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Namorado de Tatiana Medeiros é condenado a quase 18 anos por cinco crimes

Alandilson Cardoso Passos chegou a declarar ter aportado quantia milionária na campanha da vereadora Tatiana Medeiros

27/04/2026 às 19h24

27/04/2026 às 19h24

O namorado da vereadora Tatiana Medeiros, Alandilson Cardoso Passos, foi condenado pela Justiça Eleitoral a 17 anos, nove meses e cinco dias de reclusão, com início da pena em regime fechado. Apontado como um dos líderes do esquema, ao lado da parlamentar, ele responde pelos crimes de organização criminosa, corrupção eleitoral, usura, violação de sigilo de voto e lavagem de dinheiro. A decisão ainda prevê sete anos, dois meses e 23 dias de detenção, mais 471 dias-multa.

Alandilson Cardoso Passos teria alimentado contas de familiares de Tatiana Medeiros.  - (Divulgação/Polícia Civil) Divulgação/Polícia Civil
Alandilson Cardoso Passos teria alimentado contas de familiares de Tatiana Medeiros.

Como Alandilson permanece preso cautelarmente desde abril de 2025, já cumpriu um ano e 24 dias, que serão descontados da pena, restando 16 anos, oito meses e 11 dias de reclusão.

As investigações o apontam não como mero apoiador eventual, mas como principal financiador do grupo que liderava ao lado de Tatiana Medeiros. Diálogos extraídos de seu celular e do aparelho da candidata mostram que ele aportou valores expressivos na campanha. Em conversa com um terceiro, Alandilson estimou o investimento em cerca de “um milhão e meio de reais”, afirmando que, com a vitória, “estamos com um mandato lá” e que faria “muitos negócios agora … lá na Câmara a vereadora pra lhe ajudar”.

Essa expressão, aliada ao reconhecimento posterior de Maria Odélia — mãe de Tatiana — de que a vereadora “só ganhou por causa da sua ajuda”, revela que o mandato era visto pelo próprio acusado e pelo núcleo familiar da candidata como um ativo político-institucional a serviço do grupo.

A análise bancária indica que Alandilson alimentava contas do padrasto de Tatiana, Stênio Ferreira Santos, e de outros integrantes, que atuavam como canais de saque e redistribuição. Há registros de operações em que Stênio informa a Maria Odélia ter realizado saques fracionados que totalizam R$ 50 mil, mencionando estar em agência bancária “com Alandilson, que vai levar em espécie”. Em resposta, Maria Odélia afirma que irá “somar as coisas dele tudinho pra ver o que foi pago”, numa espécie de prestação de contas interna.

Alandilson e Tatiana Medeiros chegaram a realizar chamadas de vídeo enquanto estavam presos.  - (Divulgação/Polícia Federal) Divulgação/Polícia Federal
Alandilson e Tatiana Medeiros chegaram a realizar chamadas de vídeo enquanto estavam presos.

O Delegado Federal Daniel Araújo, em juízo, destacou que a atuação financeira ligada ao Instituto Vamos Juntos e à campanha de Tatiana era fartamente abastecida por aportes de Alandilson, que se valia de pessoas jurídicas e contas de terceiros para movimentar valores sem lastro compatível com atividade lícita.

Além de financiador, a sentença o insere como participante ativo do esquema, com mensagens, imagens e documentos que o vinculam a atos de compra de votos, violação de sigilo do voto e prática de usura.

Ao todo, nove réus foram julgados no processo. Entre eles estão familiares diretos da vereadora: a mãe, Maria Odélia de Aguiar Medeiros; o padrasto, Stênio Ferreira Santos; a irmã, Bianca dos Santos Teixeira Medeiros; o cunhado, Lucas de Carvalho Dias Sena. A assessora Emanuelly Pinho de Melo, que ocupava cargo no gabinete da vereadora na Câmara Municipal e os funcionários da ONG Vamos Juntos, Bruna Raquel Lima Sousa e Sávio de Carvalho França.


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