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Delegado registra BO contra ex-chefe por supostos assédios e ameaças no Piauí

Segundo as denúncias, diversos policiais civis estariam enfrentando jornadas excessivas de trabalho, transferências indevidas e assédio moral que causaram consequências psicológicas

02/06/2026 às 16h15

O delegado Rodrigo Moraes registrou um Boletim de Ocorrência contra sua ex-chefe imediata, a delegada Francineide Fontes, por supostos episódios de assédio ocorridos em Picos, no Sul do Piauí. Após a denúncia, o Ministério Público do Estado do Piauí (MPPI) instaurou um procedimento administrativo para apurar os fatos relatados.

Ministério Público investiga casos de assédio envolvendo delegada no Sul do Piauí - (Divulgação/SSP-PI) Divulgação/SSP-PI
Ministério Público investiga casos de assédio envolvendo delegada no Sul do Piauí

As denúncias envolvem supostos casos de assédio moral no ambiente de trabalho, jornadas excessivas e transferências consideradas indevidas por servidores da corporação. Segundo Rodrigo Moraes, diversos policiais civis teriam sofrido consequências psicológicas em decorrência da situação.

O delegado registrou boletim de ocorrência nesta semana após tomar conhecimento de uma suposta declaração atribuída à ex-chefe. Segundo ele, a manifestação foi interpretada como uma ameaça.

“Eu registrei um boletim de ocorrência relacionado ao que eu interpretei, foi a minha interpretação, de que teria sido ameaçado. A autoridade policial, a ex-chefia imediata, teria dito a outra autoridade policial que seria capaz de matar alguém e depois tirar a sua própria vida. E como eu sou quem vem relatando publicamente os casos de assédio na circunscrição de Picos, eu me senti ameaçado”, afirmou.

Rodrigo Moraes disse ainda que comunicou o caso às instâncias superiores e prestará depoimento ao Ministério Público. “Pode ser que, ao final, essa circunstância seja afastada, mas para preservar a minha incolumidade física, eu estou dando publicidade ao fato. Registrei o boletim de ocorrência agora há pouco, remeti para as instâncias superiores. Quarta-feira eu estou intimado para dar um depoimento no Ministério Público e direi tudo. Não arredo o pé, não tiro uma vírgula de todos os apontamentos que eu fiz publicamente”, declarou.

O delegado também sustenta que os problemas relatados não seriam casos isolados. Segundo ele, outros profissionais teriam deixado a cidade ou solicitado afastamento em razão das condições de trabalho.

“São muitos policiais civis que sofreram assédio, inclusive delegados de polícia foram embora de Picos porque não suportaram as remoções indevidas. Em um período de cinco a seis meses, três lotações para um servidor, simplesmente por discordar da gestão hierárquica imediata”, disse.

As denúncias surgem em meio a uma crise interna na Polícia Civil da região de Picos, que já vinha sendo acompanhada por órgãos de controle. O assunto também ganhou repercussão após a morte do delegado Guilherme Tavares Escobar, de 32 anos, ocorrida em abril deste ano no município.

Procurada pela reportagem, o Ministério Público preferiu não comentar o conteúdo das apurações neste momento e afirmou que a investigação tramita sob sigilo e ainda está em fase inicial.

Em nota, a Polícia Civil do Piauí informou que a Delegacia-Geral determinou à Corregedoria a apuração imediata dos fatos.

“A Delegacia-Geral informa que já determinou à Corregedoria de Polícia Civil que realize apuração imediata de todas as condutas, em toda extensão, que caracterizem infrações disciplinares no âmbito da Seccional de Picos, de forma a preservar servidores, policiais e o bom andamento dos trabalhos de polícia judiciária, na forma do seu estatuto”, diz o comunicado.

A reportagem tentou contato com a delegada Francineide Fontes nas denúncias, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria. O espaço permanece aberto para manifestação.

Com supervisão de Nathalia Amaral