O Piauí volta a somar um caso à lista de resgates de trabalho escravo no estado. Uma ação conjunta da Polícia Federal, da Auditoria-Fiscal do Trabalho e do Ministério Público do Trabalho (MPT-PI) resgatou 35 trabalhadores em situação análoga à escravidão em uma fazenda na zona rural de Santa Filomena, no Sudoeste do estado.
Um levantamento do MPT-PI, de maio deste ano, mostra que, de 2020 a 2026, pelo menos 501 pessoas foram retiradas de situações análogas à escravidão ou de trabalho degradante no Piauí, uma média superior a seis trabalhadores por mês.
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A fiscalização identificou irregularidades nas condições de trabalho e moradia na propriedade, entre elas a estrutura usada para armazenar a água destinada ao consumo dos trabalhadores, que estava sem condições adequadas de higiene, com presença de rãs, incluindo um animal morto, e material com aparência de fezes.
A maioria das vítimas veio de municípios maranhenses, recrutados em suas cidades de origem antes de serem levados até a fazenda piauiense. As equipes de fiscalização apontam indícios de tráfico de pessoas para fins de exploração laboral, e a Polícia Federal ficou responsável por investigar como ocorreu o recrutamento e o deslocamento até o Piauí.
Após a constatação das irregularidades, os trabalhadores foram retirados das atividades na fazenda. Os responsáveis pela propriedade foram notificados a pagar as verbas rescisórias e os demais direitos trabalhistas, além de arcar com hospedagem, alimentação e o retorno de cada trabalhador ao seu município de origem.
Um inquérito policial vai apurar os fatos e responsabilizar os envolvidos, que podem responder pelo crime de redução de pessoas à condição análoga à de escravo. A depender do resultado das investigações sobre o recrutamento no Maranhão, a resposta penal pode incluir também o crime de tráfico de pessoas para fins de exploração laboral.