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Composição no Piauí foi definida de forma precipitada e gerou descompasso nacional, analisa Flávio Nogueira

Deputado avalia que antecipação dos acordos estaduais pode colidir com as articulações de Lula para ampliar alianças no país.

12/02/2026 às 15h38

Os arranjos para a composição da chapa majoritária da base do Partido dos Trabalhadores no Piauí e proporcional foram realizados de forma apressada e antecipada em relação ao cenário nacional, o que pode trazer prejuízos às negociações políticas locais. A avaliação é do deputado federal Flávio Nogueira (PT), em entrevista nesta quinta-feira (12) ao Sistema O Dia. Segundo ele, o presidente Lula tem se articulado para atrair mais partidos de centro pensando na reeleição, e esse movimento pode interferir em acordos firmados no estado desde 2022.

Flávio Nogueira (PT) acredita que os acordos no estado deveriam ser alinhado as questões nacionais.  - (Assis Fernandes/O DIA) Assis Fernandes/O DIA
Flávio Nogueira (PT) acredita que os acordos no estado deveriam ser alinhado as questões nacionais.

No plano nacional, já existe a discussão de uma possível composição com o MDB na vice-presidência, substituindo Geraldo Alckmin e retomando uma aliança que finalizou com o impeachment de Dilma Rousseff em 2016, quando Michel Temer assumiu a presidência. Lula, que na última disputa aproximou um oposicionista histórico para compor a vice, agora tenta se fortalecer com um nome emedebista, movimento que tem gerado reações favoráveis e contrárias.

No Piauí, o cenário seguiu caminho inverso, com a substituição de Themístocles Filho (MDB) por um candidato a vice do próprio Partido dos Trabalhadores. Para o Senado, a base apoia o emedebista Marcelo Castro e o presidente estadual do PSD, Júlio César. O PSD, por sua vez, deve lançar um nome próprio à Presidência para disputar contra Lula, podendo ser Eduardo Leite, Ronaldo Caiado ou Ratinho Júnior. Apesar disso, o presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab, afirmou que respeitará o acordo estadual, mantendo o partido no palanque de Lula, mesmo com candidato próprio.

Rafael Fonteles optou por não manter Themístocles como vice.  - (Divulgação/CCOM) Divulgação/CCOM
Rafael Fonteles optou por não manter Themístocles como vice.

“Às vezes há um descompasso entre o que pensa o estado regionalmente e o que pensa Brasília. Pode ser que dê certo, porque há lá em cima uma disputa muito grande, de qual partido aliado ao outro, e a chamada disputa de poder, então os partidos estão se movimentando, vendo quem possa ter um candidato competitivo, para disputar esse embate político com o Lula”, disse Flávio Nogueira.

Segundo o parlamentar, existem duas eleições importantes em jogo: a da Presidência da República e a da composição do Congresso Nacional. Ele afirmou que, nos últimos três anos, o presidente Lula tem enfrentado dificuldades para aprovar PECs, medidas provisórias e projetos de lei, exigindo negociações constantes a cada votação.

“A oposição legitimamente não aprova, derruba, uma PEC de interesse do governo e muitas vezes as medidas provisórias e a imprensa explora que o governo perdeu no Congresso e isso é ruim até para os interesses nacionais”, declarou.

 Lula articula a substituição de Alckmin na vice, com um nome do MDB.  - (Marcelo Camargo/Agência Brasil) Marcelo Camargo/Agência Brasil
Lula articula a substituição de Alckmin na vice, com um nome do MDB.

Flávio Nogueira afirmou ainda que o cenário político em Brasília tem passado por mudanças constantes, incluindo a aproximação de partidos que são oposição no plano nacional e estadual, como o Progressistas. Para ele, decisões tomadas antecipadamente no estado podem sofrer impacto direto das articulações nacionais, já que o principal objetivo do PT é a reeleição de Lula.

“Pode haver mudanças, mas se tratando de não ocorrer essa mudança, por que foi um acordo e deve ser cumprido, embora eu digo que não deveria ter sido feito, o interesse maior do PT é reeleger o presidente Lula, para isso se possível fazer alianças, principalmente com o centro, e há essa movimentação do PSD e do próprio Progressistas, para que tenha repercussão no Piauí e nos outros estados”, concluiu.


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