesquisa de Informações Básicas Municipais (Munic), do IBGE, apenas 52 dos 224 municípios piauienses possuíam, em 2023, Conselhos Municipais dos Direitos da Pessoa com Deficiência formalmente registrados.

O número cai ainda mais quando se considera a efetividade desses órgãos: somente 42 municípios (18,75%) mantêm os conselhos em funcionamento. Nessas cidades vivem cerca de 159 mil pessoas com deficiência, o que significa que quase metade da população PCD do estado (46,6%) está em municípios sem estrutura ativa para a defesa de seus direitos.

Escolas públicas superam rede privada em suporte a alunos com deficiência

A educação, etapa fundamental para qualificar PCDs ao mercado de trabalho, também expõe desigualdades, ainda que com avanços recentes no setor público. Segundo o Censo Escolar de 2025, 25,2% das escolas públicas do Piauí possuem salas de Atendimento Educacional Especializado (AEE), contra 17,2% na rede privada. A diferença se repete entre os profissionais de apoio pedagógico, presentes em 32,1% das escolas estaduais, mas em apenas 3,3% das particulares.

O cenário mostra que, apesar dos avanços da rede pública na estruturação de ambientes e equipes voltados à inclusão escolar, o gargalo para a autonomia financeira das pessoas com deficiência no Piauí segue concentrado na transição para o mercado de trabalho e no fortalecimento das instâncias municipais de direitos.