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Justiça Federal suspende obras da usina de hidrogênio verde em Parnaíba após pedido do MPF

Decisão determina paralisação imediata do projeto bilionário da Solatio H2V Piauí por falta de outorga hídrica e risco ambiental; multa pode chegar a R$ 1 milhão em caso de descumprimento.

14/01/2026 às 19h03

A Justiça Federal determinou a suspensão imediata das obras da usina de hidrogênio e amônia verde em Parnaíba, no litoral do Piauí. A decisão liminar provisória atende a um pedido do Ministério Público Federal (MPF) e estabelece multa de R$ 1 milhão em caso de descumprimento.

Obras para instalação de parque industrial de hidrogênio verde iniciaram no primeiro semestre em Parnaíba - (Divulgação Secom) Divulgação Secom
Obras para instalação de parque industrial de hidrogênio verde iniciaram no primeiro semestre em Parnaíba

O empreendimento, conduzido pela empresa espanhola Solatio H2V Piauí, está orçado em R$ 27 bilhões e começou a ser construído no primeiro semestre de 2025. Quando em operação, a planta teria capacidade para produzir 400 mil toneladas de hidrogênio verde e 2,2 milhões de toneladas de amônia verde por ano, sendo considerada uma das maiores do tipo no país. O projeto é resultado de uma articulação entre o Governo do Piauí e a União Europeia.

Irregularidades no licenciamento ambiental

O MPF questionou a validade do licenciamento estadual concedido para o início das obras, alegando ausência de outorga de direito de uso de recursos hídricos, necessária para a captação prevista de mais de 91 milhões de litros de água por dia no Rio Parnaíba pelo empreendimento.

O projeto da usina no estado é da empresa espanhola Solatio H2V Piauí. - (Divulgação/Governo do Piauí) Divulgação/Governo do Piauí
O projeto da usina no estado é da empresa espanhola Solatio H2V Piauí.

Como o rio é de domínio da União, o documento deveria ter sido emitido pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). Além disso, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) havia emitido parecer técnico desfavorável, alertando para risco de sobrecarga e colapso de tensão nas linhas de transmissão da região.

A decisão judicial aponta que a execução de um projeto dessa magnitude, sem comprovação de viabilidade hídrica e elétrica, fere os princípios da precaução ambiental e da proteção ao meio ambiente ecologicamente equilibrado.

Riscos ambientais e novas exigências

O juiz responsável destacou o risco de danos graves e irreversíveis ao meio ambiente, com possíveis impactos em unidades de conservação federais, como o Delta do Parnaíba, além de afetar o modo de vida das comunidades tradicionais que dependem do rio para subsistência.

De acordo com a decisão, a Solatio H2V Piauí deverá iniciar um novo processo de outorga junto à ANA em até 15 dias e paralisar todas as atividades no canteiro de obras. O Ibama, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) também foram intimados a fornecer informações técnicas sobre os impactos interestaduais e a viabilidade regulatória do projeto no setor elétrico.

O Portal O Dia entrou em contato com a Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh) e a Secretaria de Comunicação do Governo do Piauí, mas até o fechamento desta reportagem não obteve uma nota de esclarecimento sobre a decisão, o espaço segue aberto para manifestação.;


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Com informações do MPF