O mês de março, marcado nacionalmente por campanhas de conscientização e valorização das mulheres, terminou com um dado alarmante no Piauí em 2025: foi o período com o maior número de feminicídios no estado ao longo do ano. As informações constam no 1º Boletim de Dados de Feminicídio, divulgado pela Secretaria de Segurança Pública do Piauí (SSP-PI) nesta terça-feira (31).
Ao todo, março concentrou nove dos 37 casos registrados em 2025, o equivalente a 24,32% do total. O número chama atenção justamente por coincidir com o chamado "mês da mulher", período em que se intensificam debates sobre proteção, direitos e enfrentamento à violência de gênero.
Logo atrás aparece janeiro, com oito registros, sendo o segundo mês mais letal. Juntos, os dois meses concentram quase metade de todos os feminicídios do ano, indicando uma distribuição desigual e preocupante ao longo do calendário.
A capital, Teresina, lidera o ranking de ocorrências, com nove casos. Por ser a cidade mais populosa do estado, a concentração de registros segue uma tendência comum em grandes centros urbanos, onde também há maior número de notificações. Em seguida aparece Parnaíba, com seis casos, e Dom Expedito Lopes, com dois. Os outros 20 casos estão distribuídos em diferentes municípios, com um registro cada, o que evidencia que a violência atinge tanto grandes cidades quanto localidades menores.
Outro dado relevante diz respeito ao histórico das vítimas com os agressores. Das 37 mulheres assassinadas, 29 já haviam registrado boletim de ocorrência contra o autor da violência. Apesar disso, a maioria, 33 vítimas, o equivalente a 89,2%, não possuía medida protetiva.
A residência da vítima foi o principal local dos crimes. Em 22 casos (59,5%), o feminicídio ocorreu dentro de casa, o que reforça o caráter doméstico e íntimo da violência, muitas vezes invisível até que atinja desfechos extremos.
Em relação aos autores, os ex-companheiros lideram os registros, sendo responsáveis por nove casos (24,3%). Na sequência aparecem companheiros atuais, com seis ocorrências (16,2%), e esposos ou maridos, com três casos (8,1%).
Quanto aos meios utilizados, a maior parte dos crimes foi cometida com arma branca, representando 37,8% dos casos. Armas de fogo aparecem em seguida, com 18,9%, e o envenenamento corresponde a 10,8%.
A análise temporal também revela um padrão significativo: o domingo é o dia com maior incidência, concentrando 10 dos 37 casos (27,3%). Em seguida vêm a segunda-feira e o sábado, com seis registros cada (16,22%).
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