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Fundeb: Ministério Público investiga perda de recursos do fundo em Cocal de Telha

Município foi considerado inapto para receber a complementação VAAR em 2026 após não cumprir indicador relacionado à redução das desigualdades de aprendizagem entre estudantes vulneráveis.

16/07/2026 às 11h00

O Ministério Público do Piauí (MPPI) instaurou um procedimento administrativo para acompanhar e fiscalizar as medidas adotadas pelo município de Cocal de Telha após a perda da complementação VAAR do Fundeb para o exercício de 2026. A portaria foi assinada pelo promotor de Justiça Francildo Corrêa Teixeira e tem como objetivo apurar as razões que levaram o município ao descumprimento da Condicionalidade III prevista na Lei Federal nº 14.1113/2020.

Fundeb: Ministério Público investiga perda de recursos do fundo em Cocal de Telha - (Marcello Casal Jr/ Agência Brasil) Marcello Casal Jr/ Agência Brasil
Fundeb: Ministério Público investiga perda de recursos do fundo em Cocal de Telha

Segundo a portaria, o Cocal de Telha foi considerado inabilitado para receber recursos adicionais do Valor Aluno Ano por Resultado (VAAR) porque não cumpriu, em 2025, o requisito da redução de desigualdades educacionais socioeconômicas e raciais, aferido com base nos indicadores do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb). A inabilitação implica a perda da complementação financeira da União destinada ao fortalecimento da educação básica.

Na portaria, o Ministério Público destaca que os dados oficiais disponibilizados pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) e pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) apontam que a rede municipal de Cocal de Telha não conseguiu reduzir, ou ampliou, as diferenças de aprendizagem entre estudantes pretos, pardos, indígenas e de menor nível socioeconômico em relação aos demais alunos.

Com a abertura do procedimento, a Prefeitura e a Secretaria Municipal de Educação de Cocal de Telha serão oficialmente notificados e terão prazo de 30 dias para apresentar esclarecimentos sobre os motivos do descumprimento da condicionalidade, além de encaminhar documentos que comprovem as medidas adotadas para recuperação da aprendizagem e redução das desigualdades educacionais.

Fundeb: Ministério Público investiga perda de recursos do fundo em Cocal de Telha - (Divulgação/MPPI) Divulgação/MPPI
Fundeb: Ministério Público investiga perda de recursos do fundo em Cocal de Telha

Entre as informações requisitadas pelo MPPI estão as ações de reforço escolar voltadas aos estudantes em situação de vulnerabilidade, políticas públicas implementadas para promover a equidade educacional e indicadores referentes às taxas de aprovação, atendimento escolar e abandono no ensino fundamental entre 2023 e 2025.

O Ministério Público também determinou o envio de ofícios ao Conselho Municipal de Educação (CME) e ao Conselho de Acompanhamento e Controle Social do Fundeb (CACS/Fundeb), que deverão informar, no mesmo prazo, quais providências vêm sendo adotadas para acompanhar o cumprimento da condicionalidade e quais medidas foram recomendadas para reduzir as desigualdades de aprendizagem na rede do município.

Na portaria, o ente ministerial destaca que a perda da complementação VAAR representa redução de recursos destinados ao financiamento da educação e alerta que a permanência da situação poderá resultar na responsabilização dos gestores públicos caso não sejam adotadas medidas capazes de evitar novas perdas de recursos nos próximos exercícios.

Fundeb: Ministério Público investiga perda de recursos do fundo em Cocal de Telha - (Assis Fernandes/ODIA) Assis Fernandes/ODIA
Fundeb: Ministério Público investiga perda de recursos do fundo em Cocal de Telha

O procedimento administrativo terá prazo de um ano, podendo ser prorrogado conforme a necessidade das diligências.

O outro lado

O Portalodia.com entrou em contato com a prefeita de Cocal de Telha, Karyne do Rodrigão, para comentar o assunto, mas até o final desta matéria não houve retorno. O espaço segue aberto para esclarecimentos futuros.