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Como instalar energia solar? Especialista aponta principais critérios para quem está começando

Engenheiro alerta para riscos estruturais, necessidade de manutenção e cuidados na contratação para evitar prejuízos e garantir eficiência dos sistemas ao longo dos anos.

23/04/2026 às 12h55

23/04/2026 às 12h55

A instalação de sistemas de energia solar em residências exige uma série de cuidados prévios que vão desde a avaliação da estrutura do imóvel até a escolha de profissionais qualificados. A orientação é do engenheiro eletricista e professor Marcos Lira, que, em entrevista para o Sistema O Dia, destacou a importância de planejamento técnico antes da adoção da tecnologia, cada vez mais presente em telhados de casas e prédios.

De acordo com o profissional, um dos primeiros pontos a serem considerados é o peso das placas solares e a capacidade da estrutura em suportá-las. “Uma placa pesa, em média, 18 quilos. Em uma residência com 20 placas, isso representa cerca de 360 quilos. Nem todo telhado tem essa preparação”, explica.

Como instalar energia solar? Especialista aponta principais critérios para quem está começando - (Assis Fernandes/O Dia) Assis Fernandes/O Dia
Como instalar energia solar? Especialista aponta principais critérios para quem está começando

A análise estrutural, de acordo com o especialista, é essencial, principalmente quando relacionada a imóveis mais antigos, que podem acabar exigindo reforços ou adaptações antes da instalação.

A escolha de quem irá executar o serviço também é apontada pelo professor como um fator decisivo para evitar problemas futuros. Marcos Lira afirma que a contratação baseada apenas no menor preço pode resultar em prejuízos.

“Muitas vezes o cliente olha para o preço, mas o barato pode sair caro. Existem empresas que utilizam equipamentos de procedência duvidosa ou que não oferecem suporte após a instalação”, diz. Ele recomenda verificar a reputação da empresa, certificações dos equipamentos e histórico de atuação no mercado.

Outro aspecto relevante, de acordo com o engenheiro, é a durabilidade do sistema. As placas solares são projetadas para funcionar por décadas, mas demandam manutenção periódica. “Estamos falando de um sistema que pode durar de 25 a 30 anos. Nesse período, é fundamental garantir assistência técnica e revisões”, afirma.

A limpeza das placas, por exemplo, deve ser realizada ao menos uma vez por ano, especialmente em regiões com grande incidência de poeira. “A sujeira pode reduzir a geração de energia em cerca de 10%”, acrescenta.

Como instalar energia solar? Especialista aponta principais critérios para quem está começando - (O Dia TV) O Dia TV
Como instalar energia solar? Especialista aponta principais critérios para quem está começando

O engenheiro também chama atenção para erros comuns durante a instalação, como o manuseio inadequado das placas. “Caminhar sobre elas pode causar microfissuras que comprometem o desempenho e não são cobertas pela garantia”, explica. Em geral, a garantia dos fabricantes varia entre 10 e 15 anos e cobre apenas defeitos de fabricação.

Além da estrutura e da instalação, o posicionamento das placas influencia diretamente na eficiência do sistema. A orientação ideal, segundo o especialista, é que os módulos sejam instalados voltados para o norte, aproveitando melhor a incidência solar ao longo do dia. A quantidade de placas, por sua vez, deve ser dimensionada conforme o consumo mensal de energia da sua residência.

Outro ponto que costuma gerar dúvidas entre consumidores é o funcionamento do sistema em casos de queda de energia. Marcos Lira esclarece que, por segurança, o sistema solar é desligado automaticamente nessas situações.

“Muita gente acredita que vai continuar com energia em casa, mas isso não acontece. É uma medida para evitar acidentes na rede elétrica”, afirma. O engenheiro eletricista menciona que o uso de baterias para armazenamento já é uma alternativa disponível, embora ainda não seja amplamente adotada.

Para moradores de apartamentos ou condomínios sem espaço para instalação, há a opção de aderir a sistemas de geração compartilhada. Nesse modelo, a energia é produzida em outro local e compensada na conta do consumidor. “É uma alternativa para quem não tem área disponível, mas quer reduzir os custos com energia”, explica.

No Piauí, consumidores que produzem a própria energia por meio de sistemas solares não pagam ICMS sobre a energia gerada, conforme regras previstas em convênio nacional. Ainda assim, permanecem cobranças relacionadas à distribuição e manutenção da rede elétrica, já que o usuário continua conectado ao sistema convencional.

Diante da expansão da energia solar, Marcos Lira reforça que informação e planejamento são fundamentais para garantir segurança e retorno do investimento. “Não basta apenas instalar. É preciso entender todo o processo, desde a estrutura até a manutenção, para que o sistema funcione corretamente ao longo dos anos”, conclui.


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Com edição de Ithyara Borges.