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Com perda equivalente a 80 campos de futebol por dia, cidade no Piauí lidera ranking de desmatamento no Brasil

Em 2024, o município ocupava a décima segunda posição no ranking; outros três municípios piauienses também registraram os maiores desmatamentos entre 2019 e 2025 no país

27/05/2026 às 15h40

27/05/2026 às 15h40

A cidade de Canto do Buriti, no Piauí, liderou o ranking nacional de áreas desmatadas em 2025, segundo o Relatório Anual do Desmatamento no Brasil. O avanço colocou o estado na segunda posição entre os que mais desmataram no país, após ocupar o quarto lugar no levantamento anterior. O cenário contrasta com a tendência nacional, já que o Brasil registrou redução superior a 20% no desmatamento no período.

Cidade do Piauí lidera ranking de desmatamento no Brasil em 2025, aponta relatório - (Semarh/PI) Semarh/PI
Cidade do Piauí lidera ranking de desmatamento no Brasil em 2025, aponta relatório

Canto do Buriti também apresentou a maior velocidade média diária de desmatamento do país. Inserida no bioma Caatinga, a área devastada se estende ainda ao município de Tamboril do Piauí. Ao longo de 289 dias, foram desmatados 20.834 hectares, o equivalente a uma média de 72,2 hectares por dia.

O crescimento do desmatamento no município foi expressivo. Em 2024, Canto do Buriti ocupava apenas a 12ª posição entre as cidades que mais desmataram no país. Até 2023, sequer aparecia no ranking nacional. Em 2025, porém, alcançou pela primeira vez a liderança, com média diária de 57,2 hectares devastados, área equivalente à supressão de mais de 80 campos de futebol por dia.

A segunda colocação do ranking ficou com Guadalupe, também no Piauí, que registrou 17.028 hectares desmatados em 2025. O número representa um aumento superior a 200% em comparação com a área devastada no município em 2024.

O relatório aponta ainda que os maiores crescimentos proporcionais de desmatamento em 2025 ocorreram nos municípios de Cocos (BA), Lagoa do Mato (MA), Guadalupe (PI) e Baianópolis (BA), todos localizados na região do MATOPIBA. Cocos liderou o avanço, com aumento de 316,9% em relação a 2024, seguido por Lagoa do Mato (251,7%), Guadalupe (228,2%) e Baianópolis (161,1%).

Este é o segundo ano consecutivo em que o maior desmatamento do país é registrado no bioma Caatinga, no Piauí. Segundo o levantamento, o maior alerta de desmatamento identificado em 2025 é uma continuidade do maior alerta validado em 2024, também localizado no estado. Somadas, as duas áreas devastadas ultrapassam 30 mil hectares.

Os estados com maiores áreas desmatadas por dia em 2025 foram Maranhão, Piauí e Bahia. Juntos, os três perderam, diariamente, uma área equivalente a 1.136,74 hectares de vegetação nativa. Já o Pará apresentou a maior média de alertas de desmatamento do país, com 19 registros por dia. O Mato Grosso, por sua vez, teve a maior velocidade média por alerta, com 0,78 hectare devastado diariamente por ocorrência.

Entre 2019 e 2025, o Piauí também concentrou os quatro municípios que mais desmataram no país: Canto do Buriti, Guadalupe, Uruçuí e Baixa Grande do Ribeiro.

Por meio de nota, a Semarh informou que precisa analisar os dados do relatório e que o estado vem registrando redução no desmatamento no Piauí.

A Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Piauí (Semarh) esclarece que os dados divulgados pelo levantamento do MapBiomas precisam ser analisados de forma contextualizada e técnica. Do total de áreas suprimidas no estado em 2025, cerca de 72% ocorreram mediante autorização legal dos órgãos ambientais competentes, dentro dos critérios estabelecidos pela legislação brasileira.

A legislação ambiental vigente permite a supressão vegetal em propriedades privadas desde que sejam respeitados rigorosos critérios técnicos, como a manutenção da reserva legal, preservação das áreas de preservação permanente (APPs) e cumprimento das medidas de reposição florestal.

A Semarh destaca ainda que o Piauí vem registrando redução consistente no desmatamento ilegal, com queda de 24% em relação a 2024 e de 54% na comparação com 2022, resultado do fortalecimento das ações de fiscalização, monitoramento remoto e regularização ambiental.

Sobre a supressão ocorrida no município de Canto do Buriti, apontado no levantamento como a maior área desmatada do país, a secretaria informa que a supressão ocorreu de forma devidamente autorizada, em área composta majoritariamente por vegetação secundária em estágio inicial de regeneração. A região também apresentava alta suscetibilidade a incêndios florestais e será destinada à implantação de empreendimento agrossilvipastoril, obedecendo todas as exigências ambientais previstas em lei.

Apesar dos números absolutos apresentados no levantamento, o Piauí segue como o estado fora da Amazônia Legal com o maior percentual de vegetação nativa preservada do Brasil, mantendo mais de 70% de sua cobertura vegetal original conservada.


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Com supervisão de Nathalia Amaral