A instalação de sistemas de energia solar em residências exige uma série de cuidados prévios que vão desde a avaliação da estrutura do imóvel até a escolha de profissionais qualificados. A orientação é do engenheiro eletricista e professor Marcos Lira, que, em entrevista para o Sistema O Dia, destacou a importância de planejamento técnico antes da adoção da tecnologia, cada vez mais presente em telhados de casas e prédios.
De acordo com o profissional, um dos primeiros pontos a serem considerados é o peso das placas solares e a capacidade da estrutura em suportá-las. “Uma placa pesa, em média, 18 quilos. Em uma residência com 20 placas, isso representa cerca de 360 quilos. Nem todo telhado tem essa preparação”, explica.
A análise estrutural, de acordo com o especialista, é essencial, principalmente quando relacionada a imóveis mais antigos, que podem acabar exigindo reforços ou adaptações antes da instalação.
A escolha de quem irá executar o serviço também é apontada pelo professor como um fator decisivo para evitar problemas futuros. Marcos Lira afirma que a contratação baseada apenas no menor preço pode resultar em prejuízos.
“Muitas vezes o cliente olha para o preço, mas o barato pode sair caro. Existem empresas que utilizam equipamentos de procedência duvidosa ou que não oferecem suporte após a instalação”, diz. Ele recomenda verificar a reputação da empresa, certificações dos equipamentos e histórico de atuação no mercado.
Outro aspecto relevante, de acordo com o engenheiro, é a durabilidade do sistema. As placas solares são projetadas para funcionar por décadas, mas demandam manutenção periódica. “Estamos falando de um sistema que pode durar de 25 a 30 anos. Nesse período, é fundamental garantir assistência técnica e revisões”, afirma.
A limpeza das placas, por exemplo, deve ser realizada ao menos uma vez por ano, especialmente em regiões com grande incidência de poeira. “A sujeira pode reduzir a geração de energia em cerca de 10%”, acrescenta.
O engenheiro também chama atenção para erros comuns durante a instalação, como o manuseio inadequado das placas. “Caminhar sobre elas pode causar microfissuras que comprometem o desempenho e não são cobertas pela garantia”, explica. Em geral, a garantia dos fabricantes varia entre 10 e 15 anos e cobre apenas defeitos de fabricação.
Além da estrutura e da instalação, o posicionamento das placas influencia diretamente na eficiência do sistema. A orientação ideal, segundo o especialista, é que os módulos sejam instalados voltados para o norte, aproveitando melhor a incidência solar ao longo do dia. A quantidade de placas, por sua vez, deve ser dimensionada conforme o consumo mensal de energia da sua residência.
Outro ponto que costuma gerar dúvidas entre consumidores é o funcionamento do sistema em casos de queda de energia. Marcos Lira esclarece que, por segurança, o sistema solar é desligado automaticamente nessas situações.
“Muita gente acredita que vai continuar com energia em casa, mas isso não acontece. É uma medida para evitar acidentes na rede elétrica”, afirma. O engenheiro eletricista menciona que o uso de baterias para armazenamento já é uma alternativa disponível, embora ainda não seja amplamente adotada.
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Para moradores de apartamentos ou condomínios sem espaço para instalação, há a opção de aderir a sistemas de geração compartilhada. Nesse modelo, a energia é produzida em outro local e compensada na conta do consumidor. “É uma alternativa para quem não tem área disponível, mas quer reduzir os custos com energia”, explica.
No Piauí, consumidores que produzem a própria energia por meio de sistemas solares não pagam ICMS sobre a energia gerada, conforme regras previstas em convênio nacional. Ainda assim, permanecem cobranças relacionadas à distribuição e manutenção da rede elétrica, já que o usuário continua conectado ao sistema convencional.
Diante da expansão da energia solar, Marcos Lira reforça que informação e planejamento são fundamentais para garantir segurança e retorno do investimento. “Não basta apenas instalar. É preciso entender todo o processo, desde a estrutura até a manutenção, para que o sistema funcione corretamente ao longo dos anos”, conclui.
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