Enquanto no Congresso Nacional avançam discussões sobre a redução da jornada de trabalho, como a proposta do fim da escala 6x1, professores da Universidade Estadual do Piauí (Uespi) apontam preocupação com um projeto enviado pelo Governo do Estado à Assembleia Legislativa do Piauí (Alepi) que pode ampliar a carga de trabalho de docentes da instituição. A proposta do Executivo, encaminhada na segunda-feira (9), cria o Programa de Gestão Especial da Oferta (PGEO).
O projeto estabelece um plano de gestão voltado para professores do ensino superior, incluindo docentes da Uespi. Pelo texto em tramitação, educadores interessados em ministrar disciplinas que atualmente estão sem professores poderão lecionar acima da carga horária regular, por período determinado e de forma excepcional.
O novo reitor da universidade, professor Paulo Henrique, informou em entrevista à imprensa em janeiro deste ano, que, a cada semestre, a instituição registra cerca de 300 disciplinas sem docentes, destacando a necessidade de ampliar o quadro de profissionais para suprir essa demanda.
Dentro da proposta apresentada pelo governo, os professores que aderirem ao programa receberão uma bolsa de auxílio, que não será incorporada ao salário e não gerará reflexos previdenciários nem alteração no regime jurídico. Docentes em regime temporário também poderão participar do programa, que deverá ser executado em parceria entre instituições de ensino e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Piauí (Fapepi).
LEIA TAMBÉM
- Breno Macedo aposta em legado de Firmino Filho para conquistar bases em 2026
- Condomínios em Teresina podem ser isentos da taxa do lixo em nova proposta do IPTU 2026
- STF suspende medidas federais que poderiam impedir serviços de saúde no Piauí
- Reajuste de 6% para professores de Teresina é aprovado na Câmara e segue para sanção
Para representantes da categoria, no entanto, a medida levanta questionamentos sobre os impactos na rotina acadêmica. Segundo o diretor Daniel Solon, do Sindicato dos Docentes da Uespi (Adcesp), o projeto não foi previamente apresentado à categoria para discussão mais ampla com professores e instâncias da universidade e de que a proposta poderá causar impactos na saúde dos docentes.
“A gente sabe que uma das causas do adoecimento docente hoje na universidade é pelo aumento da carga horária de trabalho. É muito trabalho, é muita cobrança por produção, e tem muito adoecimento docente por conta disso”, disse.
Solon destacou que medidas de grande impacto como essa necessitam de uma discussão mais ampla dentro da universidade, envolvendo colegiados, conselhos e a própria categoria docente.
O sindicato também aponta a necessidade de avançar em pautas discutidas anteriormente com o governo estadual, como a equiparação salarial e o piso do magistério, além da convocação de 47 professores aprovados no último concurso público. Segundo a entidade, a nomeação desses profissionais poderia contribuir para reduzir o número de disciplinas atualmente sem docentes.
“A convocação tem o respaldo do próprio governo, ele disse em uma reunião pública no dia 23 de fevereiro que faria a nomeação desses professores e é isso que o sindicato tem cobrado, insistentemente nos últimos meses pela efetivação desses professores através de nomeação”, declarou.
Você quer estar por dentro de todas as novidades do Piauí, do Brasil e do mundo? Siga o Instagram do Sistema O Dia e entre no nosso canal do WhatsApp se mantenha atualizado com as últimas notícias. Siga, curta e acompanhe o líder de credibilidade também na internet.