Uma pesquisadora de um instituto especializado em peste morreu após apresentar pneumonia de causa ainda não determinada na região de Irkutsk, na Sibéria, na Rússia. O caso levou cerca de 200 pessoas que tiveram contato com ela a serem colocadas em quarentena ou sob acompanhamento médico, enquanto as autoridades investigam a origem da infecção
Segundo a Rospotrebnadzor, principal agência russa de saúde pública e vigilância epidemiológica, os exames realizados não identificaram microrganismos relacionados à atividade profissional da pesquisadora e negou a ocorrência de um acidente envolvendo agentes biológicos. A funcionária trabalhava em um instituto especializado em doenças infecciosas e morreu na sexta-feira (02), em um hospital de Shelekhov, cidade próxima a Irkutsk.
Antes dos esclarecimentos oficiais, veículos locais e publicações nas redes sociais divulgaram a informação de que a pesquisadora teria deixado cair um tubo de ensaio durante o trabalho no laboratório. A versão não foi confirmada pelas autoridades russas, que afirmaram não ter encontrado evidências de acidente durante o manuseio de patógenos.
A preocupação aumentou porque a região possui reservatórios naturais da bactéria Yersinia pestis, causadora da peste, entre populações de pequenos roedores. A doença também permanece presente em focos naturais de regiões da África, Ásia e Américas, o que exige acompanhamento das autoridades de saúde.
O que é a peste pneumônica?
A peste é uma doença infecciosa causada pela bactéria Yersinia pestis e pode se apresentar nas formas bubônica, septicêmica e pneumônica. Segundo o Ministério da Saúde, a forma pneumônica compromete os pulmões e pode ser transmitida por gotículas eliminadas durante a tosse.
Diferentemente da forma bubônica, cuja transmissão ocorre principalmente pela picada de pulgas infectadas, a peste pneumônica pode passar de uma pessoa para outra por meio de secreções respiratórias. A transmissão é maior durante o período sintomático, quando há maior presença da bactéria no organismo.
O período de incubação da peste pneumônica costuma variar de um a três dias. A doença pode evoluir rapidamente e, por isso, o Ministério da Saúde recomenda que o tratamento com antibióticos seja iniciado de forma precoce, sem aguardar os resultados dos exames laboratoriais.
A peste pode ser encontrada em populações de roedores silvestres em áreas onde a bactéria permanece circulando. Por isso, o contato com esses animais e com pulgas infectadas é uma das principais formas de prevenção.
Qual é o risco no caso da Rússia
Após a morte da pesquisadora, cerca de 200 pessoas que tiveram contato com ela foram colocadas em quarentena ou passaram a ser acompanhadas pelas autoridades de saúde. Partes do hospital onde a mulher morreu também foram isoladas durante a investigação.
Segundo informações divulgadas pela agência sanitária russa, dois casos de Covid-19 e dois de rinovírus foram identificados entre os contatos da pesquisadora. Nenhum outro caso de doença infecciosa relacionado ao episódio havia sido registrado, de acordo com as autoridades.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou que, com as informações disponíveis, o risco à saúde pública para a população em geral parecia baixo. A entidade também informou que uma nova avaliação poderá ser realizada à medida que mais dados sobre o caso forem divulgados.
Peste existe no Brasil?
A peste continua sendo considerada uma doença de importância epidemiológica no Brasil. Segundo o Ministério da Saúde, existem focos naturais no país, incluindo o foco do Nordeste e o de Teresópolis, no Rio de Janeiro.
Apesar da presença histórica da bactéria em áreas de circulação de roedores silvestres, o Brasil não registra casos humanos de peste desde 2005. O último caso ocorreu em Pedra Branca, no Ceará.